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Marcelo
Crivella comenta sobre a Abolição da Escravatura |
O
SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ. Pronuncia o seguinte discurso.
Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srs. Senadores,
Srªs Senadoras, senhores telespectadores da TV Senado, senhores ouvintes
da Rádio Senado, eu gostaria de começar este nosso expediente
falando sobre a abolição da escravatura, ainda que, Sr.
Presidente, 42% hoje da população negra brasileira se encontre
abaixo da linha da pobreza.
Quero saudar Nabuco, Patrocínio e a Princesa Isabel, que nos redimiram
da vergonha extrema da escravidão. A eles nossa eterna gratidão.
E, como dizia Machado de Assis, hoje é o dia nacional do delírio
– o único dia nacional, oficial, para o delírio, para
a alegria.
Quero falar também do Sr. Vice-Presidente, que amanhã retorna
a Brasília e assume a Presidência na sexta-feira –
o Presidente Lula viajará por nove dias ao exterior. Ele fez ontem
os exames. A imprensa e o País acompanharam. Surgiram alguns nódulos,
mas, agora há pouco, conversando com ele, o Vice-Presidente se
encontra muito encorajado, tem muita fé em Deus e está cercado
pelo carinho e pela ternura da sua família, da sua incomparável
e incansável companheira, que, nesses momentos difíceis,
tem mostrado todas as virtudes e resistências morais da mulher brasileira.
Dona Marisa, sem sombra de dúvida, é o melhor remédio
que o Vice-Presidente tem nesses momentos duros de sua existência.
A esse casal, que tanto amamos, ao presidente nacional e de honra do meu
Partido, nossos mais profundos sentimentos na sua luta.
Sr. Presidente, eu poderia subir a esta tribuna hoje para me regozijar
pelo governo que temos construído nesses anos todos. Podia falar
da taxa Selic. Quantas vezes verifiquei Parlamentares da Oposição
e da Situação – até mesmo da Situação
– reclamando que essa taxa Selic era indecente. Pois bem, agora
a taxa Selic se encaminha para um dígito. Nunca esteve tão
baixa assim. Quantas vezes se reclamou neste País da inflação,
que corroía os salários. As pessoas, de manhã, compravam
um litro de leite e não sabiam qual seria o preço depois
do almoço! Hoje a inflação é contida e está
caindo.
Quantas vezes reclamamos do FMI! Hoje não há mais nenhuma
interferência externa. O Brasil é soberano.
Eu poderia dizer aqui das exportações. Já não
somos mais aquele País fornecedor de matéria-prima para
a Europa e para os Estados Unidos. Hoje nossa pauta de exportação
é um colosso; muitos produtos industrializados. Nosso saldo na
balança comercial passa de 30 bilhões; mesmo na crise, está
crescendo.
Investimentos estrangeiros. Houve uma época em que não caía
um tostão neste País. Ano passado foram US$45 bilhões.
Neste ano, achávamos que ia cair a taxa de investimentos estrangeiros,
mas o primeiro trimestre já se mostrou positivo, e as bolsas voltaram
a subir, contrariando a previsão dos pessimistas.
Eu poderia aqui, Sr. Presidente, falar de tantas coisas boas que aconteceram
neste Governo, tantos avanços! Poderia falar da recomposição
do salário mínimo. Quantas vezes o Senador Paulo Paim dizia
assim: “O meu sonho era um salário mínimo de US$100.”
Hoje é mais de U$200 – mais de U$200! E também houve
avanços em relação aos aposentados. Não é
aquilo que gostaríamos, mas os aposentados, agora, têm a
metade do seu 13º pago em outubro.
Temos também a recomposição, porque não ficamos,
no nosso Governo, devendo nenhum centavo de inflação. Pelo
contrário, recuperamos as perdas da inflação nas
aposentadorias brasileiras.
De tal maneira, Sr. Presidente, que eu poderia aqui ficar falando das
obras do PAC, das obras do Rio de Janeiro, da retomada da indústria
naval, do crescimento da Petrobras – hoje, somos autossuficientes
em petróleo; eu poderia falar da rodovia do contorno, eu poderia
falar da refinaria de Itaboraí e poderia falar de tanta coisa boa,
mas vou, hoje, Sr. Presidente, com a permissão do povo brasileiro,
regozijar-me com um dado extraordinário.
Uma pesquisa que foi feita recentemente mostra que os alunos das escolas
técnicas brasileiras conseguiram emprego – mais de 70%. Sou
aluno de escola técnica. Estudei na Escola Nacional de Ciências
Estatísticas do IBGE, infelizmente, fechada no Governo anterior.
Não existe mais a escola técnica do IBGE, Escola Nacional
de Ciências Estatísticas. Mas, por quê? Não
há mais estatística no Pais? Não; existem muitas.
