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Canavial

Operações no canavial brasileiro aumentam o número de libertados

No período entre 1995 e 2002, somente em dez estados – seis deles na região Norte – foram libertados trabalhadores. Já no período entre 2003 e 2009, 24 estados (exceção feita ao Amapá, à Paraíba e ao Distrito Federal) registraram a libertação de pessoas.

Para Xavier Plassat, “o surgimento de novos estados nos registros nacionais de trabalho escravo deve ser interpretado dentro do contexto de ‘descobrimento’ que ainda está sendo feito quanto à realidade atual do trabalho escravo no Brasil – com modalidades que vão desde as condições degradantes até o aprisionamento puro e simples. Na realidade, poderia se dizer que, aonde chega o holofote da fiscalização, aí se descobre a prática do trabalho degradante que caracteriza boa parte das lavouras brasileiras, de norte a sul”.

Os números apresentaram uma nova realidade em Goiás, Bahia, ‘Tocantins e Mato Grosso do Sul, que estão entre os seis primeiros colocados, ganhando entre três e 12 posições em relação ao ranking anterior. Também ganharam posições o Rio de Janeiro (+13 posições), Pernambuco (+10), Paraná (+8) e Espírito Santo (+2).

A explicação para esse crescimento, segundo Plassat, são as operações no canavial brasileiro, que registraram a maior proporção de libertados por operação.

Plassat alerta ainda para o risco de interpretar as mudanças geográficas como um deslocamento do trabalho escravo para a região Sudeste. Ele atribui esse crescimento à sistematização e ao aumento da fiscalização nos canaviais do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste e à subfiscalização na região Norte e nos estados do Maranhão e de Mato Grosso, tradicionais líderes do ranking por concentrarem a principal área de expansão da fronteira agrícola.

De acordo com a Pastoral da Terra, na região Norte, 52% dos casos denunciados no período 1995-2009 deixaram de ser fiscalizados. Esse percentual é de 37% no Nordeste, 22% no Centro-Oeste, 8% no Sudeste, 0% no Sul, perfazendo uma média nacional de 44%.

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