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PARLAMENTAR POR UMA POLÍTICA DE PLENO EMPREGO MANIFESTO DE
LANÇAMENTO
O
Brasil atravessa a pior crise social de sua história, determinada
por níveis recordes de desemprego, de subemprego e de marginalização
social. São visíveis os reflexos dessa crise em termos
de queda da renda do trabalho dos ocupados, de insegurança
da sociedade em geral e de criminalidade. Há uma degenerescência
do tecido social, com a desagregação de milhões
de famílias e de indivíduos submetidos a condições
materiais precárias. Acima de tudo, estamos liquidando literalmente
com as perspectivas de vida dos jovens de todos os segmentos sociais,
que não encontram chances de ascensão social, sendo
que muitos estão efetivamente em descenso social.
A
matriz da crise social é o alto desemprego e subemprego,
na cidade e no campo. E o alto desemprego é urna determinação
da política econômica neoliberal. Elegemos o presidente
Lula na expectativa de que a política econômica recessiva
e desempregadora do governo anterior fosse revertida. Não
foi. Em lugar disso, foi aprofundada. O superávit primário,
que são recursos retirados da sociedade pelo Estado acima
do que o Estado lhe devolve como compras de bens e serviços,
foi aumentado, em lugar de diminuído ou eliminado. As taxas
de juros foram agressivamente elevadas de um golpe, e depois reduzidas
a conta gotas, mantendo-se em patamares intoleráveis.
O
resultado tem sido um agravamento do desemprego e do subemprego,
já em níveis de depressão econômica em
algumas metrópoles. A sociedade brasileira já identificou,
pelo que se vê em todas as pesquisas de opinião, que
o alto desemprego e a queda de renda do trabalho que lhe está
associada são decorrentes, fundamentalmente, do tipo de política
econômica que adotamos dos anos 90 para cá. Isso tem
que ser revertido. Temos a esperança de que o presidente
Lula compreenda o clamor social por uma política de pleno
emprego e redirecione nesse objetivo as políticas públicas.
Este é um imperativo de nossa estabilidade social e, em última
instância, de nossa estabilidade política.
A
reversão da política em curso passa por uma retomada
vigorosa do dispêndio público. Os ideólogos
neoliberais espalharam a noção de que o Estado brasileiro
está quebrado, e, portanto, não pode investir. É
uma falácia. O Estado brasileiro arrecada por ano, acima
do que gasta, cerca de R$ 70 bilhões. É o chamado
superávit primário. Esse dinheiro é esterilizado
na política monetária, sem qualquer função
na atividade econômica e nas políticas públicas,
seja de serviços, seja de infra-estrutura. É dinheiro
retirado da produção privada de bens e serviços
e que não volta ao circuito da produção de
bens e serviços. No entanto, pode tornar-se a base de um
programa de retomada.
Os
ideólogos neoliberais sustentam que o superávit primário
é necessário para pagar os juros da dívida
pública. Entretanto, os juros da dívida pública
têm sido recorrentemente pagos com o aumento da própria
dívida, pois seus titulares não têm como investir
no setor produtivo numa situação de demanda persistentemente
em queda por causa do desemprego e da redução da renda
do trabalho. Assim, são os próprios receptores do
serviço da divida pública que impõem o aumento
desta. O dinheiro do superávit primário não
faz falta para pagá-lo. E se o Governo não o usa para
aumentar o dispêndio, é recessivo e desempregador.
Tecnicamente, é ridículo dizer que reduzir o superávit
equivale a dar calote na dívida.
A
outra vertente recessiva e desempregadora da política econômica
são as taxas básicas de juros escorchantes que se
têm praticado no Brasil. Fala-se na necessidade de aumentar
o superávit primário para pagar os juros da dívida
pública, mas não se fala em reduzir a taxa de juros
básica para diminuir a necessidade desse superávit.
Os governos, o anterior e o atual, jamais se explicaram ou se explica
em relação a essa contradição. Dizem
que a taxa de juros é uma imposição do mercado.
