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Solicita
que funcionários da Sintergia (RJ) tenham estabilidade empregatícia.
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O
SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ. Pronuncia o seguinte discurso.
Sem revisão do orador.) – Muito obrigado, Senador Mão
Santa. Não poderia ter sido saudado com palavras mais comoventes.
Agradeço a V. Exª tal lembrança.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, senhores telespectadores da
TV Senado, ouvintes da Rádio Senado, senhores que nos engrandecem
e dignificam com suas presenças em nosso plenário, trago
aqui duas comunicações importantíssimas.
Uma delas vem dos funcionários de Furnas, assinada pelo Sr. Carlos
Arthur Hermes Fonseca de Souza Coelho, que é o Vice-Presidente
da Associação dos Contratados e Ex-Contratados e Prestadores
de Serviços em Furnas Centrais Elétricas S.A. e é
também Diretor Executivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas
de Energia do Estado do Rio de Janeiro – Sintergia – e também
assinada pelo Magno dos Santos Filho, que é o Presidente do Sindicato.
Os dois demonstram aqui uma justa e legítima preocupação
com esses funcionários de Furnas que, há mais de 15 anos
ininterruptos, são ameaçados de demissão, porque
não têm sua situação profissional ou empregatícia
regulamentada no sentido de dar a eles a estabilidade de que precisam.
Eles citam aqui que, à medida que as pessoas vão envelhecendo
e o risco de perder o emprego aumenta, aumentam também as doenças,
e, inclusive, já houve um caso recente da morte de um companheiro
que, sob risco da demissão, sofreu um infarto dentro do elevador
e ali faleceu.
Sr. Presidente, são 17.200 pessoas que dependem desse salário
e que rogam ao Senhor Presidente da República, companheiro Luiz
Inácio Lula da Silva, uma reunião em caráter de urgência,
para que se possa definir a situação desses trabalhadores
brasileiros, os quais tenho a honra de representar neste momento na tribuna
do Senado, fazendo este apelo para que encontremos uma saída que
dê a esses homens e mulheres o que lhes é de direito: a estabilidade.
Sr. Presidente, também quero trazer aqui ao conhecimento desta
Casa e do Senhor Presidente da República correspondência
do Sr. José Marcio Araújo de Alemany, que é presidente
da Apaferj. Ele faz aqui um relato – e o tempo não me permite
ler cada letra de cada palavra e cada palavra de cada sentença.
Ele diz que os Procuradores Federais, os Advogados da União e os
Procuradores da Fazenda Nacional, como têm um salário muito
defasado em comparação com o Judiciário e com o Ministério
Público, cada vez mais se candidatam a essas duas carreiras do
Estado, deixando claros abertos naqueles que hoje precisam agir. E agir,
eu diria, rapidamente e a tempo, para que não caia a arrecadação
pública e para que os interesses da Nação, em última
análise, os interesses públicos, do povo brasileiro não
sejam prejudicados.
De tal maneira que observa, com precisão, que os quadros dos Procuradores,
como dos Advogados da União, estão sofrendo pesadas baixas
porque seus profissionais estão fazendo concursos e aprovados para
as carreiras do Ministério Público e da Magistratura, em
que o salário é melhor.
Finalmente, Sr. Presidente, quero lembrar ao nosso ex-Colega, Senador
Sérgio Cabral, que hoje governa o Estado do Rio de Janeiro, a situação
dos funcionários estaduais, de todos os órgãos, sobretudo
os da Cedae.
Havia no meu Estado, Senador Mão Santa, uma renovação
– eles são celetistas –, mas uma renovação
na época em que celebravam acordos para aumento de salário,
mas numa época em que o Estado não os admitiria, a não
ser nas condições previstas pela Constituição,
que são de todos sabidas.
Agora essa cláusula foi retirada. No serviço público
estadual – V. Exª sabe –, os funcionários ficam
a mercê desse dilúvio de ódios, interesses e paixões
que se tornou a vida pública brasileira. E eles se ressentem de
que, amanhã, sob os ventos da política partidária,
possam perder o seu emprego – muitos deles já acima dos cinqüenta
anos de idade.
O Brasil tem crescido. No ano passado, 5,4%; a inflação
ficou em 4,75%. Crescemos e demos vantagens aos trabalhadores brasileiros,
que estão ganhando mais. Temos agora não só 32% entre
os consumidores da classe C, mas 43%. O Brasil está progredindo.
Portanto, peço ao Governador do meu Estado, e faço esse
apelo, porque estou sendo portador dos legítimos interesses dos
funcionários, trabalhadores, principalmente da Cedae, que cuidam
do abastecimento de água e também do tratamento e recolhimento
do esgoto do nosso Estado.
Eram essas, Sr. Presidente...
(Interrupção do som)
O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ) – Eram essas, Sr.
Presidente, as minhas palavras. Eu gostaria apenas de agradecer a V. Exª,
que me saudou com um discurso de Cristo, transcrito pelos seus apóstolos
Matheus, Marcos, Lucas e João, falando sobre os mansos, falando
sobre sede e fome de justiça. E queria dizer que hoje nós
todos no Senado somos unânimes em defender o arcópago do
nosso arcabouço jurídico, que é o Supremo Tribunal
Federal.
Lembro-me até de uma conferência de Rui Barbosa, escrita
por um também Senador chamado João Mangabeira – V.
Exª deve se recordar –, em que ele dizia que o problema do
Brasil naquela ocasião era que, nos instantes supremos da Nação,
o arcópago, o Supremo Tribunal Federal se calava.
Hoje, Mangabeira não poderia fazer a mesma observação,
porque o Supremo não tem se calado. Ele tem se mostrado presente,
mesmo quando, na defesa dos princípios constitucionais, tenha que
enfrentar uma opinião pública, muitas vezes na sintonia
da opinião publicada, mas um pouco distante daqueles princípios
que Rui Barbosa nos ensinava e dos quais não podemos fugir: do
acatamento à decisão dos tribunais íntegros e livres,
do respeito ao direito, do culto à liberdade. Esses princípios
que moram na alma e no coração de cada um de nós
Senadores que, muitas vezes, até por defeito nosso, não
temos conseguido passar para o nosso povo. E, nesse dilúvio que
citei há pouco, o linchamento das autoridades públicas acaba
sendo consagrado pela opinião pública e publicada.
Então, faço também minhas as palavras do Senador
Mozarildo, com os apartes que teve, para fazer a defesa do nosso Ministro
Gilmar Mendes, pedindo calma à Nação, porque o Supremo
Tribunal Federal precisa ser preservado.
Lembro daquela decisão que tirou o Presidente da república
da nação mais poderosa do mundo, à época,
Richard Nixon, que, quando se viu obrigado a dar conhecimento das fitas,
dos tapes que ele havia gravado naquele escândalo do Watergate,
por uma sentença escrita por um juiz inexpressivo, obscuro, que
nem sequer tinha uma automóvel, que andava de bicicleta. Mas, sabendo
que o Supremo Tribunal Federal iria acolher aquela sentença, o
Presidente da república achou mais importante, mais digno, mais
honrado renunciar ao seu cargo, porque sabia que estava diante de um Supremo
inexpugnável e que seria prestigiado pela Nação.
De tal maneira que nenhum brasileiro ganha ao desmoralizar ou levar ao
descrédito o nosso, repito, arcópago, o nosso Supremo Tribunal
Federal.
Parabéns a V. Exª pelas citações de Cristo e
muito obrigado pela generosidade com o tempo.
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