CONGRESSO NACIONAL
Atividades
de Inteligência no Brasil:
ENTIDADES PROMOTORAS DO SEMINÁRIO
(Composição em 6 e 7 de novembro de 2002)
MESA DO
SENADO FEDERAL
|
Presidente: |
RAMEZ TEBET (PMDB-MS) |
|
Primeiro Vice-Presidente: |
EDISON LOBÃO (PFL-MA) |
|
Segundo Vice-Presidente: |
ANTONIO CARLOS VALADARES
(PSB-SE) |
|
Primeiro Secretário: |
CARLOS WILSON (PTB-PE) |
|
Segundo Secretário: |
ANTERO PAES DE BARROS (PSDB-MT) |
|
Terceiro Secretário: |
RONALDO CUNHA LIMA (PSDB-PB) |
|
Quarto Secretário: |
MOZARILDO CAVALCANTI (PFL-RR) |
Suplentes de Secretário
|
Primeiro: |
ALBERTO SILVA (PMDB-PI) |
|
Segundo: |
MARLUCE PINTO (PMDB-RR) |
|
Terceiro: |
MARIA DO CARMO ALVES (PFL-SE) |
|
Quarto: |
Vago |
|
Secretário-Geral da Mesa: |
Raimundo Carreiro Silva |
|
Diretor-Geral: |
Agaciel da Silva Maia |
MESA DA CÂMARA
DOS DEPUTADOS
|
Presidente: |
AÉCIO NEVES (PSDB-MG) |
|
Primeiro Vice-Presidente: |
EFRAIM MORAIS (PFL-PB) |
|
Segundo Vice-Presidente: |
BARBOSA NETO (PMDB-GO) |
|
Primeiro Secretário: |
SEVERINO CAVALCANTI (PPB-PE) |
|
Segundo Secretário: |
NILTON CAPIXABA (PTB-RO) |
|
Terceiro Secretário: |
PAULO ROCHA (PT-PA) |
|
Quarto Secretário: |
CIRO NOGUEIRA (PFL-PI) |
Suplentes de Secretário
|
Primeiro: |
PEDRO VALADARES (PSB-SE) |
|
Segundo: |
SALATIEL CARVALHO (PMDB-PE) |
|
Terceiro: |
ENIO BACCI (PDT-RS) |
|
Quarto: |
WILSON SANTOS (PSDB-MT) |
|
Secretário-Geral da Mesa: |
Mozart Vianna de Paiva |
|
Diretor-Geral: |
Sérgio Sampaio Contreiras de Almeida |
CONGRESSO
NACIONAL
COMISSÃO MISTA DE CONTROLE DAS ATIVIDADES DE INTELIGÊNCIA
(CCAI)
(Composição em 6 e 7 de novembro de 2002)
Presidente: Deputado ALDO REBELO
|
CÂMARA DOS DEPUTADOS |
SENADO FEDERAL
|
LÍDER DA MAIORIA
Deputado JUTAHY JÚNIOR (PSDB-BA)
|
LÍDER DA MAIORIA
Senador RENAN CALHEIROS (PMDB-AL)
|
LÍDER DA MINORIA
Deputado JOÃO PAULO (PT-SP) |
LÍDER DA MINORIA
Senador EDUARDO SUPLICY (Bloco PT/PPS-SP) |
|
PRESIDENTE DA COMISSÃO DE
RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA NACIONAL Deputado ALDO REBELO (Bloco PSB/PCdoB-SP) |
PRESIDENTE DA COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E
DEFESA NACIONAL
Senador JEFFERSON PÉRES
(PDT-AM) |
CÂMARA DOS DEPUTADOS
COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA NACIONAL (CREDN)
(Composição em 6 e 7 de novembro de 2002)
Presidente: Deputado ALDO REBELO
Primeiro Vice-Presidente: Deputado NEIVA
MOREIRA
Segundo Vice-Presidente: Deputado JORGE
WILSON
Terceiro Vice-Presidente: Deputada
ELCIONE BARBALHO
|
TITULARES |
SUPLENTES
|
PFL
|
|
|
ÁTILA
LINS – AM |
ABELARDO
LUPION – PR |
|
CLÁUDIO CAJADO – BA |
ALDIR
CABRAL – RJ |
|
FRANCISCO
RODRIGUES – RR |
ARACELI
DE PAULA – MG |
|
HERÁCLITO
FORTES – PI |
JOÃO
CARLOS BACELAR – BA |
|
JOSÉ THOMAZ NONÔ – AL |
LUCIANO
PIZZATTO – PR |
|
MÁRIO DE
OLIVEIRA – PST/MG |
NEY LOPES – RN |
|
WERNER WANDERER – PR |
ROBSON
TUMA – SP |
|
JOAQUIM
FRANCISCO – PE |
JOSÉ CARLOS FONSECA JR.
– ES |
PSDB
|
|
|
ANTONIO CARLOS PANNUNZIO
– SP |
ANTONIO FEIJÃO – AP |
|
ARNON BEZERRA – CE |
ANTONIO KANDIR – SP |
|
ARTHUR VIRGILIO – AM |
DR.
