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"Política é uma atividade dialógica e exige que o pensamento preceda à ação"
( Marco Maciel )
Foi na vida acadêmica que Marco Maciel revelou sua liderança ao se eleger e se reeleger presidente do Diretório Central de Estudantes, o DCE da UFPe, tornando-se, aos 19 anos, o mais jovem membro do Conselho Universitário da UFPe. Em 1962 confirmou sua liderança: foi eleito presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), entidade que congrega todos os universitários pernambucanos. Um ano antes de se diplomar, participou durante trinta dias de um seminário sobre as instituições americanas na Universidade de Harvard, ocasião em que foi recebido na Casa Branca pelo presidente John Kennedy.
Marco Maciel preparou-se para a carreira acadêmica, iniciando seu curso de mestrado e doutorado em Ciências Jurídicas. Já aos 23 anos, foi convidado a integrar o governo Paulo Guerra, como Secretário Assistente, transformado, posteriormente, em Secretaria do Trabalho e Ação Social. Em 1966, iniciou a carreira de professor universitário, como professor assistente, passando depois à condição de professor titular de Direito Internacional Público da Universidade Católica de Pernambuco. No fim desse mesmo ano, candidatou-se a deputado estadual, dando prosseguimento ao que seria uma vitoriosa trajetória política, passando de líder estudantil a líder parlamentar. Eleito com expressiva votação, foi escolhido, logo no primeiro ano de seu mandato, líder do governo Nilo Coelho na Assembléia Legislativa, função que desempenhou por quatro anos.
No período em que Marco Maciel deixou a faculdade e se tornou deputado estadual, o Brasil e a política brasileira passaram por uma fase de enorme turbulência política, sobretudo após o AI-5, de 1968. Entre as muitas mudanças então operadas, a Câmara dos Deputados teve o número de integrantes reduzido de 404 para 293 deputados. A eleição para esse cargo tornou-se muito mais difícil e, em face das restrições, muitos dos antigos parlamentares desistiram da vida pública. Os que tinham vocação, como Marco Maciel, sabiam que sem participar do processo político não seria possível redemocratizar o regime. Foi num momento assim adverso que ele se elegeu para o seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados.
Marco Maciel não se deixou abater pelo ambiente de desânimo que cercou a legislatura iniciada em 1971. Nesse mesmo ano, convidado a participar de um grupo de trabalho destinado a estudar a reforma da Câmara dos Deputados, coube-lhe relatar o tema concernente ao funcionamento parlamentar dos partidos políticos, apresentando sugestões que chamaram a atenção de seus colegas para a seriedade com que encarava as tarefas que lhe eram atribuídas. Por dois anos sucessivos foi incluído pelos jornalistas na lista dos dez mais atuantes e influentes parlamentares e apresentado como "modelo do novo político brasileiro" que emergia naquele período de crise aguda da democracia. Ao ser reeleito em 1974, para a sua segunda legislatura, já o precedia a fama de um parlamentar sério, dinâmico, operoso, austero e aplicado com afinco a seus deveres de homem público.
Nesse período foi eleito para presidir a Fundação Milton Campos de Pesquisas e Estudos Políticos, iniciativa de seu partido e que se constituiu no primeiro instituto criado no País com esse objetivo, realizando notável trabalho que o credenciou para ocupar o cargo de presidente da Câmara dos Deputados, função que há 50 anos não era exercida por um pernambucano. É de se destacar também que Marco Maciel foi escolhido candidato após vencer as prévias na bancada e obter no plenário expressiva votação, tornando-se um dos mais jovens presidentes da Câmara dos Deputados de toda nossa vida republicana. Já um nome de projeção nacional, tornou-se o parceiro do presidente do Senado, Petrônio Portela, na tarefa de articular, junto ao Congresso e à sociedade civil - OAB, CNBB, ABI, etc. -, a abertura política.
Em fevereiro de 1977, portanto, tomaram posse na direção das Casas do Congresso dois parlamentares comprometidos com essa idéia e que viriam a constituir a frente política da abertura - Petrônio Portela no Senado e Marco Maciel na Câmara. Eles seriam os operadores civis da transição, que teve início com o propósito da "missão Portela" de criar condições, ao lado de líderes da sociedade civil e do governo para se revogar os atos institucionais e instaurar o estado de Direito.