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Sucateamento das Forças Armadas é preocupante

Durante os anos 1990, o país não investiu na formação de Forças Armadas mais modernas e bem equipadas e tampouco procurou se adaptar às transformações no cenário estratégico militar do pós-Guerra Fria. O resultado desse virtual descaso do Estado brasileiro com sua própria segurança ficou explícito em reportagem da Folha de S.Paulo em março de 2011. A publicação causou preocupação na opinião pública e trouxe para o centro da agenda política o debate em torno da defesa nacional. Com base em um levantamento provisório elaborado pelo próprio governo, o jornal expôs o alto grau de sucateamento vivido pelas Forças Armadas: metade dos principais armamentos do país, como blindados, aviões e navios, estaria indisponível para uso.


Defesa aérea e interceptação na FAB estão a cargo dos esquadrões
de caças Northrop F-5 Tiger II (Foto: Sgt Batista/FAB)

“Há quanto tempo estamos desenvolvendo o projeto do novo caça da Força Aérea, o AMX? Há mais de uma década. E o submarino nuclear? Há mais de 40 anos. A Índia começou depois de nós e terminou o submarino nuclear antes. Houve uma época em que o submarino nuclear continuou, porque a Marinha usava recursos próprios. E os blindados do Exército? Os nossos carros de infantaria blindada têm mais de 40 anos. O Guarani é infantaria blindada sobre roda, mecanizada. O nosso fuzil é de 60 anos”, relata o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme) e mestre em Aplicações Militares na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e Pós-Graduação. 

Além da carência de equipamentos, a reportagem identificou outros dois problemas que precisam ser enfrentados pelo setor de defesa: a alta proporção de oficiais-generais nas Forças Armadas (um para cada 971 homens, contra 1.400 nos Estados Unidos, por exemplo) e as distorções na distribuição de tropas no território nacional.

O documento no qual se baseou o jornal é um esboço do que será chamado de Livro Branco de Defesa Nacional, obra que vai nortear os planos do setor para as próximas décadas, bem como contrastar a adequação da estrutura de defesa hoje existente aos ­objetivos traçados pelo poder público para o setor.


Curto, médio e longo prazos

Reaparelhar as Forças Armadas é uma das prioridades da Estratégia Nacional de Defesa. Como parte dela, o Ministério da Defesa criou, no final do ano passado, grupo de trabalho para planejar o aparelhamento das Forças Armadas até 2031. Pela portaria publicada em 20 de dezembro, a elaboração do Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa (Paed) deverá analisar pesquisa, desenvolvimento, manutenção operativa, recuperação da capacidade operacional, harmonização de projetos, preferência de aquisição de produtos de defesa no Brasil e transferência de tecnologia, quando a aquisição ocorrer no exterior.

O plano vai observar uma projeção de curto prazo (até 2015), de médio prazo (de 2016 a 2023) e de longo prazo (2024 a 2031) e precisa ser apresentado ao ministro da Defesa, Celso Amorim, até 31 de maio. São números gigantescos. O Exército, por exemplo, imagina investimentos de R$ 149,1 bilhões até o final, quando terá um efetivo reforçado em 59 mil homens e mulheres. A Marinha, que ambiciona contar com pelo menos seis submarinos nucleares para proteger nossas águas, projeta R$ 223 bilhões em recursos. A Força Aérea, ainda às voltas com a definição sobre os novos caças, estima que precisará de R$ 131,8 bilhões para concretizar todos os seus planos.

No Senado, o trabalho de recuperação da capacidade militar do país tem merecido atenção permanente. No âmbito da CRE, foi criada, ainda em 2007, a Subcomissão Permanente de Modernização e Reaparelhamento das Forças Armadas, presidida por Luiz Henrique (PMDB-SC) e composta por outros nove membros. Em agosto passado, ao retomar os trabalhos da subcomissão, o senador propôs ouvir o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e os chefes das três armas, para obter um diagnóstico sobre o processo de reaparelhamento.


Subcomissão presidida pelo senador Luiz Henrique faz
diagnóstico para ajudar no reaparelhamento das Forças Armadas
(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Comentários

Forças Armadas.

Nosso país esta nessa situação com relação a nossas forças armadas entre outros setores, porque pessoas como o "senador" Collor que roubou nosso país debaixo de nossos olhos e fugiu para o exterior, onde guarda o nosso dinheiro até hoje, com juros. Pessoas como ele ainda fazem parte de alguma discussão ou cargo do nosso governo, absurdo! Collor ou luiz henrique com interesse em nossas forças armadas...piada. Desvio de verba vai bater o recorde...!

10/05/2013 21:09:40, diego francisconi
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