Toda empresa se baseia hoje em lançamento de produtos e em métodos
estatísticos. Não há uma reportagem de jornal em
que não se vejam citadas pesquisas ou médias. Cada vez mais
as estatísticas, os prognósticos estão na vida do
povo brasileiro, mas fecharam a escola, aquela escola na qual estudei,
que tanto amei, a escola que me deu o primeiro emprego. A Escola Nacional
de Ciências Estatísticas, gratuita, André Cavalcanti,
centro do Rio de Janeiro, fechou.
No nosso Governo, Presidente Collor, Governador César Borges, meu
companheiro – já vou lhe dar um aparte –, nós
não temos mais de lamentar perdas de escolas técnicas. Abrimos
mais de duzentas. De Nilo Peçanha até Lula, nós vamos
dobrar o número de escolas técnicas. Vamos fazer mais escolas
técnicas do que foram feitas, neste País, até aquele
tempo.
Agora, qual é a pesquisa que me faz subir a esta tribuna com tanta
alegria? É saber que desses meninos e meninas 70% estão
empregados.
Se V. Exª me permite, Senador Jefferson, está aqui: do total,
dos 2.657 meninos e meninas que cursaram as 153 instituições
de escola profissional e tecnológica, de 2003 a 2007, 72% estão
empregados.
Olha, eu, no Rio de Janeiro, vejo tantos meninos morrendo com balas perdidas
ou trabalhando no tráfico! Outros completam o segundo grau, mas
não são empregados. O Presidente Lula acertou na mosca!
Esse é um ponto crucial! Vamos diminuir a violência, sim!
Como fazer? Educação! Jovens, eles estão no centro
da criminalidade. Vamos dar formação técnica a esses
meninos e meninas.
Agora, e o salário que eles recebem? Hahã! O salário?
Olha aqui: 59% estão ganhando um salário de mercado, de
três a quatro salários mínimos. Que espetáculo!
Que beleza! Começar a vida com um salário que pode lhe dar
a condição de comprar um carrinho. E olha, agora, a taxa
de juros está caindo. Graças a Deus, tiramos o IPI dos automóveis
e facilitamos o número de prestações.
Então, os meninos já não pensam mais em bobagem.
Por quê? Porque podem ir ao cinema, porque podem ter seu carro,
podem pensar em formar a sua família, que é o sonho de todos
nós, é a aspiração de todo brasileiro.
Ouço, com muito prazer, V. Exª.
O Sr. João Pedro (Bloco/PT – AM) – Senador Crivella,
parabéns pelo pronunciamento de V. Exª, porque V. Exª
reflete acerca de ações concretas e positivas que ajudam
o Brasil a ir superando as suas dificuldades. Também, como V. Exª,
sou ex-aluno de uma escola agrotécnica. Agrotécnica. Eu
fiz o meu ensino médio num colégio agrícola, num
colégio agrotécnico, e esse colégio continua funcionando
em Manaus e sendo ampliado. As escolas agrotécnicas passaram para
uma nova modalidade, mudou o nome. Agora, é um instituto, é
um campus, é um instituto tecnológico. No Amazonas, existem
cinco escolas, as tradicionais escolas técnicas, com um serviço
prestado à sociedade grande. E nós temos, no nosso Governo,
mais cinco escolas sendo construídas: uma em Parintins, que é
a minha cidade, outra em Presidente Figueiredo, duas escolas na região
sul do Amazonas, em Lábrea, Coari – o Presidente Lula foi
lá inaugurar. Ou seja, isso vai mudando o perfil do Brasil, e mudando
para melhor. Parabéns pelo pronunciamento de V. Exª. Eu também
não poderia deixar de mencionar, porque foi o primeiro assunto
que V. Exª abordou, essa data histórica que selou, que começa
a selar um período tão difícil da História
do Brasil, que foi o período da escravatura. Superamos, mas precisamos
fazer muito, ainda, pelos negros, pela população negra,
afrodescendente do nosso País. Nós precisamos avançar.
O Governo tem feito muito, mas a sociedade e o Estado brasileiro precisam
compreender a necessidade de construir-se políticas públicas
e superar-se, definitivamente, as mazelas sociais que causaram a milhões
de brasileiros. Parabéns pelo pronunciamento de V. Exª.
O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ) – Obrigado, Senador
João Pedro.
Concedo o aparte ao Senador Tião Viana.
O Sr. Tião Viana (Bloco/PT – AC) – Caro Senador Crivella,
de modo muito objetivo, V. Exª expõe o pagamento de uma dívida
de toda a História brasileira com a juventude. Quando comparamos
com o jovem americano, vemos que, basicamente, aos 17 anos ele já
está saindo de casa, já está numa atividade econômica,
já está adquirindo o seu imóvel, já está
se envolvendo, porque há formação técnica
de um modo geral. O nosso País era desprovido disso, como V. Exª
descreveu muito bem, e, hoje, estamos vendo o País inteiro... No
meu Estado, temos duas grandes escolas técnicas, uma de saúde
e uma de floresta. Teremos mais três, agora, desse programa, com
o ingresso de milhares de jovens, inclusive com acesso a cursos...
