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Brasil busca nova imagem

Ex-embaixador nos EUA diz que relações com superpotência vão se modificar gradualmente, mas
caminho para chegar a esse patamar será longo


Obama com Dilma Rousseff, no Planalto: EUA podem ter interesse em dar tratamento diferenciado ao Brasil (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Segundo estudos divulgados no ano passado pelo National Intelligence Council, de ­Washington, em 2025 “o Brasil será uma potência econômica global, na qualidade de uma das cinco maiores economias em termos de PIB”. Um dos mais influentes diplomatas de sua geração, Rubens Barbosa, embaixador em Washington de 1999 a 2004, afirmou, em artigo na revista ­Interesse Nacional, que “a emergência do Brasil como potência econômica global até 2025” colocará novos desafios para a política externa e para a política comercial com os EUA, na busca por uma parceria cada vez mais forte.

“Reconhecido como uma potência regional e um país com peso econômico global e com importante papel em alguns dos principais temas da agenda internacional (...), a percepção [norte-americana] sobre o Brasil deverá modificar-se gradualmente”, prevê o ex-embaixador.

Segundo Barbosa, o caminho até lá será longo, pois o país segue, em larga medida, “desconhecido dos norte-americanos em geral e dos centros de decisão de Washington”. Como reforçou, à exceção dos diretamente ligados aos assuntos continentais, pouco ou nada se sabe sobre a realidade, os objetivos e a importância do Brasil para os interesses dos EUA.


Rubens Barbosa, ex-embaixador em
Washington: emergência do Brasil coloca
novos desafios à política externa
(Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)


Força moderadora

No artigo, de julho de 2011, o diplomata não prognostica ­mudanças importantes no que diz respeito aos pontos centrais nas relações bilaterais, que continuarão a ser comércio e investimentos, “com crescentes convergências de interesses na região (estabilidade econômica e social, democracia e segurança ­regional)”.

“Por todas essas razões, será de interesse de Washington atribuir tratamento diferenciado ao Brasil no contexto latino-americano. Essa diferenciação poderá levar, no médio prazo, a uma nova atitude, mais realista e menos estereotipada. É possível antecipar que o descolamento do Brasil do resto da América Latina deverá acarretar a inclusão de nosso país em novas parcerias empresariais globais com os EUA e com outros países dentro e fora da região”, avalia o ex-embaixador Rubens Barbosa.

O deslocamento brasileiro do restante de seus vizinhos latino-americanos, porém, será, segundo Barbosa, apenas relativo, pois os Estados Unidos veem em nosso país “uma força moderadora e de estabilidade numa região que atravessa um período de mudança com a emergência da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), crítica dos EUA”.

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