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Unaí

Caso de Unaí demonstra lentidão da Justiça

Emboscados em uma estrada da zona rural de Unaí (cidade mineira a 200 quilômetros do Distrito Federal) por volta das 8h, os auditores fiscais do trabalho Eratóstenes de Almeida Gonçalves, de 42 anos, João Batista Soares Lage, 50, Nelson José da Silva, 52, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira, 52, servidores do Ministério do Trabalho e Emprego que investigavam denúncias de trabalho escravo na zona rural do noroeste de Minas Gerais, foram mortos com tiros na cabeça, em uma ação rápida, profissional.


Policiais rebocam picape em que morreram três auditores do trabalho e o motorista, numa emboscada preparada por fazendeiros, segundo o MP. Foto: Ivaldo Cavalcante

O crime ocorreu em 28 de janeiro de 2004, mas, até hoje, os envolvidos na chacina de Unaí não foram a julgamento, apesar de, apenas seis meses depois, nove pessoas já estarem indiciadas, sendo dois deles grandes fazendeiros da região: os irmãos Antério e Norberto Mânica. Eles negam qualquer relação com a morte dos servidores. Antério, eleito prefeito de Unaí pela primeira vez no mesmo ano da chacina, hoje exerce seu segundo mandato.

O delegado da Polícia Federal Antônio Celso, responsável pelas investigações, revelou seis meses depois do assassinato que o crime em Unaí fora negociado pelo empresário Hugo Alves Pimenta. Os executores, Francisco Elder Pinheiro, de 68 anos, Erinaldo Silva, 41, Rogério Alan Rios, 24, e William Miranda, 22, teriam recebido R$ 50 mil do empresário, que teve como intermediário José Alberto de Castro, empregado de Pimenta.

Atualmente, apenas estes cinco estão presos em uma penitenciária na região metropolitana de Belo Horizonte. Os outros quatro envolvidos – Pimenta, os irmãos Mânica e Humberto Ribeiro dos Santos –, acusados de serem mandantes da chacina de Unaí, estão em liberdade. De acordo com Francisco Pinheiro, Norberto Mânica seria credor de uma dívida de Hugo Pimenta no valor de R$ 180 milhões.

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