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Voos comerciais não têm acidentes há dois anos

Depois de 2006 e 2007, quando ocorreram os acidentes aéreos da Gol e da TAM - os piores da história da aviação civil brasileira -, os dois anos seguintes não apresentaram registro de acidentes com perda total da aeronave. Estatísticas dos voos comerciais, no entanto, não se repetem nos voos esporádicos e de aviões pequenos

Em 2008 e 2009, índice de acidentes com perda total da aeronave envolvendo as companhias aéreas nacionais foi de zero em cada milhão de decolagens. A aviação geral, porém, ainda tem o que melhorar

Se 2006 e 2007, quando um avião da Gol e outro da TAM caíram causando a morte de todas as pessoas a bordo, foram anos para serem esquecidos pela aviação comercial, 2008 e 2009 passaram sem percalços.

Nesses dois anos, os índices brasileiros de acidentes com aviões de transporte aéreo regular estão entre os menores do mundo (é importante lembrar que o acidente com o voo da Air France em junho de 2009, entre o Rio de Janeiro e Paris, não é contabilizado nas estatísticas nacionais pelo fato de a aeronave ser francesa e a queda ter acontecido em águas internacionais). Os dados foram apresentados no debate na CDR, que tinha na segurança de voo um dos seus principais temas.

“Mesmo com o aumento da frota, o número de acidentes aeronáuticos diminuiu. A média do mundo é de 0,71 acidentes de perda total de casco por milhão de decolagens. Já no Brasil o índice de acidentes no transporte aéreo regular com perda total foi zero em 2008 e em 2009. Só a Ásia tem essas taxas”, afirma Ronaldo Jenkins, diretor-técnico e especialista em Segurança Aérea do Snea, que apresentou dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

Os números da aviação comercial regular, porém, não se repetem para todo o setor de transporte aéreo no Brasil. A aviação geral, que inclui voos esporádicos e de aviões pequenos, ainda registra muitos acidentes. Nesse sentido, o senador Roberto Cavalcanti lembrou a meta da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci, órgão ligado à ONU do qual o Brasil é membro), para que todas as regiões do mundo mantenham um índice de acidentes, no máximo, abaixo do dobro da média mundial.

Um dos fatores que pode contribuir para a ocorrência de acidentes na aviação civil é a infraestrutura ainda precária em diversos locais. “A infraestrutura aeroportuária muitas vezes é inadequada, principalmente no que tange às condições de segurança operacional e de prevenção contra atos de interferências ilícitas”, constata Fernando Soares, diretor do Departamento de Política de Aviação Civil do Ministério da Defesa.

Segundo o senador Jeferson Praia esse problema é “seriíssimo” nos aeroportos do Amazonas, muitos deles em más condições e até sem asfalto. Outro problema grave é a frequência de acidentes entre aves e aviões. Um projeto no Senado procura evitar que aves sejam atraídas para áreas próximas de aeroportos.