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Infraero defende terminais provisórios como solução para a Copa

Nos 16 aeroportos das 12 cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo, Infraero prevê como solução a instalação de terminais provisórios. De acordo com a estatal, estruturas são usadas como saída emergencial em aeroportos cujos terminais de passageiros estão saturados e que aguardam obras definitivas

Diante das urgências na adequação da infraestrutura aeroportuária para atender às demandas da Copa do Mundo de Futebol em 2014, a Infraero já estuda a implantação dos chamados módulos operacionais provisórios (MOPs) em 16 aeroportos em cidades que sediarão jogos do evento esportivo.

Os MOPs foram adotados pela primeira vez em 2004, em Lisboa, que adaptou seu principal aeroporto para a Eurocopa realizada em Portugal naquele ano. As estruturas oferecem facilidades disponíveis em um aeroporto: salões de embarque e desembarque, posições de check-in, esteiras de bagagem, portões de embarque e pontos de inspeção por raios X, sanitários e até áreas para lojas e restaurantes. Os padrões de segurança exigidos devem ser garantidos, assim como o isolamento térmico e acústico.

Os módulos custam R$ 2,5 mil o metro quadrado e podem ser construídos em apenas nove meses. Para isso, utilizam materiais como tendas apoiadas em estruturas metálicas e até partes infláveis.

Para os aeroportos cujos terminais de passageiros estão saturados em momentos de pico, e onde são necessárias soluções emergenciais, os MOPs, de acordo com a Infraero, se apresentam como a melhor opção, também pela economia de tempo na licitação, já que, pelo seu valor, podem ser contratados por meio de pregão eletrônico.

Outra vantagem é que, caso obras definitivas sejam executadas, os módulos podem ser reaproveitados em outros aeroportos. Os MOPs a serem instalados, de acordo com critérios da Infraero, têm que ser completamente desmontáveis e removíveis.

O aeroporto de Florianópolis foi o primeiro a receber um MOP, em abril de 2009. Segundo a Infraero, os passageiros aprovaram a solução, que ampliou em mil metros quadrados as salas de embarque e desembarque do aeroporto.

“A satisfação das pessoas diante do conforto proporcionado pelo módulo operacional é muito positiva”, declarou a superintendente do aeroporto de Florianópolis, Maria Edwirges Madeira, à imprensa da Infraero.

A estatal anuncia que três aeroportos já devem receber MOPs a partir deste ano. O primeiro deles deve ser implantado no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), ao custo de R$ 5 milhões, com início das obras em setembro e entrega prevista ainda para este ano.

Para o aeroporto de Brasília está previsto um MOP de R$ 4 milhões, a ser instalado entre agosto de 2012 e junho de 2013. Para o aeroporto de Guarulhos (SP), planejam-se dois MOPs, um de R$ 32,5 milhões e outro de R$ 23,2 milhões. O primeiro entraria em operação já em dezembro de 2011 e o segundo, em abril de 2013, a tempo de atender ao movimento da Copa das Confederações, realizada pela Fifa no ano anterior à Copa do Mundo.

“Os módulos operacionais que a Infraero criou absorverão o excesso de demanda, até que as obras estejam prontas. A capacidade do aeroporto de Brasília, que, ao término de 2014, seria de 18 milhões de passageiros, com os módulos operacionais vai ser maior para poder absorver o excesso de demanda previsto”, disse o diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Ronaldo Jenkins, no debate na CDR.

A Infraero também tem estudos para a instalação de MOPs em Goiânia, Vitória, Cuiabá, Macapá, Teresina, Ilhéus (BA), Imperatriz (MA), Juazeiro do Norte (CE) e São José dos Campos (SP).

“Puxadinhos”

Uma restrição ao uso dos MOPs foi feita pelo presidente da Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados, deputado Milton Monti (PR-SP). Ele teme que as estruturas se tornem definitivas.

“Os recursos serão da ordem de R$ 115 milhões e, devido à vida curta dos MOPs, essas instalações não representarão uma parte do expressivo legado que os investimentos para a Copa de 2014 deixarão para a infraestrutura de transportes do Brasil”, afirmou o deputado.

O diretor-financeiro da Infraero, Mauro Roberto de Lima, refutou as críticas de que os módulos seriam “puxadinhos”, sem estrutura adequada para os usuários. Segundo ele, os módulos possuem conforto e mobiliário de uma sala de embarque permanente. “Eles são utilizados em todo o mundo como solução barata para aguardar a conclusão de obras de ampliação”, defendeu.

Além de Lisboa – cujo aeroporto contou com um módulo temporário de 8 mil metros quadrados que duplicou a sua capacidade –, também a África do Sul instalou MOPs em três cidades que receberam jogos da Copa do Mundo de 2010: Cidade do Cabo, Port Elizabeth e Bloem-fontein. O aeroporto de Doha, no Catar, também adotou a solução de terminal temporário durante os Jogos Asiáticos de 2006.

Outros aeroportos internacionais que, por diferentes razões, já empregaram MOPs são: Bruxelas, na Bélgica; Dublin, na Irlanda; Munique, na Alemanha; Pequim, na China; Mumbai, na Índia; Colônia-Bonn, na Alemanha; e Seattle, nos Estados Unidos.