(Interrupção do som.)
O Sr. Tião Viana (Bloco/PT – AC) – ... de pós-graduação,
cursos de mestrado e até cursos de doutorado poderão ser
feitos nessas escolas técnicas, afirmando mais um desafio, que
é a produção do conhecimento. Os americanos hoje
dominam o mundo em duas áreas: a área militar, basicamente,
e a área do conhecimento. A Índia desponta com força
na área do conhecimento, desde a escola politécnica que
Neru, lá na década de 40, apontou na área de engenharia
e que foi avançando. O Brasil entra num caminho intermediário
muito inteligente. Eu acredito que esse reconhecimento de V. Exª
ao Governo é um ato de justiça e de entusiasmo, partilhado
com a juventude brasileira.
O SR. MARCELLO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ) – Muito obrigado,
Senador Tião Viana.
Sr. Presidente, vou concluir.
Senador Cristovam Buarque, ouço com alegria V. Exª.
O Sr. Cristovam Buarque (PDT – DF) – Quero parabenizar, em
primeiro lugar, a sua homenagem à escola onde o senhor estudou.
Nada mais importante para cada um de nós do que lembrar disso.
Nós nascemos duas vezes, os seres humanos: uma vez quando nascemos
saindo do útero da mãe e outra quando nascemos saindo da
escola, formados, graduados. Mas eu queria tocar no início do seu
discurso e, também, no do Mão Santa, sobre a libertação
dos escravos. De fato, hoje são 121 anos da Lei Áurea, que
foi um avanço, mas não vamos esquecer que essa lei ainda
não foi completada. O Brasil não é um país
livre da escravidão. Primeiro, porque ainda há escravos,
mesmo, trabalhando em algumas fazendas. Segundo, porque nós mudamos,
Senador Collor, o tipo de escravo. Já não são, necessariamente,
os negros os trabalhadores, mas os jovens brasileiros, hoje, estão
escravos. Eles estão escravos da falta de emprego, da descrença
com que eles olham para o País. Os aposentados, os nossos velhos
são escravos. Eles são escravos da farmácia, onde
não podem pagar o remédio porque a aposentadoria não
permite, eles são escravos do abandono, muitas vezes pela desarticulação
das famílias. Nós temos, hoje, como escravos, os milhões
sem casa. Nem senzala eles têm para viver, coisa que os escravos,
pelo menos, tinham. Ainda temos gente passando fome e os escravos não
passavam fome. O Brasil não aboliu a escravidão, apenas
aboliu a escravatura, o regime, o sistema. Ninguém mais pode ser
vendido para o trabalho forçado, mas continua condenado ao desemprego.
Os filhos de escravos já não estão proibidos de estudar,
mas ainda não conseguem estudar até hoje. Então,
é boa a lembrança. Não podemos esquecer que a princesa
fez um gesto fundamental, talvez o último gesto realmente revolucionário
da História do Brasil, mas falta muito para completar a abolição.
O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ) – Muito obrigado pelas
palavras de V. Exª. Sem dúvida, nós estamos avançando
e nunca se avançou tanto quanto neste Governo.
Eu queria apenas, antes de terminar, Presidente, em um minuto, dizer que,
hoje, em reunião do Conselho Político, ouvimos o Ministro
Mantega, com todo o arcabouço técnico, informar-nos de que
a poupança não será mexida.
Houve uma série de políticos que até causaram prejuízo
a muitos brasileiros que tomaram atitudes precipitadas, baseadas em discursos
políticos nesse pré-período eleitoral, onde há
um dilúvio de ódios e paixões, e, muitas vezes, as
pessoas são mal informadas.
Então, o Ministro Guido, ao lado do Presidente Meirelles, junto
com o Presidente da República e todo o Conselho... Os Líderes
do Senado e da Câmara ouviram do Ministro as razões técnicas
pelas quais a poupança não será prejudicada em nenhum
centavo dos poupadores brasileiros. Noventa e nove por cento da poupança,
é bom lembrar, são de pessoas que têm até R$50,00,
são os pequenos poupadores.
Eu quero, então, dizer à Nação, dizer ao Plenário,
dizer a todos os Líderes que nem um só centavo será
confiscado, nem um só décimo ou milésimo percentual
de taxa de juros ou de TR será diminuído, não haverá
nenhum tipo de prejuízo aos poupadores brasileiros.
Muito obrigado, Srª Presidente.
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