HELENO – RJ |
|
FEU ROSA – ES |
ITAMAR
SERPA – RJ |
|
JORGE WILSON – RJ |
MANOEL SALVIANO – CE |
|
LUIZ CARLOS HAULY – PR |
VICENTE ARRUDA – CE |
|
YEDA CRUSIUS – RS |
VICENTE CAROPRESO – SC |
|
|
ZULAIÊ COBRA - SP |
PMDB
|
|
|
ELCIONE
BARBALHO – PA |
AUGUSTO
FRANCO – PSDB/SE |
|
FERNANDO
DINIZ – MG |
EDISON
ANDRINO – SC |
|
HÉLIO
COSTA – MG |
IGOR
AVELINO – TO |
|
JOÃO
HERMANN NETO – PPS/SP |
MARIA
LÚCIA – MG |
|
JOSÉ
LOURENÇO – BA |
RENATO
VIANNA – SC |
|
LEUR
LOMANTO – BA |
|
|
MARCELO
BARBIERI – SP |
|
|
TADEU
FILIPPELLI – DF |
|
PT
|
|
|
ALOIZIO
MERCADANTE – SP |
FERNANDO
GABEIRA – RJ |
|
MILTON
TEMER – RJ |
JOSÉ
DIRCEU – SP |
|
NILMÁRIO
MIRANDA – MG |
JOSÉ GENOÍNO – SP |
|
PAULO
DELGADO – MG |
LUIZ
EDUARDO GREENHALGH – SP |
|
WALDIR
PIRES – BA |
MARCOS
ROLIM – RS |
PPB
|
|
|
CUNHA
BUENO – SP |
CELSO RUSSOMANNO – SP |
|
FRANCISCO DORNELLES – RJ |
ERALDO TINOCO – PFL/BA |
|
JOSÉ TELES – PSDB/SE |
HERCULANO ANGHINETTI – MG |
|
MARCUS VICENTE – ES |
JÚLIO REDECKER – RS |
|
VITTORIO
MEDIOLI – PSDB/MG |
LUIS
CARLOS HEINZE – RS |
PTB
|
|
|
AROLDO
CEDRAZ – PFL/BA |
MURILO
DOMINGOS – MT |
|
JOSÉ
CARLOS MARTINEZ – PR |
VILMAR
ROCHA – PFL/GO |
|
SÉRGIO
REIS – SE |
|
Bloco PDT, PPS
|
|
|
JAIR BOLSONARO – PPB/RJ |
AIRTON CASCAVEL – RR |
|
NEIVA MOREIRA
– MA |
AIRTON DIPP – RS |
|
RUBENS
BUENO – PR |
|
Bloco PL, PSL
|
|
|
DE
VELASCO – SP |
ALCESTE
ALMEIDA – RR |
|
HAROLDO
LIMA – PCdoB/BA |
CABO
JÚLIO – PST/MG |
|
JAQUES
WAGNER – PT/BA |
MAGNO MALTA – ES |
Bloco PSB, PcdoB
|
|
|
ALDO
REBELO – PCdoB/SP |
ALEXANDRE
CARDOSO – RJ |
|
EDUARDO
CAMPOS – PE |
GIVALDO
CARIMBÃO – AL |
|
PEDRO
VALADARES – SE |
TÂNIA
SOARES – PCdoB/SE |
AGÊNCIA BRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA (ABIN)
(Composição em 6 e 7 de novembro de 2002)
|
Diretora-Geral |
MARISA
ALMEIDA DEL’ISOLA E DINIZ |
|
Diretor-Adjunto |
JONEITON DE ASSIS MARTINS |
|
Secretário-Executivo de Planejamento e Coordenação |
JOSÉ ATHOS IRIGARAY DOS SANTOS |
FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DO RIO
DE JANEIRO (FAPERJ)
(Composição em 6 e 7 de novembro de 2002)
|
Diretor Presidente |
RENATO DE ANDRADE LESSA |
|
Diretora de Administração e Finanças |
LIETE TEIXEIRA |
|
Diretor Científico |
LUIS MANUEL REBELO FERNANDES |
|
Diretor de Tecnologia |
EUGENIUS KASZKUREWICZ |
“ORELHA” DA CAPA DA PUBLICAÇÃO DOS ANAIS DO SEMINÁRIO
Talvez como conseqüência dos anos de autoritarismo vividos pelo Brasil
em período recente, as atividades de Inteligência em nosso país sofrem ainda
uma certa estigmatização, tão extemporânea quanto perigosa.
Em um país democrático e empenhado na defesa de sua
soberania e na luta pela paz, as atividades de Inteligência são essenciais,
estratégicas.
Não há democracia digna desse nome sem um Serviço de
Inteligência profissional e rigorosamente submetido ao controle da sociedade.
Não há democracia moderna que prescinda de uma
Inteligência capaz de prover o país e os governantes de instrumentos para o
cumprimento de sua missão constitucional.
Foi por essa razão, para debater e refletir sobre o tema, que o
Congresso Nacional, por meio da Comissão Mista de Controle das Atividades de
Inteligência e da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara
dos Deputados - e com a participação da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo
à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e da Agência Brasileira de Inteligência
– promoveu no final de 2002 o seminário “Atividades de Inteligência no Brasil:
Contribuições para a Soberania e a Democracia.”
Ao longo de dois dias, diversos palestrantes e debatedores contribuíram
para a discussão de temas como o controle público e parlamentar das atividades
de Inteligência, o uso da Inteligência para o combate ao crime organizado e a
relação entre a Inteligência militar e a defesa nacional, entre outros
assuntos.
É o resultado desse trabalho que colocamos agora ao alcance da população
brasileira. Tratar as questões relativas à Inteligência de maneira aberta e
transparente junto à opinião pública talvez seja o melhor caminho para evitar
que possíveis equívocos do passado se convertam em entraves na construção de um
futuro democrático, soberano e justo para todos os cidadãos de nosso país.
Deputado Aldo Rebelo
Atividades
de Inteligência no Brasil:
Contribuições
para a Soberania e a Democracia
Editados
pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), contendo coletânea de textos
apresentados
Deputado
Aldo Rebelo
General
Alberto Mendes Cardoso
Primeira Parte
Peter Gill
José Manuel Ugarte
Deputado Aldo Rebelo
Segunda
Parte
Profissionalização
da Atividade de Inteligência
Marisa Almeida Del’Isola e Diniz
Marco Aurélio Chaves Cepik
Thomas Bruneau
Terceira
Parte
Inteligência
e Sustentação dos Interesses Nacionais
Rex Nazaré Alves
Roque Monteleone Neto
Bruce Berkowitz
Quarta
Parte
Defesa
Nacional e Inteligência Militar
General-de-Divisão Aloísio Rodrigues dos Santos
Contra-Almirante Adalberto Casaes Júnior
General-de-Divisão Raymundo Nonato de Cerqueira Filho
Brigadeiro-do-Ar Dalton Luís Fraresso
Quinta Parte
Limites e
Eficácia do Controle Parlamentar
Deputado Luiz Carlos Hauly
Guillermo Holzmann Pérez
Sexta Parte
Atividade
de Inteligência na Prevenção do Crime Organizado
Daniel Lorenz de Azevedo
Deomar Vasconcellos Moraes
Ricardo Liao
Celso Antônio Três
Últimos agradecimentos
Deputado Aldo Rebelo
Balanço Final e Conclusões
Marisa
Almeida Del’Isola e Diniz
Currículos
resumidos dos conferencistas
Solenidade de Lançamento
dos Anais do Seminário, realizada em 17 de dezembro de 2003,
no Salão Nobre da Câmara
dos Deputados
Deputado ALDO REBELO, Presidente da Comissão Mista de
Controle das Atividades de Inteligência
O Sr.
Deputado ALDO REBELO - Sr.
Presidente do Congresso Nacional, Exmº Sr. Senador e amigo Ramez Tebet, a quem
inicialmente agradecemos o empenho e o estímulo para a realização deste
Seminário, sob a responsabilidade do Congresso Nacional e da Comissão Mista de
Controle das Atividades de Inteligência; Exmº. Sr. Ministro de Estado da
Defesa, Dr. Geraldo Magela da Cruz Quintão; Exmº Sr. Ministro-Chefe do Gabinete
de Segurança Institucional da Presidência da República, General Alberto Mendes
Cardoso; Drª Marisa Almeida Del’Isola e Diniz, Diretora-Geral da ABIN e
colaboradora também na realização do nosso seminário; Exmª Srª Ministra Anadyr
de Mendonça; companheiro Luis Manuel Fernandes, Diretor Científico da Faperj; minhas
senhoras e meus senhores inicialmente, registramos o esforço conjunto da
Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência e do General Alberto
Mendes Cardoso para percebermos a necessidade da valorização institucional, da
modernização e da profissionalização da atividade de Inteligência em nosso
País.
