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Caminhões contra incêndio doados a aeródromos foram sucateados

Fixada em outubro de 2009, exigência de caminhões contra incêndio em aeroportos que não têm terminal de passageiros, somente pista de pouso - os aeródromos -, pode inviabilizar operações. Em 1990, caminhões doados não tiveram como ser mantidos por municípios e acabaram sucateados

A Anac publicou resolução em outubro de 2009, exigindo a implantação e a manutenção do Serviço de Prevenção, Salvamento e Combate a Incêndio em Aeródromos Civis (Sescinc). Com a medida, sem a presença de caminhão contra incêndio, aeródromos (aeroportos que não têm terminal de passageiros, só têm pista de pouso) podem ser interditados. A norma passou a ser um fator crítico para a operação regular dos aeroportos, já que os caminhões custam entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão.

Ronaldo Jenkins, diretor técnico do Snea, alertou para o problema:

“Se a resolução não for olhada com flexibilidade, pode levar municípios a deixarem de fazer a manutenção dos seus aeroportos. No final da década de 1990, o então Ministério da Aeronáutica comprou 40 caminhões de combate a incêndio e os doou a vários municípios. Doze prefeitos não quiseram sequer receber o caminhão por não terem condições de mantê-lo. Seis meses depois, foi feita uma vistoria nos municípios e constatado que a maioria dos caminhões não tinha pneu e alguns estavam até sem motor. Eram figuras decorativas na proximidade do aeroporto”, denunciou o presidente do Snae.

Ainda segundo Jenkins, nos Estados Unidos esse tipo de caminhão é obrigatório apenas em aeroportos que transportem a partir de 1,8 milhão de passageiros por ano. Nova Zelândia, Canadá e Austrália flexibilizam a norma, permitindo a operação sem o contra incêndio.

“No levantamento do Snea feito à época, 17 cidades não tinham sequer bombeiros, mas teriam que manter bombeiro e caminhão no aeroporto. Em algumas delas, a renda per capita é menor que um salário mínimo. Quer dizer, como é que o município pode sustentar um caminhão contra incêndio?”, avalia.

Para Fabiana Todesco, a solução estaria no Programa Federal de Auxílio a Aeroportos (leia mais na pág. 60). “Temos que viabilizar a aquisição desses caminhões contra incêndio. Nosso trabalho está sendo justamente utilizar esse recurso para adequar os aeroportos nos quais as empresas aéreas têm interesse em operar”, afirmou a secretária de Aviação Civil.