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Consumo feminino de drogas

Todos os estudos sobre drogas analisados têm um aspecto em comum: o uso de crack, cocaína e álcool, entre outras substâncias, é muito superior entre os homens. O consumo feminino de drogas é menor. Pesquisadores apontam que, para o sexo masculino, o consumo de drogas é um fator de interação e afirmação social.

De acordo com o psiquiatra Aloísio Antônio Andrade de Freitas, presidente do Conselho de Políticas sobre Drogas do estado de Minas Gerais, as mulheres têm mais reações negativas quando usam substâncias como cocaína e álcool, ficam deprimidas, passam mal ou ficam com sono.


Usuária de drogas grávida pode ter aborto espontâneo, parto prematuro e malformações, inclusive neurológicas, do feto. Foto: Secom-MT

Essa intolerância é considerada um fator de proteção natural. “Daí o número de mulheres usuárias, proporcionalmente, ser significativamente menor que o de homens”, analisa.


Aloísio Freitas, do Conselho de Políticas sobre Drogas de Minas Gerais: mulheres têm reações mais negativas ao uso de drogas. Foto: J. Freitas

Ainda assim, os especialistas não subestimam o consumo feminino de drogas. Relativamente, as mulheres procuram mais tranquilizantes e remédios controladores da ansiedade, como as anfetaminas (inibidores de apetite). Diferentemente dos homens, estudos demonstram que o consumo feminino de drogas ocorre com o objetivo de diminuir sua insatisfação com a vida que levam.

Quando a mulher se torna dependente química, porém, Freitas identifica que o tratamento, em geral, é mais difícil que o do homem, “porque os mecanismos de proteção foram vencidos e não funcionaram”.

O médico Carlos Alberto Salgado, que cuidou de uma unidade para dependentes químicos do Hospital Presidente Vargas, de Porto Alegre, uma das cidades com maior registro de usuários de crack do país, informou que lá o consumo feminino da droga aumentou a ponto de ser necessário designar leitos exclusivos para mulheres grávidas dependentes.

A prioridade se explica porque, além dos riscos à saúde registrados pelo usuário comum, o consumo feminino gestacional pode ser abortivo de maneira espontâneo. Pode resultar, também, em parto prematuro e malformações, inclusive neurológicas, do feto.

Já o senador Wellington Dias relata que traficantes presos revelaram a ele, em Alvorada do Gurguéia (PI), que o objetivo é aumentar o consumo feminino de crack, porque, dependentes, elas se transformam em “uma arma para aumentar a rede de clientes”. “Eles organizavam festas, elas participavam e, pela necessidade, ofereciam o corpo em troca de o parceiro experimentar uma droga que rapidamente vicia”, narrou o senador.

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