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Crivella destaca investimentos para o Rio no Orçamento
para 2008
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SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ. Como Líder. Sem revisão
do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, senhores
telespectadores da TV Senado, senhores ouvintes da Rádio Senado,
demais presentes ao plenário, venho aqui para festejar, festejar
um Governo que deu certo, um Governo que tem levado o Brasil a dias melhores,
em relação aos últimos anos, sobretudo na parte de
distribuição de renda e de economia.
O Brasil vive um momento que precisa ser celebrado. Estamos batendo recordes
na criação de emprego formal. Crescemos mais de 5%, coisa
que não ocorria há muitos anos no nosso País, pois
viemos de décadas de estagnação, décadas de
crescimento medíocre. Ainda não é suficiente, não
é ainda o que queremos, mas mostra que o Brasil está no
rumo certo de um crescimento sustentável com distribuição
de renda.
No Rio de Janeiro, meu Estado, bravo Estado do Rio de Janeiro, dessa gente
sofrida e valente, temos ainda mais razões, Sr. Presidente, para
celebrar, porque os números dos investimentos das estatais –
só das estatais, não falo aqui dos recursos de transferência
para saúde, educação ou do Fundo de Participação
dos Estados e Municípios; falo dos investimentos das estatais –
somam mais de R$4 bilhões.
Sr. Presidente Mão Santa, são efusivas essas notícias.
O Programa Luz para Todos, grande sucesso do Governo Federal, leva iluminação
às famílias de baixa renda. No Rio de Janeiro vão
aplicar quase R$1 milhão. A distribuição de derivados
de petróleo, gás natural, álcool e biocombustível
é a grande riqueza do Estado do Rio de Janeiro, é riqueza
mineral. São nossas as jazidas de petróleo e gás.
Serão aplicados R$19 milhões. No refino de petróleo,
as estatais brasileiras, sobretudo a Petrobras, vão aplicar R$1,401
bilhão numa refinaria extraordinária, no Município
de Itaboraí, com grande benefícios, que vão irradiar
para o Município vizinho, São Gonçalo, onde existem
mais de um milhão de pessoas.
Sr. Presidente, em transporte de petróleo e derivados, gás
natural e biocombustíveis, lá no Estado do Rio de Janeiro,
serão investidos R$620 milhões. Isso tudo vai trazer, na
ponta, tecnologia, emprego, uma vida melhor para o nosso povo.
Na área de desenvolvimento da infra-estrutura aeroportuária,
nos nossos portos e aeroportos, R$91 milhões serão aplicados.
O Rio de Janeiro ainda é a porta do turismo no Brasil.
Belíssima cidade, das suas planícies, da sua Baixada Fluminense,
das suas montanhas, da sua Mata Atlântica e, sobretudo, das suas
praias e do seu povo. Noventa milhões de reais estão destinados
no Orçamento para a infra-estrutura aeroportuária.
Temos também, Sr. Presidente, na produção de moedas
e documentos de segurança – a Casa da Moeda fica no Rio de
Janeiro, na zona oeste –, R$52 milhões. Provavelmente, nesses
recursos, está o novo passaporte brasileiro, agora com muito mais
segurança e muito mais difícil de ser falsificado.
Ampliação e modernização das instituições
financeiras oficiais, R$26 milhões; investimento das empresas estatais
em infra-estrutura de apoio, R$318 milhões serão aplicados;
Brasil Com Todo Gás, programa que visa a criar no nosso País
as condições necessárias para um melhor aproveitamento
desse recurso que temos – a Bacia de Santos é rica em gás.
É bom lembrar também que o nosso contrato com a Bolívia
é um contrato que nos impõe ter uma infra-estrutura de distribuição
efetiva, porque temos um volume a consumir; se não o consumirmos,
pagamos – é take or pay. Portanto, é importante a
aplicação desses recursos no Brasil Com Todo Gás.
Sr. Presidente, teremos no vetor logístico leste uma obra de vulto,
o arco rodoviário do Rio de Janeiro. Isso tira o trânsito
da cidade, sobretudo da ponte Rio–Niterói, onde os engarrafamentos
são constantes. A aflição do povo que mora na zona
oeste é comovente.