A atividade de Inteligência compõe uma disciplina
muito ampla e antiga. Diz Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira, nosso
dicionarista maior, que Inteligência é a “faculdade de aprender, de apreender e
de compreender” a realidade. Podemos entender a atividade de Inteligência, stricto sensu, como a busca da
informação para objetivos determinados. Também podemos compreendê-la, lato
sensu como todo o esforço humano de apreensão da realidade, em toda a
história, em toda a escala da evolução de nossa espécie.
Poderíamos afirmar, sem medo de errar, que toda evolução, toda
transformação profunda, verdadeira e permanente da espécie humana tem sempre a
lhe apoiar uma atividade ou uma conquista da Inteligência, se compreendermos
como Inteligência, por exemplo, o esforço primitivo do homem na busca e na
descoberta do fogo ou os feitos das grandes navegações e das grandes
descobertas. Nesse contexto, por Inteligência compreende-se juntar o
conhecimento disponível, na época, na área da ciência, da tecnologia e dos
conhecimentos náuticos em favor de um objetivo determinado: a descoberta ou,
como dizem os portugueses atualmente, o achamento de novas terras. Essa
Inteligência permitiu a portugueses e espanhóis, munidos, naturalmente, do
conhecimento disponível naquele período, implantar novas civilizações pelos
continentes até então desconhecidos dos europeus. Essa Inteligência permitiu,
por exemplo, a um simples operário inglês transferir para os Estados Unidos da América,
então no nascimento como Estado autônomo, o conhecimento disponível na área da
tecnologia da indústria têxtil, conhecimento que os ingleses procuravam
reservar para si. Inteligência refere-se também ao conhecimento que, nas
guerras, permite a possibilidade do salvamento de vidas, através da minimização
dos riscos.
O certo é que a atividade de Inteligência sempre esteve associada à luta
pela preservação de interesses e de direitos nacionais e pela ampliação dos
horizontes científicos e tecnológicos dos países e das nações.
No Brasil, já estávamos no momento da promoção, do
esforço, da valorização social e institucional da atividade de Inteligência
como elemento insubstituível na construção e na consolidação do Estado
brasileiro e da vida democrática no País. A atividade de Inteligência é
essencial à defesa da sociedade, à construção da democracia e à defesa da
soberania e do Estado nacional. Esse é o esforço deste Seminário ao buscar a
colaboração, em primeiro lugar, da própria instituição que tem primordialmente
esse objetivo e finalidade: a Agência Brasileira de Inteligência.
Agradecemos o apoio que recebemos de instituições
importantes do Estado brasileiro: o Ministério da Defesa, o Gabinete de
Segurança Institucional da Presidência da República, a Marinha, cujo Comandante
Almirante Chagas Teles está aqui presente, a Aeronáutica, representada pelo seu
Comandante Brigadeiro Carlos de Almeida Batista, o Exército, a Fundação Carlos
Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, na pessoa do seu
Presidente, o pesquisador e cientista Renato Lessa, e de seu Diretor
Científico, companheiro e amigo Professor Luís Manuel Fernandes.
Agradecemos também o apoio da Polícia Federal, cujo
Diretor-Geral, Delegado Armando de Assis Possa, está aqui presente, da Receita
Federal e do Banco Central, já que hoje atividade de Inteligência é também
atividade contra o crime organizado na área financeira ou na área da Receita.
Esse é o nosso esforço, do qual também tem participado a sociedade.
Destaco, registro e agradeço também a participação de um jovem pesquisador e
professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Dr. Marco Aurélio Chaves
Cepik, que nos ajudou na concepção, na formulação, no debate e na realização
deste Seminário.
Há um grande esforço do Congresso Nacional para a
consolidação da atividade de Inteligência, ainda inicial e pioneiro, já que
essa Comissão foi constituída recentemente. Seu primeiro Presidente foi o
Deputado Luiz Carlos Hauly, também presente, o pioneiro dos pioneiros, autor da
proposta de Regimento da própria Comissão Mista de Controle das Atividades de
Inteligência.
É um esforço coletivo, conjunto, para que a sociedade
reconheça a atividade de Inteligência como serviço essencial na defesa de seus
interesses imediatos e futuros, e para que a atividade de Inteligência
reconheça, na sociedade, a fonte legítima da sua existência e da sua atuação.
Para nós, portanto, Inteligência científica,
Inteligência tecnológica, Inteligência política, Inteligência cultural,
Inteligência militar, Inteligência de defesa são Inteligências que se somam na
construção de um País mais justo, mais democrático e mais independente.
Sejam, então, bem-vindos os convidados e os senhores
inscritos. Conferencistas da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Argentina e do
Chile, muito obrigado pela presença.
Muito obrigado a todos.
Atividades de Inteligência no
Brasil:
Realização conjunta:
Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)
Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado
do Rio de Janeiro (FAPERJ)
DIA 6 DE NOVEMBRO
Senador
RAMEZ TEBET
Presidente do Congresso Nacional
Deputado ALDO REBELO
Presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de
Inteligência do Congresso Nacional
Conferencista:
General ALBERTO MENDES CARDOSO
Ministro de Estado Chefe do
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República
MESA Nº 1:
Mediador: Professor LUIS
MANUEL FERNANDES
Conferencistas:
1) PETER GILL
Professor
de Política e Justiça Criminal da Universidade de Liverpool, Reino Unido
2) JOSÉ MANUEL UGARTE
Professor
de Direito da Universidade de Buenos Aires, Argentina
3) Deputado ALDO REBELO
Presidente
da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência
MESA Nº 2
"Profissionalização da
Atividade de Inteligência"
Mediador: Professor LUIS
MANUEL FERNANDES
Conferencistas:
1) MARISA ALMEIDA DEL’ISOLA E DINIZ
Diretora-Geral
da Agência Brasileira de Inteligência – ABIN
2) MARCO AURÉLIO CHAVES CEPIK
Professor
da Universidade Federal de Minas Gerais
3) THOMAS BRUNEAU
Diretor do
Centro de Relações Civis-Militares da Escola de Pós-Graduação Naval dos Estados
Unidos da América
MESA Nº 3:
"Inteligência e
Sustentação dos Interesses Nacionais"
Mediador: Deputado PAULO
DELGADO
Conferencistas:
1) REX NAZARÉ ALVES
Chefe do Departamento
de Tecnologia da Agência Brasileira de Inteligência – ABIN
2) ROQUE MONTELEONE NETO
Diretor do
Departamento de Assuntos Nucleares e de Bens Sensíveis do Ministério da Ciência
e Tecnologia
3) BRUCE BERKOWITZ
Pesquisador
da Hoover Institution da Universidade de Stanford
DIA 7 DE NOVEMBRO
MESA Nº 4:
"Defesa Nacional e
Inteligência Militar"
Mediador: Deputado LUIZ
CARLOS HAULY
Conferencistas:
1)
General-de-Divisão ALOÍSIO RODRIGUES DOS
