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Racismo na adoção é mito nacional

“Verifica-se que a cor ou raça de uma criança, em âmbito nacional, não é um fator que obsta ou dificulta a adoção, uma vez que a proporção de todas as raças no universo de crianças aptas à adoção é menor que o percentual de pretendentes inscritos no CNA dispostos a adotar um indivíduo dessas raças”, diz o relatório Encontros e Desencontros da Adoção no Brasil, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça com base em informações do cadastro.

Os dados reforçam a afirmação de Fabiana Gadelha, do grupo de apoio à adoção Aconchego (DF), para quem a preferência por crianças brancas é apenas um dos muitos “mitos” que cercam a questão. Como a maioria das pessoas que procura adoção é branca, explica a advogada, é natural que busquem alguém parecido para não ter que ficar explicando.

“Não é só uma questão de preconceito. Falo isso porque tenho um filho negro. Já sofri alguns constrangimentos no dia a dia e não fui eu que constrangi meu filho, foram outras pessoas. Se for uma criança branca com um pai branco, não tem esse problema, não é?”, disse ela aos senadores.

Senador Paulo Paim avalia que, como
a maioria dos adotantes é branca, a
tendência natural é procurarem crianças
brancas (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

“A pobreza tem cor no Brasil: é preta. Então, a tendência dos casais adotantes, cuja maioria é branca, é procurar crianças brancas, e não crianças negras. Isso é fato, é real”, complementou o ­senador Paulo Paim.

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