Todos os dias um trabalhador que venha de Santa Cruz, de Bangu, de Campo
Grande ou daquela região da Avenida Brasil, ainda que saia cedo
de casa, não vai demorar menos de duas horas para chegar ao centro
da cidade. É cruel, é desumano. Esse arco rodoviário
vai ligar o litoral, a Rio–Santos, à estrada que vem de Brasília,
a BR-040. Todo esse fluxo que chega ao Rio de Janeiro será interceptado
por esse arco, passando por trás da Baía de Guanabara, levando
à Rio–Bahia, para que a cidade fique menos congestionada,
para que os produtos cheguem com menor custo, menor preço agregado
por um itinerário que já, hoje em dia, prejudica muito não
só o trânsito, mas também toda a infra-estrutura.
Quer dizer, não há recursos para se aplicarem em tantas
reformas nas nossas avenidas, nas nossas pontes com tráfego pesado,
intenso e imenso que não deveria passar por ali. Lembro também
a poluição. Um tráfego enorme como esse de caminhões
passando pelo Rio de Janeiro e indo para a região Norte deixa uma
fumaça no ar numa área que já é muito trafegada
por automóveis comerciais – uma poluição enorme.
Portanto, Sr. Presidente, esses são alguns dos programas de investimento
das estatais no Rio de Janeiro, que somam no total R$4.214.880.541,00
(quatro bilhões, duzentos e quatorze milhões, oitocentos
e oitenta mil, quinhentos quarenta e um reais). Não estão
incluídos aqui os investimentos diretos, que são os recursos
do PAC, trazendo justiça social a comunidades carentes, Senador
Mão Santa, que começaram com a volta dos soldados da Guerra
do Paraguai, 1870.
Naquela ocasião, 1864, quando o Paraguai invade o Rio Grande do
Sul e toma um pedaço do Mato Grosso, nós tínhamos
apenas, por lei, por decreto, uma Força Nacional com 15 mil homens.
O Paraguai nos invadiu com 80 mil. D. Pedro II, num sábado, assina
um decreto com um programa chamado Voluntários da Pátria.
Eu acho que no Piauí, em Teresina, existe uma rua em homenagem
a eles: Rua Voluntários da Pátria. Nas principais capitais
brasileiras existe essa rua.
Nesse programa, que foi publicado no Jornal do Commercio (Jornal do Commercio
com dois emes), jornal que até hoje circula na cidade do Rio de
Janeiro. É centenário. Um dos jornais mais antigos do País.
Belíssimo jornal! Diários Associados. Foi publicado, na
segunda-feira, esse projeto de D. Pedro II, em novembro de 1864.
Uma das oportunidades que se apresentavam no programa dos Voluntários
da Pátria era a alforria para os negros escravos que se dispusessem
a ir lutar na Guerra do Paraguai. Trinta mil foram, Senador Mão
Santa. A guerra durou cinco anos, com a vitória dos brasileiros.
Aliás, o Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel, depois da
saída de Caxias, quando assumiu o teatro de operação,
fez um elogio à tropa dos negros, que se chamava Zuavos (os zuavos
baianos) e outros tantos negros que lutaram na Guerra do Paraguai.
Pois bem, quando voltam, esses homens, heróis da Pátria,
recebem para morar o morro. Encontram a lei do branco: alforria, sem trabalho
e moradia. Portanto, assim começa a triste história das
comunidades carentes no Brasil. Soldados e heróis que, ao voltarem,
recebem para morar ou trocam a senzala pela favela.
De lá para cá, Sr. Presidente, o Rio de Janeiro construiu
grandes bairros, a Ponte Rio–Niterói. Construiu a maior indústria
de petróleo da América Latina. O Rio construiu a sua empresa
siderúrgica, a Companhia Siderúrgica Nacional. Está
fazendo agora a Companhia Siderúrgica do Atlântico, em Itaguaí.