SANTOS
Diretor do
Departamento de Inteligência Estratégica, Ministério da Defesa
2)
Contra-Almirante ADALBERTO CASAES JÚNIOR
Subchefe
de Estratégia do Estado-Maior da Armada
3)
General-de-Divisão RAYMUNDO NONATO DE
CERQUEIRA FILHO
2º
Subchefe do Estado-Maior do Exército
4)
Brigadeiro-do-Ar DALTON LUÍS FRARESSO
Chefe da
Secretaria de Inteligência da Aeronáutica
MESA Nº 5:
"Limites e Eficácia do
Controle Parlamentar"
Mediador: Senador JEFFERSON
PÉRES
Conferencistas:
1) Deputado LUIZ CARLOS HAULY,
Vice-Líder
do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) na Câmara dos Deputados,
ex-Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara
dos Deputados, ex-membro e ex-Relator da Comissão Mista de Controle das
Atividades de Inteligência
2) GUILLERMO HOLZMANN PÉREZ
Professor
do Instituto de Ciência Política da Universidade do Chile
MESA Nº 6:
"Atividade de
Inteligência na Prevenção do Crime Organizado"
Mediador: Deputado ALDO
REBELO
Conferencistas:
1) DANIEL LORENZ DE AZEVEDO
Coordenador
de Inteligência, da Diretoria de Inteligência Policial, Departamento de Polícia
Federal
2) DEOMAR VASCONCELLOS MORAES
Coordenador-Geral
de Pesquisa e Investigação – Inteligência Fiscal – Secretaria da Receita
Federal
3) RICARDO LIAO
Chefe do
Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros, Banco Central do
Brasil
4) CELSO ANTÔNIO TRÊS
Procurador
da República no Distrito Federal
Últimos
agradecimentos
Deputado ALDO REBELO
Presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de
Inteligência do Congresso Nacional
Balanço
Final e Conclusões
MARISA
ALMEIDA DEL’ISOLA E DINIZ
Diretora-Geral da Agência Brasileira de Inteligência – ABIN
Atividades de Inteligência no
Brasil:
Senador RAMEZ TEBET, Presidente do Congresso Nacional
O Sr. Senador RAMEZ TEBET - Exmos Srs. Ministros, dignas autoridades
que compõem a Mesa e que se encontram neste plenário, é com grande satisfação que,
como Presidente do Congresso Nacional, dou-lhes as boas-vindas e os recebo em
nosso recinto.
Hoje, na abertura do seminário Atividades de Inteligência no Brasil, percorro os olhos pela Mesa e
pela audiência, e encontro algumas das mais destacadas personalidades que têm
honrado a vida nacional com seu trabalho e seu brilhantismo.
O momento é mais do que oportuno para tratar do tema
deste seminário de Inteligência,
assim entendido a informação sistematizada prestada institucionalmente, pelos
serviços competentes, para a proteção do Estado e da sociedade. O momento é
oportuno porque, hoje, tudo é democracia no Brasil. Deitamos, acordamos e
respiramos democracia; orgulhosos que estamos da maturidade, da consolidação,
da eficiência de nosso processo eleitoral.
E é a serviço da democracia, do Estado Democrático de
direito, de sua proteção e segurança, que se quer estejam os serviços de
Inteligência no Brasil! Tal é a razão de ser deste grande encontro que se
inicia hoje, aqui no Congresso Nacional, e que está estampada em alguns dos
temas a serem discutidos, em que figuram as palavras “democracia”, “controle
público”, “profissionalização”, “interesses nacionais” e “controle
parlamentar”.
Para esse objetivo tem contribuído de forma
inestimável – e todos reconhecemos isso – o primeiro conferencista deste
seminário, que nos falará daqui a pouco, o Ministro-Chefe do Gabinete de
Segurança Institucional da Presidência da República, General Alberto Cardoso.
Senhoras e senhores: o principal desafio das
atividades de Inteligência no Brasil – desafio que tem sido superado, com
competência, mas lentamente, ao longo dos últimos 17 anos – é o
redirecionamento dos objetivos dessas atividades para que se conformem com a
natureza de uma sociedade democrática.
Do regime autoritário – que caracterizou nosso País
até 1985 – ao Estado de Direito – vigente a partir daquele ano e consolidado em
1988 com a nova Constituição –, a mudança é significativa em relação ao que se
espera da atividade de Inteligência.
Até o advento da democracia, a atividade de
Inteligência a cargo do Poder Executivo Federal tinha como inspiração e
diretriz a chamada doutrina de segurança
nacional. Foi à época do SNI, Serviço Nacional de Informações, criado em
1964.
Hoje o quadro é outro. Se, antes, o SNI devia atuar
contra os que ameaçavam um regime autoritário, agora a ABIN – Agência
Brasileira de Inteligência, deve auxiliar a segurança de um Estado livre e
democrático submetido às leis que o constituem, bem como a segurança da
sociedade da qual emanaram essas leis.
Em suma, a legitimidade para a existência e para a
ação de um órgão de Inteligência dá-se em outras bases. Tal estrutura deve
estar, hoje, a serviço do Estado e da sociedade e, de modo apartidário,
submeter-se ao comando de quem detenha provisoriamente o poder, devendo o
detentor do poder utilizá-lo, sob pena de crime de responsabilidade,
rigorosamente dentro dos marcos constitucionais.
Ao fazer a transição da qual venho falando, a ABIN,
órgão de Inteligência federal, teve sua atuação ampliada no que se refere à
abrangência dos temas, e restringida, no que se refere ao grau de liberdade com
que se move.
A restrição de movimentos é compatível com o controle
legal a que hoje é submetido o órgão. Internamente, no âmbito do próprio Poder
Executivo, a ABIN é controlada pela Câmara de Relações Exteriores e Defesa
Nacional, a quem cabe supervisionar a execução da Política Nacional de
Inteligência.
Externamente, o controle é exercido pelo Poder
Legislativo, por intermédio da Comissão Mista de Controle das Atividades de
Inteligência, hoje presidido por S. Exª o Deputado Aldo Rebelo.
Quanto às áreas de atuação da ABIN, estas se ampliam
no momento em que também se amplia o conjunto social a que o órgão deve servir:
hoje, em última análise, toda a sociedade.
Entram em pauta temas da área econômica, como
contra-espionagem industrial e contra-espionagem institucional em relação a
órgãos e agências governamentais que lidam com compras e licitações, exercidas
em favor da manutenção do sigilo e da operacionalidade dos processos de decisão
estratégica do Estado e das empresas brasileiras, especialmente as que lidam
com tecnologia de ponta. No mundo atual, a informação, especialmente a de
conteúdo tecnológico, pode fazer a diferença entre a competitividade e a
ausência dela, entre o desenvolvimento e o atraso.
Insere-se também dentro da atuação legal da ABIN, o
combate ao crime organizado, por meio da coleta de informações sobre crimes
financeiros. E não há como deixar de lembrar a ameaça que o narcotráfico hoje
exerce sobre a sociedade e o Estado brasileiros, colocando em risco – cumpre
ressaltar com veemência – a própria soberania sobre partes do território
nacional. Associado a essa chaga da maior gravidade está o comércio
internacional de armas e a própria lavagem
de dinheiro.