Entretanto, qual é a função do Banco Central
senão arbitrar soberanamente a taxa básica de juros?
Na realidade a taxa é alta não porque o "mercado"
quer, mas porque o BC atende ao que o "mercado" quer.
Uma
política de promoção do pleno emprego, tal
como preconizamos, passa por urna redução drástica,
pelo menos enquanto durar o alto desemprego, do superávit
primário no orçamento público. Isso pode ser
viabilizado por uma redução drástica, para
patamares internacionais, da taxa básica de juros. E, para
que isso possa ser feito sem fuga de capitais especulativos para
o exterior, exige também o controle de capitais de curto
prazo, evitando a evasão de divisas. Implica, além
disso, a administração do câmbio num nível
favorável às exportações, para que não
haja dúvida sobre o nosso comprometimento de pagar os compromissos
externos com superávit comercial, e não com retração
da produção.
Entretanto,
a chave do sucesso de uma política de promoção
do pleno emprego no Brasil contemporâneo é o aumento
do dispêndio público a partir da redução
do superávit primário. Esta expansão do gasto
público jamais geraria inflação. Primeiro,
porque é financiada diretamente por impostos recolhidos da
sociedade. E, segundo, porque, com o alto desemprego e a renda do
trabalho em queda, partimos de uma situação de demanda
extremamente reduzida — o que impede uma inflação
de demanda. No que o crescimento retomasse e a demanda aumentasse,
enfrentaríamos a inflação com uma política
de rendas, como nos países industrializados da Europa Ocidental
no pós-guerra.
A
mobilização de quase R$ 70 bilhões anuais para
o dispêndio não inflacionário em serviços
públicos básicos, reforma agrária, Defesa e
infra-estrutura reduziria significativamente o desemprego e o subemprego
e mudaria para melhor as condições sociais brasileiras
em poucos anos. Construiríamos as bases do Estado do bem-social
social no Brasil. Revolucionaríamos a saúde, a educação,
a habitação, o saneamento básico; aceleraríamos
a reforma agrária; reestruturaríamos o setor de Defesa;
e reconstruiríamos e ampliaríamos a infra-estrutura
logística, sobretudo o setor rodoviário que está
em frangalhos.
A
Frente Parlamentar por uma Política de Pleno Emprego não
se coloca contra o presidente Lula ou contra o PT. É um movimento
supra-partidário, do qual participam também parlamentares
do PT, muitas dos quais já se pronunciaram publicamente por
uma nova política econômica. Coloca-se, de forma propositiva,
pelo Brasil e pelo povo brasileiro, a fim de reverter a crise social
histórica que atravessamos e para a qual não há
saída nos termos da política econômica atual.
Nossa intenção é levar o presidente Lula a
mudar o curso da política que herdou e, de acordo com as
aspirações dos milhões que os elegeram, e nos
elegeram, ponha o Brasil no rumo da prosperidade através
de uma decidida política de pleno emprego.
Senador
Marcelo Crivella (PL - RJ)
23/11/2004
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Tema:
Política de Pleno Emprego e Resgate do Serviço
Público no Brasil
Realizado
dia 28/11/2005 |
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Brasil
não vai gerar mais empregos com a atual política
econômica A crítica
foi feita durante um debate na Frente Parlamentar do Pleno
Emprego. E o presidente da frente, senador Marcelo Crivella
(PMR-RJ), vai apresentar um projeto para estimular a criação
de postos de trabalho no país. Confira
o áudio |
Especialistas criticam rumos da economia brasileira
A alta taxa de juros, a elevada carga tributária e
a falta de incentivos às empresas prejudicam a economia
e impedem a criação de novos empregos segundo
avaliação durante debate realizado pelo Fórum
Parlamentar do Pleno Emprego. O senador Marcelo Crivella alertou
que a política econômica do governo aprofundou
a tensão social e a concentração de renda
no País. Confira o áudio
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