Mas nunca tivemos dinheiro para pagar um salário justo o suficiente
a sucessivas gerações de negros, brancos, pobres e mestiços
que continuaram lutando outras guerras do Paraguai, dessa vez como empregadas
domésticas, motoristas, trocadores, mecânicos, operários,
serventes, carpinteiros. Depois de uma jornada de trabalho extenuante,
recebendo apenas um salário suficiente para comer e se vestir,
só tinham como alternativa improvisarem suas casas em comunidades
carentes. Hoje, são mais de 700.
Centro e trinta e sete anos se passaram, e esse paradigma acabou se repetindo.
E, assim, dezenas, centenas de comunidades carentes são hoje foco
de muita violência, de tráfico de drogas e de criminalidade,
Sr. Presidente.
O PAC é um resgate histórico disso tudo. Agora, sim, aquilo
que existe no asfalto, como urbanização, ruas, calçadas,
canteiros, postos de saúde, delegacias, escolas, agora isso vai
subir o morro. A cidade começa a subir às comunidades carentes.
Isso é muito bonito, Sr. Presidente.
O projeto do PAC começa na favela da Rocinha, no Morro do Alemão,
em Manguinhos, e também nessa primeira comunidade, a comunidade
do Morro da Providência, onde aqueles soldados heróis iniciaram
as primeiras moradias improvisadas.
Ali também o projeto Cimento Social está aplicando mais
de R$12 milhões, ajudando as famílias a terminarem suas
casas.
Então, as famílias estão vendo as janelas, as portas
e os telhados sendo colocados e as paredes, argamassadas. As pessoas estão
tendo suas instalações elétricas e hidráulicas
cuidadas. Sr. Presidente, essa obra precisa ser ressaltada desta tribuna.
Este Governo está promovendo crescimento econômico com distribuição
de renda. Isso é bonito, isso nos agrada a todos, isso precisa
ser comemorado, e é o que faço nesta ode. Sem o brilhantismo
de V. Exª, procuro apenas citar os dados, para que os brasileiros
sejam contagiados com essa euforia que trago hoje para esta tribuna.
Finalizando, quero dizer que o Rio de Janeiro espera que, com essa geração
de emprego, com esses investimentos, com a oportunidade de tecnologia
da nossa indústria de petróleo e de minerais, possamos diminuir
a violência que hoje tanto entristece e foi a razão de diversos
pronunciamentos que ouvi da tribuna desta Casa.
A violência está ligada diretamente à injustiça
social, à concentração de poder e de renda. Moisés
já dizia isso há quatro mil anos. Ele dizia, Senador Mão
Santa, que a paz é fruto da justiça e que a segurança
se estabelece com o direito.
Esses programas do PAC estão promovendo justiça e segurança
pelo direito de pessoas de viver não em casas improvisadas, com
habitabilidade deplorável, mas em casas decentes, em condições
de higiene e de saúde que todos desejamos para o nosso povo.
Finalizo, Sr. Presidente, dizendo também que, no Morro da Providência,
eu tenho uma participação efetiva. Levei esse projeto ao
Presidente Lula, no ano passado, quando ele determinou que o Ministério
das Cidades alocasse recursos. As obras estão sendo feitas pelo
Exército brasileiro e devem ser concluídas em poucos meses.
Visitei as obras na semana passada. Estamos enfrentando alguns problemas
administrativos, mas também o mau tempo. Obras, Senador Mão
Santa – digo como engenheiro e não como Senador –,
se tocam com duas coisas: dinheiro e sol, bom tempo. Isso é que
toca uma obra. Infelizmente, se os recursos não nos faltam, falta
bom tempo.
Mas, no Morro da Providência, eu queria, Senador Paulo Paim, dizer,
Senador Eduardo Suplicy, que o sangue rubro-negro, que, derramado, coloriu
o verde das águas dos rios, pela glória do Brasil, na Guerra
do Paraguai, está sendo hoje honrado com o trabalho, com o Projeto
Cimento Social, que está trazendo dignidade à primeira favela,
à primeira comunidade do Brasil.
Em honra aos nossos ancestrais, aos nossos heróis, essa é
a obra que o Presidente Lula faz no Rio de Janeiro.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
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