Enfim, senhoras e senhores, resta-me louvar, mais uma
vez, a iniciativa deste importantíssimo seminário. Ele representa mais uma
pedra que colocamos na fundação do edifício da liberdade, pois se discutem os
mecanismos legais para a defesa do Estado Democrático de direito.
Inclusive, com o grande pleito que ora se encerrou,
em que foram escolhidos os parlamentares e governantes que conduzirão nossos
destinos nos próximos anos, e a transição pacífica e civilizada que lhe está
seguindo, o Brasil demonstrou que está definitivamente vocacionado para a
democracia, para a paz e para a liberdade.
Desejo a todos um bom seminário nestes dois dias.
Muito obrigado.
Atividades
de Inteligência no Brasil:
Contribuições
para a Soberania e a Democracia
GENERAL ALBERTO MENDES CARDOSO, Ministro de Estado Chefe do Gabinete de
Segurança Institucional da Presidência da República.
Começaria agradecendo a presença de todos, inclusive
das autoridades que participaram da Mesa e já se retiraram.
Para não roubar a paciência e o tempo das senhoras e
dos senhores, vou me escusar de repetir o vocativo e a nominata, saudando todos
aqueles já mencionados pelos que me antecederam e, em especial, as senhoras e
os senhores na platéia, que estão nos brindando com sua atenção.
Informo aos tradutores que lerei grande
parte da palestra, mas sairei do texto em diversas ocasiões. Quando isso
ocorrer, alertarei os tradutores.
Que sejam minhas palavras iniciais de cumprimento aos
organizadores deste Seminário, nas pessoas dos titulares aqui presentes da
Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados; da
Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ) e da
Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), pela feliz iniciativa de trazer a
discussão temas de tão elevado interesse para a atividade de Inteligência no
País.
Quero, igualmente, cumprimentar a distinta audiência
pela generosa presença e participação que, desde já antevejo, em muito
contribuirão para o sucesso deste evento.
Muito me honra o convite para proferir a Conferência
de abertura deste importante seminário Atividades
de Inteligência no Brasil: Contribuições para a Soberania e a Democracia.
Em abril de 1996, o Presidente da República nos honrou
com a responsabilidade de organizar a futura Agência Brasileira de
Inteligência, além de continuarmos com as atividades correntes em Inteligência.
O Presidente, naquela ocasião, apresentou-nos algumas diretrizes, que foram
seguidas à risca, outras foram até acrescentadas por desdobramentos das
diretrizes iniciais do Presidente.
Antes de tudo, o Presidente disse que queria um órgão
de Inteligência do Estado brasileiro e não do Governo brasileiro. Esse foi o
ponto básico que balizou realmente todo o trabalho de organização da futura
Agência Brasileira de Inteligência, hoje a nossa ABIN, e do Sistema Brasileiro
de Inteligência que deveria ser criado, tendo a ABIN como órgão central.
Significa muito ser um órgão do Estado brasileiro e
não do Governo brasileiro. Resumiria a importância dessa diretriz, ser órgão do
Estado brasileiro, no fato de ter como única preocupação produzir conhecimentos
para o processo decisório do presidente da República, sob o ponto de vista de
segurança da sociedade e do Estado brasileiro, atendo-se apenas a uma faceta
que se refere ao poder, a de exercício do poder; de maneira nenhuma preocupado
com ascensão ou permanência no poder. É muito importante que esse ponto fique
bem entendido por todos nós, porque, repito, foi o farol e o horizonte da
organização e do trabalho do serviço de Inteligência.
Dessa forma, como órgão do Estado brasileiro, não
poderia ser ideologizado. Se pudéssemos definir a democracia como uma
ideologia, a única ideologia do serviço de Inteligência deveria ser, e é, a
defesa, a consolidação e a participação na democracia pela produção de
conhecimentos para o presidente da República, conhecimentos esses estritamente
condicionados pelos ditames da Constituição brasileira e, logicamente, pelas
diretrizes apresentadas pelo presidente.
Então, ser um órgão de Estado não
ideologizado é fundamental. Em conseqüência, também será um órgão apartidário.
Não pode ter matiz partidária, nenhum tipo de conotação partidária. Não que o
órgão de Inteligência rejeite isso. Nem lhe caberia rejeitar os sistemas
partidários, pelo contrário, busca trabalhar para fortalecê-los. Mas não pode
ter – e já foi mencionada a razão – conotação partidária, porque não pode
trabalhar com vistas à ascensão ou à permanência no poder. E foi muito fácil trabalhar
nesse sentido, porque tivemos todo esse tempo, mais de seis anos, trabalhando
com Inteligência de Estado e, em nenhum momento, ao longo do período, e,
particularmente nos períodos eleitorais, a ABIN foi acionada para levantar
dados sobre candidatos, sobre campanhas que estariam sendo conduzidas etc. É
importante frisar isso e ainda destacar que essa facilidade de trabalhar na
diretriz de apartidarismo se deve totalmente à perfeita compreensão do
presidente da República em relação a suas funções de chefe de Estado e de chefe
de Governo, o que, no presidencialismo, não é difícil para as pessoas que
chegam ao poder, mas é uma área muito sensível de se definir. Em alguns
momentos, há uma tendência de ficar uma área cinza entre essas duas
conceituações – o chefe de Estado e o chefe de Governo.
Essas diretrizes, depois, foram desdobradas em outras
e, nesses desdobramentos, destaco o aspecto da ética da atividade de
Inteligência, que se baliza por essas diretrizes anteriores e tem o fulcro numa
idéia básica e fundamental de que o profissional de Inteligência tem que estar,
permanentemente, policiando-se, vigiando a si próprio, para de o produto da sua
atividade profissional, portanto o conhecimento produzido durante o seu
trabalho profissional, suas análises, suas sínteses, não seja usado como
instrumento de poder.
Todos sabemos do enorme poder do conhecimento e das
informações, principalmente das informações de Estado, as quais integram o
núcleo duro da ética do profissional de Inteligência. Essa situação foi
perfeitamente absorvida pelos membros da ABIN e do sistema. Faz parte desse
núcleo o conceito de que somente ao destinatário oficial, somente ao
destinatário institucional dos conhecimentos produzidos por um serviço de
Inteligência de Estado, somente a ele cabe transformar os conhecimentos em
instrumento de poder.
Ainda fora do texto, desculpem-me os senhores
tradutores, e para que, ao longo da nossa conversas, tenham em mente quais são
as orientações objetivas para o trabalho da Agência Brasileira de Inteligência,
gostaria de ler algumas orientações que estão balizando as diretrizes de 2002,
este ano que está terminando agora, para a Agência Brasileira de Inteligência.
São as diretrizes internas da ABIN.
Lerei só o item 3 dessas diretrizes, que diz:
“Os conhecimentos produzidos devem buscar, a priori, a identificação de causas e
tendências dos fatos e/ou situações, procurando analisar e avaliar seus
reflexos quanto a oportunidades e ameaças para as ações de governo.
