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Dados desatualizados sobre o problema das drogas

Apesar desse quadro alarmante, a subcomissão do Senado, até o início de agosto, ainda não dispunha de dados precisos sobre o consumo da droga. Apenas dois levantamentos abrangendo toda a população brasileira foram feitos até hoje; o último deles há mais de seis.

Esses dados, apesar de ­demonstrarem tendências, devem estar longe de retratar com fidelidade o quadro atual, especialmente com a disponibilidade cada vez maior, nos últimos anos, do crack, uma droga ­relativamente nova.

“Precisamos de uma fotografia real, para não corrermos o risco de continuarmos discutindo no emocional. É preciso ter a dimensão exata para saber onde investir e fortalecer ações do governo”, declarou Paulina Duarte, responsável pela divulgação das informações no Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) do ­Ministério da Justiça.

No mesmo tom, o psiquiatra Esdras Cabus Moreira, também ouvido pela subcomissão do Senado, disse que é preciso ter dados para evitar entrar “por um caminho que corresponda mais a uma percepção desvirtuada e sem bases estatísticas, criando uma situação que, ao invés de melhorar, cause mais distorções e mais sofrimento às pessoas que utilizam essas substâncias”.

Paulina chegou a anunciar no Senado, em 14 de abril, que, em duas semanas, estaria sendo finalizada a maior pesquisa mundial sobre o crack. Promovida pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a Universidade de Princeton (EUA), abrangeria 25 mil pessoas, nas cidades e na zona rural.

A pesquisa contou com investimentos de R$ 7 milhões do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas. Porém, quatro meses depois,  os dados ainda não haviam sido trazidos a público.

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital Corrêa Lima, no entanto, já adiantou que o estudo em elaboração no Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra que 1,2% da população já teve contato com o crack.

Corrêa Lima apresentou outra projeção, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mais conservadora, pela qual haveria 1,2 milhão de usuários de crack e que a idade média para início do uso seria de 13 anos.

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