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Os motivos para a perda do poder familiar e consequente encaminhamento de crianças à adoção

“Foi através da possibilidade de trabalhadores baratos e da caridade cristã que a prática da adoção foi construída no país. Já se percebia, então, que não havia um interesse genuíno de cuidado pela criança necessitada ou abandonada. Este ‘filho’ ocupava um lugar diferenciado, sendo também singular a maneira como era tratado, sempre de forma distinta, comumente inferior, aos filhos biológicos. Tal herança cultural contribuiu significativamente para que, até os dias de hoje, esta forma de filiação seja impregnada por mitos e preconceitos”, dizem as psicólogas Elza Dutra e Ana Andréa Barbosa Maux, no artigo “A adoção no Brasil: algumas reflexões”, publicado em 2010 na revista Estudos e Pesquisas em Psicologia.

A legislação cristalizou a nova e mais adequada forma de encarar a adoção. O ECA é bem claro (artigo 23) ao ressaltar que, ao contrário do que muitos possam pensar, a falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. Abuso emocional ou físico, abandono, maus-tratos e trabalho infantil são as razões ­habituais.

“Adoção não é instrumento para tirar filho de pobre, para servir a uma família que não pode gerar filhos. Adoção é um instrumento para buscar uma família para uma criança que não a tem. Não se resolve o problema da pobreza com adoção”, avalia Fabiana Gadelha, membro do grupo de apoio à adoção Aconchego, do Distrito Federal.

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