A atividade de produção abrangerá o amplo espectro da realidade nacional
e internacional, priorizadas as seguintes áreas: desenvolvimento social, em
especial os aspectos voltados para a educação, saúde, saneamento, habitação,
trabalho e previdência social; populações indígenas; política fundiária e
reforma agrária; desigualdades regionais; meio ambiente, biodiversidade e
recursos hídricos; vigilância e controle sanitários; conjuntura econômica, em
especial os aspectos relacionados ao desenvolvimento do País; infra-estrutura de energia, transportes e
comunicações; desenvolvimento da indústria, do comércio e dos serviços;
pesquisa científica e tecnológica, particularmente nas áreas nuclear,
aeroespacial, de biotecnologia e de potencial utilização militar; segurança
pública, em especial no que se refere à capacidade do Estado para prevenir e
reprimir a atuação das organizações criminosas transnacionais: o narcotráfico,
o tráfico de armas, a lavagem de dinheiro e o terrorismo; a defesa civil;
segurança nas fronteiras brasileiras, em particular na Amazônia Ocidental;
conjuntura internacional, em especial a referente à instabilidade social e
política na América do Sul, Colômbia, União Européia, Estados Unidos, China,
Rússia e Japão e conflitos no Oriente Médio; pactos econômicos regionais, em especial
nas Américas; e serviços de Inteligência estrangeiros.”
Essas são as dezesseis diretrizes básicas para o
trabalho da ABIN. São diretrizes internas na ABIN.
Ressalto que os conhecimentos produzidos devem buscar
informações a priori, porque um
serviço de Inteligência trabalha preventivamente. Deve informar a priori; quando informar a posteriori, já estará tentando
corrigir o fracasso na sua atividade profissional. Lembro ainda que todas as
ações ocorrem sob o viés da segurança da sociedade e do Estado.
Permita-me aqui mais um parêntesis em relação ao
chamado crime organizado. Um esforço muito grande deve ser desenvolvido pelos
delegados da sociedade, portanto, por todos que tenham delegação da autoridade,
da soberania e do poder popular, para criarmos a consciência de que o crime
organizado que tanto preocupa – e com justa razão – as nossas populações
urbanas, não pode ser entendido apenas como aquele do nível intermediário da
pirâmide da criminalidade para baixo. Devemos ter a consciência de que a origem
do verdadeiro crime organizado está no topo da pirâmide, financiando o crime, e
de que esse financiamento tem retorno multiplicado com dinheiro sujo, que tem
que ser lavado para que as organizações criminosas tenham fachada de
legalidade, para que possam ter permanência no tempo e para que possam os seus
chefes continuar freqüentando alguns salões e alguns gabinetes.
Ainda em relação à criminalidade, há de se ter também
a consciência de que o seu conceito não deve envolver apenas o crime e os
criminosos, mas os crimes socialmente relevantes, as suas causas. Deve-se
incluir no conceito de criminalidade a sociedade adjacente ao crime, a
sociedade que cria condições para a proliferação do mesmo e para o
recrutamento, na base de pirâmide, de crianças e jovens para as suas fileiras.
Portanto, nós todos, sociedade, fazemos parte do conceito de criminalidade. É
muito importante ter isso em mente.
Estar, hoje, nesta tribuna, me faz sentir, duplamente
recompensado: em primeiro lugar, porque o tratamento deste tema, para mim tão
significativo, propicia a oportunidade para tecer considerações acerca da
qualificação da Inteligência como efetivo instrumento de Estado à disposição
dos sucessivos governos, bem como da inamovível vocação democrática que orienta
o exercício da atividade de Inteligência no Brasil do século XXI; em segundo lugar, pela feliz escolha do
local para a realização deste Seminário, posto que foi nesta Casa de Leis que o
original projeto de instituição do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN)
e de criação da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), após um ano de
debates no Executivo, aqui tramitou durante vinte e sete meses, ganhando em
profundidade e abrangência ao passar pela análise e o crivo enriquecedor de
nossos representantes.
Desde o início, foi uma constante a preocupação com a
preservação intransigente dos valores democráticos. Tal exigência foi
estabelecida ainda no início do processo de criação da ABIN e do SISBIN, o qual
foi realizado, em todas as suas etapas, com a máxima transparência possível e
sempre contando com a contribuição decisiva da sociedade representada pelas
duas Casas do Legislativo que, como disse anteriormente, em muito aperfeiçoaram
o projeto original.
Hoje, às vésperas de retornar a Força Terrestre, me
recordo, quando, em abril de 1996, recebi do Excelentíssimo Senhor Presidente
da República a honrosa incumbência de coordenar as atividades do órgão federal
de Inteligência, em adição às demais a mim cometidas. Na oportunidade, de
imediato passei a envidar esforços no sentido de reorganizá-las consoante meu
entendimento acerca dos elevados padrões de qualidade que essas deveriam
incorporar, próprios das necessidades do Brasil consciente de seu papel nos
contextos regional e mundial e, sobretudo, dos padrões morais que deveriam
pautar a conduta de seus integrantes.
Isso significa um serviço de Inteligência cujas ações
sejam forçosamente balizadas por valores éticos, princípios constitucionais e
sob a forte inspiração dos preceitos democráticos, reafirmados, ao longo dos
últimos oito anos, de modo exemplar, pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso,
grande inspirador da obra de renovação da atividade de Inteligência no Brasil.
Cumpre ainda destacar, no caso do processo de criação
do SISBIN e da ABIN, a preocupação em estabelecer consistentes parâmetros
baseados nos preceitos constitucionais, com o intuito de evitar descaminhos no
exercício da atividade de Inteligência e assegurar a não ingerência do órgão
central nas questões internas dos demais integrantes, preservando a sua
autonomia. A idéia a presidir a formulação do sistema é a de um conjunto
cooperativo e sem outro vínculo ao órgão central que não o canal técnico.
O Sistema Brasileiro de Inteligência começou
a ser construído, naquela ocasião, em abril de 1996, buscando-se a conquista da
confiança recíproca entre os seus futuros membros – confiança entre eles e no
que viria a ser o órgão central; confiança no sentido de se ter certeza de que,
primeiro, seria um sistema da democracia, e, segundo, de que não haveria ingerência
do órgão central em cada um dos órgãos componentes do sistema. Não há, nesse
nosso sistema, diretorias, agências ou assessorias de segurança e informações
nos ministérios ou nas estatais. Então, preferiu-se construir essa confiança
antes mesmo de a lei criar o sistema.
Com absoluto respeito, repito, ao trabalho e à
administração interna de cada órgão setorial do Governo, começaram, sistêmica e
paulatinamente, os pedidos, sempre respondidos, para os ministérios; da mesma
forma, para os Estados federados. Em uma Federação, não cabe ordem para o
Estado. Na realidade, há a adesão a um sistema nacional de Inteligência, a um
Sistema Brasileiro de Inteligência.
