|. HOME .| -->

Alarmismo em relação ao crack só atrapalha, opinam especialistas

Enquanto a percepção do aumento do consumo de crack está estampada na imprensa, médicos que compareceram à subcomissão do Senado ponderaram que o alarmismo diante do crescimento do uso da droga não é necessário. Mais que isso, com base em dados sobre o consumo do crack em outros países, eles sugerem que pode haver estabilização do número de usuários no Brasil.

O psiquiatra Esdras Cabus Moreira citou estudo da Universidade Johns Hopkins (EUA) mostrando que as curvas de uso de crack e cocaína nos Estados Unidos vêm declinando, com tendência a se estabilizar, mesmo sem que se tivesse encontrado uma estratégia eficaz de prevenção ou de tratamento. Sendo assim, não seria preciso um alarmismo brasileiro sobre esse assunto.

Também os médicos Roberto Kinoshita e Carlos Alberto Salgado repetiram à subcomissão que um alarmismo com relação ao crack pode prejudicar a concepção de políticas públicas para combater a droga e, principalmente, tratar a dependência química de uma forma geral.

Medidas adequadas

Como exemplo do mal que o alarmismo pode fazer, Esdras citou a lei aprovada pelo Congresso americano durante a expansão do crack no país. Lá, os parlamentares foram informados que a droga era mais danosa e trazia mais violência e crime que a cocaína e, então, endureceram as leis para punir usuários. A partir daí, se uma pessoa fosse flagrada com 5 g de crack e outra com 500 g de cocaína, as duas, apesar de o princípio ativo ser o mesmo, ficariam sujeitas a sentença semelhante. O alarmismo americano tinha criado um forte desequilíbrio.

“Isso gerou crescimento enorme de pessoas presas no sistema penal americano e gerou disparidade racial grande nas prisões. Pelo alarde da mídia, pensava-se que o crack tinha relação grande com a violência. Mas as estatísticas de crime de violência de crack e cocaína não mostravam diferenças tão grandes que justificassem que o porte de 100 g de cocaína e de 1 g de crack levassem à mesma pena”, analisou Esdras.

Roberto Kinoshita acha que apenas com evidências científicas os agentes públicos terão a firmeza necessária para dimensionar e enfrentar a questão com medidas apropriadas. Para ele, é importante “não minimizar, mas sem alarmismo que possa gerar pânico e medo”.

“Uma sociedade que vive com medo, insegurança, sentimento de impotência, corre risco. Acuada, tende a abdicar de direitos por soluções de força, de menos civilidade. Esse talvez seja o maior risco que esse fenômeno traz”, analisa Kinoshita.

Comentários

puniçao para traficantes

deveria ser usado como puniçao aos traficantes de crack e cocaina faze-los consumir a droga apreendida com eles, assim eles provariam do proprio veneno

11/09/2012 18:57:47, emerson lebed
Faça seu comentário