PMDB muda com pesquisa

ILIMAR FRANCO
BRASÍLIA - O presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), disse ontem que o partido apóia o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas vai lutar para mudar a política econômica. "O PMDB tem que entender este recado: a política econômica tem que mudar porque este é o desejo da sociedade", disse Jáder, ao divulgar pesquisa do Ibope, em que 67% dos entrevistados consideram que o partido deve se empenhar para transformar a política econômica atual. "Vamos continuar apoiando o governo, sem deixar de ressaltar que o partido tem autonomia para fazer suas críticas. Está claro para nós que este é o caso da política econômica", afirmou Jáder. No dia seguinte à reunião ministerial convocada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que pediu mais unidade no governo e na base parlamentar aliada, Jáder fez questão de destacar a independência do PMDB. "Nós só temos uma incondicionalidade, com a sociedade brasileira", afirmou. Solenidade - A divulgação da pesquisa foi feita de forma solene, num dos salões do Hotel Nacional, com a presença de parlamentares do partido, do ex-presidente da República José Sarney, do ex-governador Orestes Quércia, do governador Joaquim Roriz (DF), do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), dos ministros Eliseu Padilha, dos Transportes, Renan Calheiros, da Justiça, e Ovídeo de Angelis, das Políticas Regionais. Os dados apontam que 45% dos entrevistados aprovam o apoio do PMDB ao governo, 20% consideram que o PMDB é o partido que mais ajuda o presidente Fernando Henrique Cardoso, 49% aprovam a presença do partido no ministério e, contraditoriamente, 50% apóiam os pemedebistas que fazem oposição ao governo. A pesquisa, que ouviu 2 mil pessoas de 1° a 5 de maio, revela uma visão amplamente favorável ao PT e indica que há uma percepção clara do comportamento ambíguo do PMDB, considerado corrupto por 20% dos entrevistados. O partido apóia integralmente o governo para 20% das pessoas, apóia parcialmente para 27%, faz um pouco de oposição para 16% e faz total oposição para 9%. O presidente do PMDB estava exultante com o resultado do levantamento, que apontou o PMDB como o partido mais influente do país (31%). "Temos que festejar o fato de sermos o partido mais influente do Brasil, certamente não junto ao governo, mas na sociedade", disse Jáder, ao anunciar que desde já a legenda está empenhada em construir a melhor candidatura para as eleições à Presidência da República em 2002. Democracia - A pesquisa foi apresentada pelo professor Nei Lima Figueiredo, que chamou a atenção para o fato surpreendente de que 44% dos ouvidos não consideram que vivem numa democracia. "Essa percepção deve ser decorrência do excesso de uso das medidas provisórias pelos governos e pela existência de um enorme desigualdade social no país", comentou o deputado Michel Temer. O partido estava particularmente satisfeito com o apoio de 81% dos entrevistados à criação da CPI dos Bancos, que foi instalada no Senado por sua iniciativa. Com base na expectativa da população em relação ao partido, Jáder disse que o PMDB deverá mudar sua atuação e encampar a luta pelos mais pobres, ficar atento aos interesses da classe média e afinado com os sindicatos de trabalhadores e associações profissionais. Mesmo cinco anos após sua morte, o deputado Ulysses Guimarães continua sendo a maior referência do PMDB (9%). Por isso, Jáder propôs mudar o nome da Fundação Pedroso Horta, de estudos teóricos, para Fundação Ulysses Guimarães.