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Violência no trânsito: número de vítimas e mortes de motociclistas em acidentes com a frota de motocicletas é problema de saúde para o Brasil

Desde 2010, os motociclistas já formam a maior parcela das vítimas da violência no trânsito, um peso para a economia e o futuro do Brasil

Entre 1998 e 2010, a frota nacional de motocicletas cresceu 491,1%.
Mas as mortes de motociclistas aumentaramem ritmo ainda mais elevado: 610% (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O desempenho da economia brasileira, a partir da década passada, permitiu o acesso da população a bens e serviços que antes não podia alcançar. A renda média subiu, a desigualdade diminuiu e, como resultado, cresceu o consumo, por exemplo, de eletrodomésticos, veículos, planos de saúde e passagens aéreas.

Essa é a parte boa da história. A outra é que o acesso de grandes contingentes ao mercado consumidor revelou que, em muitos setores, não houve preparação para receber a nova demanda. Tumultos nos aeroportos, falta de vagas em hospitais privados e engarrafamentos de trânsito que batem sucessivos recordes nas maiores cidades são demonstrações cotidianas desse descompasso entre consumo e infraestrutura.

Porém, há um problema ainda mais grave registrado nas últimas décadas que, além de trazer transtornos, está matando milhares de brasileiros, principal mente jovens: acidentes de trânsito envolvendo motocicletas, número que aumenta ano a ano. Projeções apontam que 15,1 mil motociclistas devem morrer no Brasil em 2012. Hoje, ninguém morre mais no trânsito que os motociclistas e seus caronas.

O cresci­mento do nú­­­­mero de ­mortes, ­principalmente de homens (três quartos dos mortos são do sexo masculino) entre 20 e 39 anos de idade (62% dos mortos estão nessa faixa etária), no auge de sua força produtiva, é muito superior ao de motocicletas na frota nacional de veículos, que não é pequeno.

A Organização das Nações Unidas (ONU), no lançamento da Década Mundial de Ação pela Segurança Viária: 2011-2020 (leia mais na pág. 54), reiterou que a palavra acidente não é a melhor para definir acontecimentos no trânsito que fazem mortos e feridos. Esses eventos são, por essa visão, episódios de violência, já que acidente é algo imprevisto, inevitável. “A maioria das ocorrências ocorre por causas bem previsíveis. O trânsito nos coloca o tempo todo em contato com outras pessoas à nossa volta e isso não precisa ser um conflito permanente”, afirma o especialista em trânsito Eduardo Biavati.

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