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Espera e dificuldade

"Apesar de casado e com dois filhos biológicos, que amo muito, o desejo de adotar jamais acabou. Há mais de dois anos, comecei a traçar metas para a realização. Procuramos a vara de Infância da nossa cidade. Depois de colecionarmos a farta documentação exigida, que é exagerada, demos entrada no processo, em 30 de novembro de 2011. Foi quando ­começou nosso calvário.

Em março de 2012, uma assistente social veio para uma avaliação. Depois de quase quatro horas de conversa, sentimos que ela não aprovava a nossa casa pelo fato de o imóvel possuir dois quartos e 'não ter um exclusivo para a criança, já que a menina que queremos não poderia dividir o quarto com os irmãos, nem seria aconselhável permanecer conosco'. Mesmo assim, não nos deixamos abalar.

Em abril, participamos de palestra sobre adoção e iniciamos uma série de audiências com a psicóloga. O laudo foi entregue mais de 30 dias depois da última sessão. Em julho, o juiz deferiu o pedido, mas somente quase quatro meses depois tivemos conhecimento da sentença. À época, não recebemos nenhuma informação sobre se fomos ou não inseridos no Cadastro Nacional de Adoção. Fomos orientados a não criarmos expectativas, pois a adoção demoraria 'pelo menos cinco anos'.

O sistema está extremamente falho. Enquanto a imprensa alardeia que não há habilitados à adoção, não fala que pessoas realmente interessadas e dispostas a dedicar amor e doação são barradas pelos entraves burocráticos. Não se diz que inúmeras crianças são lançadas em abrigos, em alguns casos nos primeiros dias de vida, abandonadas ou vítimas de maus-tratos, enquanto se passam cinco, seis, sete anos na tentativa de 'consertar' os pais que as colocaram nessa situação. Há uma enorme dificuldade de pretendentes à adoção em ter contato com crianças abrigadas."

Joaquim Fernandes, Natal (RN)

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