|
| |
Homenagem aos 199 da Polícia Militar do Distrito
Federal. Apelo por aumento salarial para militares de ex-territórios
e do antigo Distrito Federal.
|
O
SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ. Como Líder. Sem revisão
do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, senhores
telespectadores da TV Senado, senhores presentes neste Plenário,
gostaria de, na pessoa do Senador Paulo Paim, saudar hoje Nabuco, Patrocínio,
Princesa Isabel e tantos outros astros dessa constelação
de abolicionistas que encerraram 350 anos das mais tristes páginas
da história brasileira em que nossos irmãos, sujeitos a
16 horas diárias de trabalho, com alto índice de aborto
e de suicídio, sofreram as agruras da escravidão.
Gostaria também de saudar aqui o nosso petebista que acaba de discursar,
lembrando Getúlio, que, no dia 1º de maio de 1946, quando
assinou o decreto do salário mínimo, que dava ao trabalhador
brasileiro apenas o suficiente para não morrer de fome, não
sabia que ali assinava a sua sentença de morte. Os interesses financeiros
internacionais aliados ao capitalismo desalmado dos homens da fortuna
iriam plotar detalhadamente todas as angústias e agruras que fizeram
com que aquela figura consular que dominou o cenário histórico
do seu tempo com a renovação social do Brasil, Getúlio
Vargas, viesse a sair das páginas da vida para entrar para a história.
Srs. Senadores, eu gostaria de, hoje, prestar também uma grande
homenagem, muito merecida. E quero citar aqui o Sr. Carlos Franco, que
está ali, bem de frente para mim, e é Presidente da Associação
Nacional das Polícias Militares do Corpo de Bombeiros dos antigos
Territórios e do Distrito Federal, que tem também no Mozarildo
um grande lutador para que a lei se cumpra e que todos os benefícios
que são concedidos para Brasília sejam também estendidos
aos ex-Territórios, de forma que não fiquem de fora também
nossos soldados aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro.
Portanto, Sr. Presidente, gostaria de começar minhas palavras saudando
V. Exª.
Exmº Sr. Presidente, Exmªs Srªs e Srs. Senadores, senhores
telespectadores da TV Senado, ilustres servidoras, servidores e visitantes
que nos honram com as suas presenças neste plenário, hoje
ocupo a tribuna para prestar uma justa homenagem à gloriosa Polícia
Militar do Distrito Federal. Ao ensejo, antecipo minha congratulação
ao Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, que no dia 02 de julho estará
comemorando 158 anos da sua criação. Parabéns por
sua história repleta de glórias e conquistas.
Entretanto, a minha homenagem é dirigida em especial à aniversariante
do dia, a Polícia Militar do Distrito Federal, que hoje, dia 13
de maio, comemora 199 anos de sua criação e uma trajetória
gloriosa que se confunde com a própria história do nosso
País, pois a sua criação se deu logo após
o desembarque da família real no Brasil, ocorrido em 07 de março
de 1808.
Com efeito, já no ano seguinte a sua chegada, o Príncipe
Regente D. João VI, no dia do seu aniversário, 13 de maio,
decretou a criação da Divisão Militar da Guarda Real
de Polícia, primeira denominação da atual Polícia
Militar do Distrito Federal.
A corporação teve participação decisiva em
momentos importantes da história brasileira, como, por exemplo,
na Independência do País. No início de 1822, cerca
de um ano após o retorno de D. João VI a Portugal, se iniciaram
as articulações para promover a independência do Brasil.
Coube então àqueles milicianos, ao lado da Princesa Dona
Leopoldina e do Ministro José Bonifácio de Andrada e Silva,
manter a ordem pública na cidade, o que fez de forma coesa e fiel
ao então Príncipe D. Pedro, que se encontrava em viagem
às terras do atual Estado de São Paulo.
Ao longo de sua trajetória centenária, passaram pelos seus
quadros personagens notáveis, como o Major Luís Alves de
Lima e Silva, que a comandou em 1832 e que viria a se tornar um dos grandes
heróis brasileiros, imortalizado com o título de Duque de
Caxias e consagrado como Patrono do Exército Brasileiro. Esse grande
conterrâneo meu, com sua espada conciliadora, fundiu a unidade territorial,
política e moral da nossa Pátria.
Homem que dominava como poucos o manejo da espada e dotado de excepcional
capacidade de organização, Caxias deu ao então Corpo
Permanente – como se denominava a corporação à
época – uma feição policial-militar que, com
o tempo, apenas se aprimoraria. Também a comandou, em 1859, o bravo
soldado Antônio de Sampaio, Patrono da Infantaria do Exército
Brasileiro.