Deve-se conversar principalmente sobre o que, hoje, é
crucial, que é a criação e a consolidação, o que tem caminhado bem no
Ministério da Justiça, de um Sistema de Inteligência de Segurança Pública. Os
estados devem ter a confiança de que vão trabalhar juntos e sem ingerência
federal indevida, mas apenas com solicitações e intercâmbio de conhecimentos.
Alguém pode perguntar: Mas se não há representantes
do órgão central nos órgãos setoriais e nos demais componentes do sistema, como
vai funcionar isso? Só na base da confiança? Como vão saber, os órgãos do
sistema, das necessidades de Inteligência que devem fornecer? Que dados devem
fornecer? Nesse contexto surge o Plano Nacional de Inteligência, que está agora
nesta Casa para sugestões e que foi elaborado pela Câmara Setorial do Conselho
de Governo de Relações Exteriores e Defesa Nacional – CREDEN, órgão já citado
pelo Presidente do Senado. É um plano elaborado pela Creden e que está sendo
examinado para sugestões. É um plano de cuja política vai originar um novo
plano na ABIN, que vai solicitar aos órgãos componentes do sistema, de forma
fragmentária – porque a compartimentalização é natural no trabalho de
Inteligência de Estado – aquelas informações que podem nos fornecer. Vai
solicitar e não cobrar, porque já há a consciência de trabalho conjunto, de
cooperação e de integração entre os órgãos. É assim que já estão sabendo,
porque os pedidos são feitos, mesmo sem o plano estar em vigor, quais são os
dados necessários, e os fornecem na sua formatação normal de despachos com o
presidente da República ou de notas internas dos ministérios.
Voltando ao texto, diríamos que a idéia a presidir a
formulação do sistema, como já disse, é a de um conjunto cooperativo, sem
qualquer outro vínculo ao órgão central que não esse canal técnico de
Inteligência.
Como já tive a oportunidade de frisar em outros foros
e mesmo pela imprensa, são poucos os serviços de Inteligência no mundo cuja lei
constitutiva tenha sido, ainda em sua fase preliminar, tão amplamente debatida
no Congresso; que tenham a indicação de seu Diretor-Geral submetida à aprovação
do Senado da República; cujos servidores de carreira sejam recrutados por
concurso público; e que sejam submetidos a tantos controles institucionais.
Com relação a esse último campo, cumpre ressaltar que
o cunho democrático impresso na lei de criação do órgão de Inteligência ficou ainda
mais marcado pelos mecanismos de controle e fiscalização estabelecidos no
âmbito dos Poderes Executivo e Legislativo.
No primeiro, o controle interno executado pela Câmara
de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDEN), que supervisiona a execução
da Política Nacional de Inteligência; e a Secretaria de Controle Interno da
Presidência da República (CISET), que supervisiona a aplicação da dotação
orçamentária. No segundo, no plano do Poder Legislativo, exercido por esta
soberana e sempre bem esclarecida Comissão Mista de Controle das Atividades de
Inteligência, sobre atos decorrentes da execução da Política Nacional de
Inteligência. E, por último, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sobre a
gestão dos recursos destinados ao órgão de Inteligência.
Gostaria, neste momento, de enfocar a Lei nº 9.883,
de 7 de dezembro de 1999, que instituiu o SISBIN e criou a ABIN, com a missão
de assessorar o presidente da República por meio da produção de conhecimentos
estratégicos sobre oportunidades, antagonismos e ameaças reais ou potenciais a
interesses do País e da sociedade.
O enunciado determina que as questões nacionais e
internacionais sejam acompanhadas pela ABIN por meio de análises sobre a
conjuntura, com o objetivo de identificar possíveis obstáculos à consecução dos
objetivos nacionais, a ordem constitucional e a segurança do País.
O art. 1º, § 1º, da referida lei estabelece que o Sistema Brasileiro de
Inteligência tem como fundamentos a preservação da soberania nacional, a defesa
do Estado Democrático de direito e a dignidade da pessoa humana, devendo,
ainda, cumprir e preservar os direitos e garantias individuais, e demais
dispositivos da Constituição Federal, os tratados, convenções, acordos e
ajustes internacionais em que o Brasil seja parte ou signatário, e a legislação
ordinária.
Conforme se verifica, já na pia batismal, recebiam o
sistema e o seu órgão central a inequívoca orientação de contribuir para a
preservação dos valores democráticos e a defesa da soberania e integridade
nacionais.
O tema da conferência pede, de forma implícita, que
ilustre minha alocução com exemplos. Em verdade, como todos aqui devem
imaginar, muitas foram as oportunidades, nesses mais de seis anos em que tenho,
entre as minhas responsabilidades, a de dirigir a Inteligência federal, de suas
reais contribuições para a defesa dos valores democráticos, da soberania e da
integridade nacionais.
Entre outros exemplos pertinentes, posso destacar:
– o acompanhamento dos movimentos separatistas;
– o acompanhamento do atendimento das reivindicações
justas dos movimentos sociais. Quero ressalvar que as encaramos como legítima
expressão dos anseios da população, inerentes à dinâmica político-social e de
grande importância para o amadurecimento institucional e o aperfeiçoamento
democrático. Da mesma forma, reconhecemos o importante papel dos movimentos
sociais relacionados às questões fundiárias como um dos impulsionadores do
processo de edificação da justiça social no campo. Algumas ações, entretanto,
podem, eventualmente, vir a representar ameaça à ordem pública, fazendo-se
necessário o seu acompanhamento, visando à antecipação de fatos e tendências,
com o intuito de assessorar os tomadores de decisões;
– o acompanhamento de temas relacionados à proteção
da população indígena e os óbices à aplicação das políticas públicas de
integração e de preservação; demarcação e gestão de áreas; saúde e educação; e
as influências estranhas a essas populações;
– o acompanhamento e a avaliação de temas sobre o
meio ambiente e a biodiversidade no País e os óbices, nacionais e
internacionais, a aplicação da política governamental para o setor;
– o acompanhamento e a avaliação de temas
relacionados às oportunidades e óbices para o desenvolvimento nacional,
particularmente nas áreas de tecnologia de ponta e de aproveitamento de
recursos naturais.
A grilagem de terras, especialmente na região
amazônica, constitui tema sensível, transformando-se em ameaça à integridade do
território e à soberania do País. Nesse sentido, a Inteligência tem procurado
identificar procedimentos ilegais e possíveis conseqüências advindas da
aquisição de terras por empresas ou entidades nacionais e estrangeiras, muitas
delas interessadas na rica biodiversidade brasileira e na exploração
clandestina de nossos recursos naturais. Ilustrativo também é o caso das
atividades de aquisição de terras em regiões de fronteira com o Paraguai, no
Mato Grosso do Sul, o que tem determinado um acompanhamento específico por
parte da Inteligência.
