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BRASÍLIA - Em depoimento
na CPI dos Correios nesta terça-feira, o ex-presidente do Banco Popular
do Brasil Ivan Guimarães considerou natural que o investimento em
publicidade em 2004 tenha sido maior que o valor do crédito concedido
pelo banco. Segundo ele, os gastos foram normais para 'uma empresa que
estava começando'. O Banco Popular destinou R$ 21,3 milhões, no ano
passado, para operações de crédito e aplicou R$ 29 milhões em
publicidade feita pela DNA, agência publicitária que tem como sócio o
empresário Marcos Valério de Souza.
Guimarães confirmou que teve ligações com o ex-tesoureiro do PT
Delúbio Soares e com Marcos Valério, acusado de ser o operador do
mensalão. Guimarães rebateu as insinuações de que sua indicação
para o cargo tenha sido política e negou as denúncias de abertura de
contas sem permissão dos clientes como artifício para aumentar a
carteira de correntistas do Banco Popular. Segundo ele, o aumento do
número de contas no último ano, de 500 mil para 1,1 milhão, foi
decorrente de campanhas publicitárias realizadas pela DNA Propaganda.
O ex-presidente do Banco Popular informou que, antes de deixar o cargo,
solicitou uma auditoria na utilização das verbas de marketing da
instituição para saber onde os recursos vinham sendo gastos. Ele
reafirmou na CPI dos Correios que a definição sobre o uso desses
recursos cabia ao Departamento de Marketing do Banco do Brasil.
Ao questionar o depoente, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que
Guimarães entrou em contradição com o ex-diretor de Marketing do BB
Henrique Pizzolato. Em seu depoimento na CPI, Pizzolato declarou que as
verbas de publicidade do Banco Popular eram aplicadas pela própria
instituição. Jereissati alertou Guimarães para o fato de que ele pode
se tornar protagonista da "maior fraude" do governo do PT.
- A intenção era promover o microcrédito, mas o Banco Popular foi
usado para desviar recursos para o PT e os partidos aliados do governo -
acusou o senador.
Em resposta aos senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Eduardo Suplicy
(PT-SP) sobre o uso das verbas de publicidade pela instituição
bancária, ele disse que só uma auditoria no plano de mídia aprovado
pelo Banco do Brasil e pela Secretaria de Comunicação da Presidência
da República poderá comprovar se as verbas foram efetivamente
empregadas em propaganda. O relator da comissão, deputado Osmar
Serraglio (PMDB-PR), disse que o plano já está em poder da CPI e será
analisado. Para ele, o depoimento de Guimarães serviu para demonstrar
que os contratos de publicidade do Banco do Brasil são, no mínimo,
"duvidosos".
Guimarães revelou ter prestado 'trabalhos voluntários' no comitê
financeiro da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a
incumbência de cadastrar os empresários a quem eram solicitadas
contribuições para os gastos eleitorais. Nessa época, ele teria
trabalhado ao lado de Delúbio Soares e do ex-diretor de Marketing do
Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Guimarães informou aos
parlamentares que conheceu Delúbio Soares em 1989 e, desde então,
tornou-se seu amigo pessoal.
Ao ser interrogado pela senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) na CPI dos
Correios, Ivan Guimarães disse que conheceu o empresário Marcos
Valério Fernandes de Souza em 2003, em decorrência da prestação de
serviços ao banco por parte da DNA Propaganda. Guimarães confirmou ter
mantido vários encontros comerciais com Valério e admitiu que, além
de negócios, eles discutiam política.
- Marcos Valério tinha muito interesse nas eleições estaduais e
municipais - afirmou.
O depoente declarou, porém, que durante esses encontros nunca tomou
conhecimento de nenhum procedimento suspeito por parte das empresas de
Valério ou do PT.Ivan Guimarães informou também na CPI dos Correios
que, após deixar a presidência do Banco Popular em abril, devido ao
interesse do PT em "realocar seus quadros", passou a ganhar R$
36 mil como conselheiro indicado pelo Banco do Brasil a três grandes
empresas: a Kepler, onde recebe R$ 8 mil; a Belgo-Mineira, que lhe paga
R$ 10 mil; e a Bombril, que está sob intervenção judicial e lhe dá
R$ 18 mil por mês.
Em resposta ao deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), Guimarães admitiu
que o Banco Popular teve prejuízo de R$ 60 milhões em seu primeiro ano
de operação. O parlamentar protestou, lembrou que todos os bancos do
mundo dão lucro e acusou o depoente de afundar a instituição
bancária. Mattos também sugeriu que a CPI requisite cópia de contrato
de patrocínio do Banco Popular com times de futebol de areia. Ele
suspeita de irregularidades na operação. |