Também não posso deixar que seja esquecida a participação
decisiva daqueles policiais na Guerra do Paraguai, quando centenas de
seus oficiais e praças foram designados para constituir o 31º
Corpo de Voluntários da Pátria, em virtude de o País
não dispor de um contingente militar suficiente para combater os
quase 80 mil soldados paraguaios. Aqueles policiais partiram conduzindo
uma bandeira de seda, ofertada pela sociedade carioca e que de lá
regressou crivada por balas, após se fazer presente e tremular
em várias batalhas.
A visão das incontáveis vidas ceifadas e de um mar de sangue
derramado nos campos de batalha deu força aos que voltaram.
Eram homens maltrapilhos e semimortos, mas que traziam na fisionomia cansada
a altivez de quem contribuiu para grandeza da história da Polícia
Militar do Distrito Federal e do Brasil.
Mas não somente de heróis reconhecidos é feita a
sua história, pois muitos foram aqueles que tombaram anonimamente
em defesa da instituição e da Pátria, inclusive em
episódios de repercussão internacional.
Sr. Presidente, Srªs e Srs Senadores, eu precisaria de mais que o
tempo de uma sessão inteira apenas para exemplificar os incontáveis
feitos desses milicianos, mas a pauta dos nossos trabalhos não
nos permite. Assim, embora pesaroso, me adianto no tempo para lembrar
a transferência da capital da República e de sua força
policial, tratada pela Lei nº 3.752, de 14 de abril de 1960.
À época, como a antiga capital ainda não tinha condições
de absorver todos os seus componentes, parte do seu contingente foi cedida
ao Estado da Guanabara. Posteriormente, em 17 de julho de 1963, a Lei
nº 4.242 facultou aos que ficaram no Estado da Guanabara a opção
de permanecerem na condição de servidores militares federais.
Feita a opção e não tendo ainda a nova capital condição
de recebê-los, os que lá ficaram acabaram por ter uma sorte
diversa dos que vieram para Brasília, principalmente em seus minguados
contracheques. Acabaram envelhecendo no esquecimento.
Eis que, após 42 anos de luta, aposentados e pensionistas tiveram
corrigida, em parte, a discriminação cometida contra eles.
Digo “em parte”, pois, através da Lei nº 10.486,
de 4 de julho de 2002, tiveram seus vencimentos equiparados aos de seus
pares do Distrito Federal, o que representou uma grande vitória.
Entretanto, as posteriores concessões de vantagens aos integrantes
dessas corporações no Distrito Federal não têm
sido estendidas, injustamente, aos seus remanescentes do Estado do Rio
de Janeiro, que acabaram se tornando um problema para os seus pares de
Brasília.
Agora, a discriminação persistia pela concessão de
gratificações em caráter privativo para os militares
do Distrito Federal.
Desta maneira, foram criadas a Gratificação de Condição
Especial de Função Militar (GCEF) e a Vantagem Pecuniária
Especial (VPE), esta última reajustada através da MP nº
401, de 2007, intensamente debatida neste plenário, em 1º
de abril passado, quando ficou acertado com a Liderança do Governo
que tal distorção seria reparada por ocasião da concessão
do reajuste para as Forças Armadas. Hoje completa 42 dias aquela
votação histórica.
Na semana passada, a Medida Provisória nº 426, de 8 de maio,
concedeu novo reajuste privativo para a Polícia Militar e o Corpo
de Bombeiros Militar do Distrito Federal, mediante mais uma alteração
dos valores da Vantagem Pecuniária Especial (VPE).
Enquanto isso, a medida provisória que concederia aumento aos militares
das Forças Armadas – e que acabaria com a discriminação
contra os remanescentes da Polícia e dos Bombeiros Militares do
ex-Distrito Federal e dos ex-Territórios do Amapá, de Rondônia
e de Roraima –, chegou a ter os percentuais divulgados pela mídia,
mais ainda não foi editada.
Srªs e Srs. Senadores, eu gostaria de poder justificar por que os
remanescentes do antigo Distrito Federal não têm o mesmo
tratamento conferido aos demais membros dessas corporações,
pois Brasília tem apenas 48 anos e ambas as instituições
têm mais de um século de existência.
