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Relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) vê avanços

Taxa de desmatamento segue “alarmante” em alguns países, diz pesquisa de entidade das Nações Unidas, mas, em termos globais, o índice está caindo. Brasil é o segundo do mundo em áreas de florestas, com 519,5 milhões de hectares


Queimada em floresta da Austrália: maiores perdas de cobertura ocorreram nas áreas tropicais, segundo a FAO (Foto: Peter Campbell)

O  Brasil chegou a 2011, Ano Internacional das Florestas, como o segundo país do mundo, em termos absolutos, com mais áreas de florestas. São 519,5 milhões de hectares, de acordo com pesquisa feita em 2010 pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Perde apenas para a Rússia, que tem território duas vezes maior que o brasileiro e abriga 809,1 milhões de hectares (veja infográfico abaixo). Proporcionalmente, porém, o Brasil preserva mais as florestas que os russos (62% contra 49%), atrás da Finlândia (73%), Suécia (69%) e República Democrática do Congo (68%).

Desde 1946, a FAO realiza a cada cinco ou dez anos a maior e mais extensa pesquisa a respeito da preservação das florestas. Segundo a entidade, os resultados do relatório de 2010 (veja os principais abaixo) são “encorajadores em diversos aspectos”. Ainda que a taxa de desmatamento tenha sido “alarmante” em muitos países, em termos globais o índice está caindo, permitindo, no geral, uma redução na perda de cobertura natural. As maiores perdas ocorreram nas áreas tropicais e os maiores ganhos, nas zonas temperadas e boreais. Além disso, nações emergentes deixaram de perder e passaram a recuperar áreas de florestas.

O documento calcula a área total de florestas existentes em 4 bilhões de hectares, ou 31% da soma dos territórios dos 233 países pesquisados. Os cinco “mais ricos” em florestas (Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China) detêm mais da metade do total (53%), enquanto em 64 nações, onde vivem 2 bilhões de pessoas, as florestas não ocupam mais que 10% da área de cada uma. A Europa (incluindo a Rússia) mantém 25% das florestas mundiais, seguida pela América do Sul (21%), e pelas Américas do Norte e Central (17%).


Evolução

De modo geral, para a FAO, a situação em âmbito global manteve-se a mesma nos últimos 20 anos, já que as alterações ficaram bem abaixo da taxa de 0,5%. As maiores taxas negativas (em termos percentuais) são ­relativas ao desmatamento das florestas primárias e à extração de madeira nos anos 1990. O documento revela ainda que a década passada registrou ­aumento da área de florestas protegidas de um modo geral e daquelas destinadas à preservação da biodiversidade, assim como das de reflorestamento.

Embora globalmente o balanço tenha sido positivo, ele está ancorado na China, que vem investindo pesado em recuperação e plantação de florestas. A Ásia, que tinha uma taxa anual de desmatamento de cerca de 600 mil hectares na década de 1990, registrou um aumento de mais de 2,2 milhões de hectares por ano no período 2000–2010, principalmente devido ao reflorestamento em grande escala feito pelo país, o que acaba mascarando as altas taxas de desmatamento em muitos países do sul e do sudeste asiático.

Por outro lado, segundo o relatório (veja infográfico abaixo), a Oceania teve perda líquida de florestas de cerca de 700 mil hectares por ano entre 2000 e 2010, principalmente devido a grandes perdas na Austrália, onde uma grave seca e incêndios florestais têm destruído matas desde 2000.

Nas Américas do Norte e Central, a área ocupada por florestas praticamente não se alterou desde 2000. Na Europa, continuou a se expandir, embora em ritmo mais lento (700 mil hectares por ano) do que na década de 1990 (900 mil hectares por ano).

Já a América do Sul sofreu a maior perda líquida de florestas entre 2000 e 2010 – cerca de 4 milhões de hectares por ano – seguida pela África, que, no cômputo geral, desmatou 3,4 milhões de hectares por ano. No Brasil a perda foi de 9,6 milhões de hectares nos últimos 20 anos, ou 480 mil ­hectares por ano.


Intervenção

Preocupada com as modificações que milhares de anos de atividade humana introduziram nas características e composição das matas originais, a FAO classifica as florestas intocadas como “primárias” e as demais como “plantadas”. Pelo relatório de 2010, quase dois terços das florestas têm sinais claros de intervenção humana. A área ocupada pelas florestas primárias (36%) vem diminuindo anualmente à razão de 4 milhões de hectares.

A boa nova é que alguns ­países estão proibindo quaisquer intervenções em boa parte das suas florestas modificadas. Com o tempo, a composição dessas matas pode evoluir, ­preenchendo os requisitos para defini-las como primárias, estima o relatório. A área de florestas plantadas também cresce e é provável que satisfaça grande parte da demanda por madeira no futuro, aliviando, assim, a pressão sobre as florestas primárias e sobre as naturalmente recuperadas, avalia a organização.

No entanto, a FAO adverte que o uso da área florestal como único indicador de preservação tem sido exagerado no debate público. Por si só, não indica que tipos de florestas existem, quão saudáveis são ou quais benefícios oferecem. Além disso, a redução líquida de área florestal não é suficiente para descrever as dinâmicas do uso da terra, que incluem tanto a perda de cobertura devido ao desmatamento e aos desastres naturais quanto o aumento dessas áreas pelo plantio ou expansão natural.