Importante trabalho vem sendo desenvolvido na área de
proliferação de armas de destruição em massa, em cooperação com outros órgãos
nacionais e em parceria com congêneres estrangeiros selecionados, destacando-se
a participação da Inteligência, além da obtenção de dados de interesse, também
junto a delegações atuantes em determinados foros, como o Grupo de Supridores
Específicos (NSG), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o Grupo
de Trabalho sobre Tráfico Ilícito de Materiais Nucleares e /ou Radioativos (no
âmbito do Mercosul). Nesse contexto, tem sido realizado intenso intercâmbio de
informações com outros países para viabilizar o combate ao contrabando de
insumos sensíveis e também para aperfeiçoar o controle na venda de produtos de
uso dual (civil e militar).
– o acompanhamento e a avaliação de temas
relacionados a segurança pública nos estados federados, em cooperação com o
Subsistema de Inteligência de Segurança Pública.
De especial importância na agenda do órgão de Inteligência
tem sido o trabalho voltado para a sistemática obtenção e difusão de dados do
interesse do combate ao crime transnacional organizado, sobremodo o
narcotráfico, o tráfico de armas e a “lavagem“ de dinheiro. No que concerne ao
tráfico de armas e de drogas ilegais, destaco o profícuo intercâmbio de dados
obtidos pela representação da Inteligência junto ao Centro de Operações
Antidrogas do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, repassados,
com oportunidade, a outros participantes do Sistema Nacional Antidrogas, com
destaque para a DRE/DPF e, também, ao Centro de Operações de Defesa Aerospacial
do Comando de Defesa Aerospacial Brasileiro (CODA/ComDABra /CAer/MD). Destaco,
igualmente, o apoio que foi prestado pelo órgão de Inteligência aos importantes
trabalhos desenvolvidos pela CPI do Narcotráfico. No que se refere à “lavagem“
de dinheiro, evidencio a cooperação com o Conselho de Controle de Atividades
Financeiras (COAF), onde a Inteligência conta com um conselheiro e também com
um especialista. Nesse último campo, cumpre ressaltar o apoio em investigações
na área de Foz do Iguaçu. Na área de prevenção do terrorismo, executa-se
permanente acompanhamento, visando detectar a movimentação de integrantes de
organizações terroristas internacionais e suas atividades, em interação com
serviços de Inteligência estrangeiros. Tem destaque o persistente trabalho de
monitoração de suspeitos de cooperar com organizações que, no Oriente Médio,
atuam de forma terrorista, o que nos permite asseverar que, até esta data,
inexistem efetivos indícios de envolvimento de membros das profícuas
comunidades árabe e islâmica radicadas no País com o terrorismo internacional.
O diligente trabalho de acompanhamento de suspeitos, que teve início bem antes
dos atentados de 11 de setembro de 2001, é efetuado em estreita cooperação com
serviços congêneres.
– O acompanhamento e a avaliação de conflitos externos, em
especial no que se refere a potenciais reflexos para o País.
Tem destaque, nesse contexto, o acompanhamento das
ações resultantes da aplicação do Plano Colômbia e dos seus possíveis desdobramentos
para o Brasil, o que é feito, entre outras ações, mediante a sistemática coleta
de dados e a consulta permanente a serviços de Inteligência sul-americanos, o
que inclui a realização periódica de reuniões organizadas pela ABIN, em
Brasília.
Na condição de País emergente e detentor de conhecimentos científicos e
tecnológicos (em alguns casos, de vanguarda), riquezas naturais inexploradas,
grande capacidade industrial e potencialidade econômica e comercial, o Brasil
se constitui em alvo da espionagem internacional e da biopirataria. Bastante
importante, nesse contexto, é o trabalho de implementação do chamado Programa
Nacional de Proteção ao Conhecimento (PNPC), por intermédio do qual a
Inteligência, em interação harmoniosa com órgãos públicos e mesmo empresas
privadas nacionais que custodiam ou geram conhecimentos sigilosos, efetiva ou
instrui sobre as ações necessárias a sua salvaguarda. Implementado sob a forma
de parcerias, o PNPC tem procurado aperfeiçoar procedimentos de segurança nas
áreas de pessoal, documentação, materiais, instalações e sistemas de
informações e de comunicações. A resultante é a melhoria considerável de
procedimentos com benefício para a qualidade da segurança corporativa dos
parceiros e a criação de uma mentalidade voltada para a proteção do
conhecimento sensível.
Quero destacar, ainda, o trabalho realizado pelo Centro de Pesquisa para
a Segurança das Comunicações (CEPESC/ABIN), que coloca o Brasil no reduzido
grupo de países que possuem tecnologia aplicada aos recursos criptográficos,
favorecendo a segurança na transmissão de mensagens reservadas, e a tecnologia
posta à disposição do sistema eleitoral por meio de urnas eletrônicas.
Por fim – e não menos importante – quero ressaltar o
apoio da Inteligência, com dados úteis e oportunos, aos trabalhos do chamado Gabinete de Crises, ativado e nucleado pela SAEI /GSI – PR, o qual tem
possibilitado a neutralização ou a minimização dos efeitos de crises, pela
oportuna e preventiva assinalação e acompanhamento dos fatos portadores de crises,
quando ainda em gestação.
Muitos são, enfim, os exemplos de contribuição da
Inteligência à defesa da soberania e da integridade nacionais e aos valores
democráticos que, mesmo considerando o caráter aberto deste seminário, poderia,
nesta oportunidade, mencionar.
Procurei ater-me, contudo, a alguns, mas
significativos e atuais, sobre os quais procurei discorrer de forma aberta e
coerente com o princípio da transparência
possível, o qual tenho procurado, aliás, com sucesso, inculcar nas relações da Inteligência
com os demais órgãos dos três Poderes constituídos e com a sociedade
brasileira.
O procedimento tem se mostrado eficaz, porque a exposição, longe de
fragilizar, tem fortalecido a atividade, hoje reconhecida, dentro e fora do
Governo, como um instrumento confiável e imprescindível para o exercício do
processo decisório nacional e a ação governamental, assim como pela sociedade,
como uma instituição que pode contribuir, de forma decisiva, para a salvaguarda
dos valores democráticos, da soberania e da integridade nacionais.
Para isso, estou convencido de que o rumo certo foi
balizado pelas diretrizes básicas para a criação e funcionamento da ABIN, a
saber:
– órgão de
estado, não de governo;
–
não-ideologizado;
–
apartidário;
– sob controle
externo; e
– eticamente
impedido de usar o potencial de poder do conhecimento que produz.
Dessa maneira, nada mais oportuno e pertinente que
finalizar minhas palavras lembrando a própria divisa do órgão de Inteligência
federal, produto da contribuição de seus integrantes e que, por si só, reflete
a vocação democrática e os valores que, permanentemente, balizam as suas ações:
“A Inteligência em defesa da sociedade, do Estado
Democrático de direito e dos interesses nacionais; pronta para passar pela transição governamental de forma
absolutamente aberta e transparente; pronta para receber os que venham a
assumir o serviço de Inteligência e os destinos do Sistema Brasileiro de
Inteligência; absolutamente aberta para o diálogo, para a orientação, para a
transmissão das experiências colhidas e para a consulta a todos os seus
chamados arquivos, que há muitos anos não são alimentados com dados sobre
pessoas, porque pessoas não são alvos do nosso serviço de Inteligência.”