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Pronto-socorro sem atendimento psiquiátrico

A baixa capacitação dos profissionais envolvidos no tratamento de dependentes químicos, que precisam inclusive de um bom atendimento psiquiátrico, no Brasil é outra dificuldade para que seja oferecido tratamento efetivo. De acordo com Roberto Kinoshita, coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, o problema tem raiz nas universidades.

“A questão da emergência na área de saúde mental, álcool e drogas não é importante, porque academicamente não dá publicação. Então, ninguém se dedica a isso. Nem os Estados Unidos têm experts nessa área”, afirma.

Kinoshita informa ainda que “o Brasil tem em torno de 30 vezes menos psiquiatras do que um país rico e 20 vezes menos que na Itália. Temos 15 vezes menos psiquiatras que a Argentina. É muita diferença. Não teremos nas próximas décadas psiquiatras suficientes para que possamos pensar da mesma forma que nesses países. Ou seja, vamos ter que pensar em outras formas de abordagem que não dependam da formação de profissionais especializados no atendimento psiquiátrico ou não atingiremos nossas metas”.

O senador Wellington Dias (PT-PI) faz eco aos especialistas. “Ouvimos do Ministério da Saúde, do Conselho Federal de Medicina, das comunidades terapêuticas, dos representantes da área de psiquiatria e de outros segmentos, uma queixa comum: a de que não há profissionais qualificados na área da saúde para tratar desse tema. Não temos, nos prontos-socorros, condição de atendimento para esse tipo de questão e o pronto-socorro é o lugar onde mais se procura atendimento”.


Wellington Dias cobra do governo mais especialistas em dependência química para a rede pública de saúde. Foto: Lia de Paula

Respondendo ao senador, Kinoshita afirma que o governo está ciente desses problemas que acontecem em um pronto-socorro. “De fato, os prontos-socorros, na sua grande maioria, não estão preparados para atender, nem mesmo os alcoólicos. Uma boa parte dos clínicos não sabe atender bem essa doença rotineira, corriqueira”.

Kinoshita avalia ainda que o treinamento dado aos profissionais de um pronto-socorro se perde em pouco tempo, em razão da sua mobilidade. “Passados seis meses, um ano, aquele treinamento perde a eficácia. É necessária educação permanente”, diz.

Esdras Cabus Moreira, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Centro de Estudos e Terapias do Abuso de Drogas, da Bahia, também aponta que a capacitação dos profissionais de um pronto-socorro não traz resultados por conta da dispersão das equipes, em razão da falta de recursos.

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