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Sem incentivos, malha aérea não atende interior do país

Secretária de Aviação Civil do Ministério da Defesa afirma que ligações aéreas no país não contemplam localidades com dificuldade de acesso por outros tipos de transporte. Projeto específico para conceder incentivos à malha aérea regional do país seria a solução

Linhas aéreas para menos de 20 mil passageiros por ano não atraem empresas e deixam  comunidades isoladas. Subsídios aparecem como solução para integrar regiões

Os problemas da malha aérea regional do país estiveram entre os assuntos mais discutidos na audiência sobre aviação realizada pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR). Porém, muitos deles tendem a durar, já que, conforme Fabiana Todesco, secretária de Aviação Civil do Ministério da Defesa, não existe um projeto específico para fomentar a aviação regional no Brasil. Para ela, apenas um conjunto de ações e um trabalho concatenado de todos os setores, órgãos e entidades do sistemam, além do Congresso, de governadores e de prefeitos podem impulsionar o setor.

A secretária explicou que, na aviação regional, o número de passageiros é bem menor que o das linhas aéreas entre as maiores cidades do país. O Ministério da Defesa classifica as linhas, segundo a demanda, como de baixa, média e alta densidades. A primeira tem um potencial de demanda de até 5 mil passageiros ao ano. Já as de média densidade são aquelas com potencial de demanda entre 5.001 e 20 mil passageiros ao ano. Os conceitos têm como referência o local com menor demanda.

“As ligações aéreas no país não contemplam adequadamente as localidades de baixa e média densidade de tráfego e aquelas com dificuldade de acesso por outros tipos de transporte. Essas ligações precisam de esforços adicionais, para integração nacional e desenvolvimento regional”, constatou Fabiana, citando estudo feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Consultoria McKinsey, contratada pelo Ministério da Defesa para auxiliar na elabo­­ração de propostas para a aviação regio­­nal.

A realidade atual da malha aérea regional é considerada crítica pelos senadores. “Antigamente, havia voos normais de Recife a Caruaru, de Recife a Garanhuns. Hoje, nenhuma dessas cidades é atendida normalmente. Era a época dos DC-3, dos Curtiss Commander. Havia diversas empresas: Cruzeiro do Sul, Real-Aerovias, Aeronorte, Racional, Sadia. Quase todas foram incorporadas à Varig. Esse monopólio, mal conduzido por ­políticas governamentais, foi prejudicial à aviação. Hoje surgem novas empresas. Porém, se o modelo de 50, 60 anos atrás tivesse evoluído de outra forma, talvez houvesse hoje maior concorrência, com melhor atendimento”, argumenta o senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB), que discorda do diagnóstico que atribui os problemas da malha aérea unicamente à falta de infraestrutura dos aeroportos.

“Hoje não há enlace entre uma cidade com uma infraestrutura montada, como João Pessoa, e outra nas mesmas condições, como Fortaleza ou Teresina. Para ir de João Pessoa a Teresina, o cidadão tem que ir antes a Brasília. E isso não é uma exceção. Pessoas viajam mais de 2 mil quilômetros para chegar a uma cidade que está a menos de 500 quilômetros. Por quê?”, pergunta Cavalcanti, que criticou ainda a demora na solução do problema:

“Há dois anos, toda a proposta de incentivo e desenvolvimento da aviação regional já estava traçada, mas, até hoje, algumas decisões não foram tomadas. A implementação da aviação regional daria à Embraer uma participação maior no mercado nacional. Em outros países, como nos Estados Unidos, há muitas aeronaves da Embraer. Já na TAM e na Gol não há aviões fabricados no Brasil”, lamenta.