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Biológicos ou adotivos, os filhos precisam, às vezes, de cuidados especiais

Felipe, Regina, Edmar e Pedro: os rapazes, completamente recuperados,
levam hoje uma vida normal (Foto: Lia de Paula/Agência Senado)

Quem disse que a adoção de uma criança doente só trará dor de cabeça? Para Regina e Edmar, casal de empresários de Brasília, esse é só mais um preconceito. Eles se inscreveram na vara de Infância há 23 anos e surpreenderam-se quando, pouco depois, foram chamados pela assistente social para conhecer um bebê recém-nascido. A rapidez logo se explicou: o bebê, internado há 40 dias, estava muito debilitado. Regina e Edmar lembram que, inexperientes, ficaram assustados com o fato de ele não esboçar qualquer reação, nem sequer piscava.

Mesmo assim, os dois não titubearam: assumiram a guarda da criança, levaram-na para casa e, consultada uma pediatra, foram alertados de que o neném estava com uma dupla pneumonia, acrescida de desidratação e desnutrição de segundo graus. Pensando no bem-estar do bebê, o casal decidiu tratá-lo em casa. Contrataram uma enfermeira, deram-lhe carinho e atenção permanentes e Pedro Henrique logo se recuperou.

Três meses depois, a pediatra solicitou a ajuda do casal para encontrar uma família para um bebê prematuro de 26 semanas, com apenas 850g, há dois meses na incubadora, onde havia sofrido duas paradas ­cardiorrespiratórias. O serviço social não conseguia encontrar uma família para o Pedro Felipe, especialmente quando os candidatos eram informados de que ele poderia vir a ter problemas visuais em razão do longo tempo de exposição à luz na incubadora. Mais uma vez, eles não pensaram duas vezes: chamaram o novo filho de Luiz Felipe.

Final da história? Regina e Edmar exibem com orgulho os dois rapagões, hoje com 23 anos, amorosos e unidos: Felipe é estudante de arquitetura, músico e compositor, e começa a pensar numa carreira artística. Já Pedro estuda veterinária e trabalha como corretor de imóveis e tem saúde perfeita.

Para Regina, o segredo para lidar com os “filhos do coração” é falar clara e objetivamente sobre isso desde a primeira infância, sem rodeios ou subterfúgios. “Mesmo na escola os meninos tiveram problemas, porque as pessoas ainda hoje estranham. Já respondi a perguntas estúpidas de outras mães: ‘Mas eles não são rebeldes? Você consegue que eles te obedeçam? Você os castiga?’ Ora, que perguntas são essas? Eles se comportaram e foram tratados igualzinho às demais crianças e adolescentes na idade deles”.

Regina lembra ainda que eles foram consultados sobre ficar com uma menina de 3 anos devolvida pela mãe adotiva porque era muito “desobediente e bagunceira”. “Fiquei arrasada quando soube da cena no Juizado de Menores: a menina, agarrada à saia da mãe, prometendo não pegar de novo a boneca da irmã para que a mãe não a deixasse”, relembra. Outro casal acabou por adotá-la, mas Regina diz que não teria nenhum problema em adotar uma criança mais velha. “Tudo o que você tem que fazer é ajustar suas expectativas, é não ter expectativas. Ele ou ela não tem que ir direto para a escola particular, não tem que mudar tudo, ‘virar uma chave’. Temos de respeitar as suas poucas experiências de vida. É lidar com a situação de forma clara, aberta e, acima de tudo, ­paciente e amorosa.

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