Eu gostaria de poder explicar ao Segundo-Sargento Nery Carneiro da Silva,
nascido em 17 de setembro de 1906, que ingressou na Polícia Militar
do Distrito Federal em 1926, a razão pela qual, mesmo depois de
o terem reconhecido como servidor militar federal, esqueceram-no novamente,
negando que ele seja membro da Polícia Militar do Distrito Federal.
O Sargento Nery foi para a inatividade em 1950, antes da mudança
da capital. Então, como pedir-lhe paciência, argumentando
que espere a edição de outra medida provisória que
lhe garanta o direito negado?
Infelizmente, o Sargento Nery faleceu no mês passado, aos 101 anos
de idade, na angústia de ter sido renegado por aqueles que deveriam
admirá-lo e, também, por não ter a sua história
considerada como parte da história da corporação
a que serviu com dedicação sacerdotal.
Este certamente deve ser um momento de júbilo para os militares
da Polícia e Bombeiros Militares do Distrito Federal, seja pela
ocorrência do aniversário das instituições,
seja pela concessão de mais um merecido reajuste salarial. Mas
me assalta a dúvida de se também não lhes aflige
o fato de que seus precursores estão alijados dessa comemoração.
Logo eles, que tanto fizeram para engrandecer a história dessas
corporações militares. Como não lhes dar o mesmo
direito, se a história de ambos é a mesma?
Só existe uma maneira de corrigir essa injustiça: pelo cumprimento
do que foi acordado aqui neste plenário. Para tanto, apelo ao Líder
do Governo, o nobre Senador Romero Jucá, para que ultime as providências
necessárias para que seja enviada ao Congresso Nacional uma medida
provisória ou projeto de lei concedendo aos militares dos ex-territórios
e aos remanescentes do antigo Distrito Federal as mesmas gratificações
que foram concedidas às corporações militares do
Distrito Federal. Isso faria cumprir o que está redigido pela Lei
nº 10.486, de 2002, Lei de Remuneração dos Militares
do Distrito Federal, que em seu artigo 65 estabelece:
Art. 65. As vantagens instituídas por esta Lei se estendem aos
militares da ativa, inativos e pensionistas dos ex-Territórios
Federais do Amapá, Rondônia e de Roraima, e aos militares
inativos e pensionistas integrantes da Polícia Militar e do Corpo
de Bombeiros Militar do antigo Distrito Federal.
O § 2º do
mesmo artigo consagra:
§ 2º O mesmo
procedimento aplicado aos militares do Distrito Federal será adotado
para os remanescentes do antigo Distrito Federal.
Neste
momento, mais uma vez, concito ao Senador Romero Jucá, que participou
ativamente das negociações do dia 1º de abril, e aos
demais Senadores do Estado do Rio de Janeiro, bem como aos nobres Senadores
do valente Estado do Amapá, de Rondônia e de Roraima, para
que juntos façamos uma cruzada cívica ao Palácio
do Planalto e ao Ministério do Planejamento para apelar, insistir,
rogar, propor a reparação dessa injustiça, pois nem
podemos nem devemos deixar que aqueles a quem representamos continuem
esquecidos, jogando por terra toda a sua gloriosa trajetória.
Dessa maneira, vamos mostrar que o Senado Federal, mais uma vez, está
ao lado daqueles que não conseguiram se fazer ouvir, a despeito
do papel decisivo que tiveram na história do nosso Brasil.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, se assim agirmos, quem sabe,
no próximo ano, quando a Polícia e o Corpo de Bombeiros
Militares do Distrito Federal estarão comemorando seus aniversários
de 200 e de 159 anos de existência, respectivamente, possamos ver
unidos os hoje chamados “do antigo Distrito Federal” e “dos
ex-territórios”, festejando, irmanados com os seus sucessores,
o passado de glória de suas corporações. Só
assim teremos dado uma contribuição adequada para corrigir
uma injustiça que se arrasta por quase meio século.
Termino, Sr. Presidente, com a Oração do Policial Militar:
Senhor, vós sabeis quão árdua é a minha missão,
quase sempre incompreendida pelos homens. É triste, Senhor, arriscar
a minha vida e não ser reconhecido e, algumas vezes, criticado
ou injustiçado. É triste, Senhor, despedir-me do lar e não
ter a certeza se a ele vou retornar. Mas é consolador, Senhor,
o sentimento do dever cumprido e a certeza de que minha figura anônima
evitou um crime ou salvou uma vida. Dai-me, Senhor, a Vossa graça
para que possa honrar a minha farda e renovar, diariamente, perante Vós,
o juramento de defender a sociedade mesmo com o sacrifício da minha
própria vida.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
Imprimir

|