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Homenagem a Leonel Brizola.
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O
SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ. Pronuncia o seguinte discurso.
Sem revisão do orador.) – É com muita honra e alegria,
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, telespectadores da TV Senado
e ouvintes da Rádio Senado, que faço uso da palavra nesta
sessão destinada a homenagear Leonel de Moura Brizola pelo transcurso
do quarto aniversário de seu falecimento.
Ele teve marcante participação na história do nosso
País, dos idos da década de 50 até nossos dias, e
deixa seu exemplo como fonte de estudo para a nossa geração
e para as gerações futuras.
Leonel de Moura Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922 no povoado de
Cruzinha. Alfabetizado por sua mãe, Onívia de Moura Brizola,
começou na escola primária em 1931, em Passo Fundo. Em 1940,
mudou-se para Porto Alegre e obteve emprego no serviço de parques
e jardins da prefeitura. Para continuar seus estudos, matriculou-se no
Colégio Júlio de Castilhos. Em 1945, começou a cursar
Engenharia Civil na Universidade do Rio Grande do Sul, formando-se em
1949.
Simpatizante do Presidente Getúlio Vargas, Brizola ingressou no
PTB em agosto de 1945. O PTB, que tinha a maioria na Assembléia,
aprovou (com o apoio de Brizola) a instituição do regime
parlamentarista no Estado, o que foi, Sr. Presidente, derrubado no Supremo
Tribunal Federal como medida inconstitucional.
Em 1952, foi nomeado Secretário de Obras do Governo Ernesto Dornelles.
Dois anos depois, foi eleito Deputado Federal pelo PTB, em outubro de
1954. Tomou posse na Câmara em 1955, mas ficou pouco tempo, porque
foi eleito Prefeito de Porto Alegre. Sua gestão foi marcada pela
construção de escolas primárias, o que marcaria toda
a sua vida, e melhoria dos transportes coletivos.
Em outubro de 1958, foi eleito governador gaúcho com mais de 55%
dos votos. Em janeiro de 1959, criou a Caixa Econômica Estadual
e adquiriu o controle acionário do Banco do Rio Grande do Sul.
Criou a Aços Finos Piratini e a Companhia Riograndense de Telecomunicações
e pressionou o Governo Federal a instalar uma refinaria no Estado. Encampou
a Companhia Telefônica Rio-Grandense, uma subsidiária da
International Telephone & Telegraph. No setor de educação,
construiu 5.902 escolas primárias, 278 escolas técnicas
e 131 ginásios e escolas normais.
No nosso querido Estado do Rio de Janeiro, foi governador duas vezes:
de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994. E seus dois governos foram marcados por
importantes realizações. Gostaria de destacar a construção
do Sambódromo, da Linha Vermelha, da Universidade Estadual do Norte
Fluminense e, principalmente, os Centros Integrados de Educação
Pública, os Cieps.
Com instalações projetadas por Oscar Niemeyer, o Governador
Leonel Brizola inaugurou, em 1993, a Universidade Estadual do Norte Fluminense.
Com sede em Campos dos Goytacazes e unidades em Macaé (Petróleo
e Gás), Itaperuna (Engenharia Agrária), Santo Antonio de
Pádua (Veterinária) e Itaocara (Agricultura), a UENF é
uma universidade que tem por objetivo a formação de cientistas
e tecnólogos e, talvez, uma grande legenda, um grande patrimônio
que se acrescentou, com dimensões definitivas, ao arcabouço
da nossa civilização fluminense.
De todas as realizações do Governo de Brizola no Rio, sem
sombra de dúvida, aquela que mais atendeu aos anseios da população
pobre foram os Centros Integrados de Educação Pública,
idealizados e planejados por Darcy Ribeiro, na parte organizacional e
pedagógica, e por Oscar Niemeyer, na concepção arquitetônica.
Sr. Presidente, logo no início da sua gestão, o Governador
Leonel Brizola pensou em multiplicar pequenas escolas por todo o Estado,
como já fizera no Rio Grande do Sul. Entretanto, logo se verificou
que a ampliação do número de escolas, por si só,
não resolveria a questão da jornada escolar muito reduzida.
Então, Sr. Presidente, ele pensou em instalar Centros Culturais
Comunitários para receber as crianças durante cinco horas
adicionais.
(O
Sr. Presidente faz soar a campainha.)
O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ) – Também chegou
a ser cogitada a construção de Escolas-Parque, semelhantes
às que Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro implantaram em Brasília,
mas a prática recomendou a superação dessas proposições
iniciais para a definitiva concepção dos Cieps. O Ciep,
mais tarde, passou a ser chamado carinhosamente pela nossa população
de “Brizolão”.
Por isso tudo, Sr. Presidente, cumprimento o Senador Cristovam Buarque,
do PDT, por essa iniciativa tão auspiciosa de homenagear esse grande
líder nesta sessão.
Sr. Presidente, queria terminar apenas fazendo a narrativa do dia de sua
morte, um elogio fúnebre daquele derradeiro momento, quando houve,
no Rio de Janeiro, em cada coração uma dor, em cada alma
uma lágrima, em cada lar um voto de pesar e tristeza. É
que Leonel de Moura Brizola, Sr. Presidente, não veio ao mundo
para plantar o ódio, veio para semear o amor. E, por isso mesmo,
naquele dia, naquela tarde, uma imensa multidão se agitava no coração
da nossa capital e se colocava por extenso ao longo das ruas e avenidas
adjacentes ao Palácio Guanabara para prestar a última e
derradeira homenagem ao grande líder, ao Deputado, ao Prefeito,
ao Governador, ao servidor do povo, ao amigo de todos, que horas antes
a morte nos arrebatara tragicamente. Foi o seu último encontro
com o povo generoso do Rio de Janeiro, que o recebeu, ouviu e elegeu na
volta do amargo e injusto exílio. E esse encontro, Sr. Presidente,
eu presenciei, foi monumental, foi o ato mais solene e majestoso de revogação
de todas as injúrias e calúnias que na vida pública
lhe arrogaram os ódios e paixões.
Sua vida exemplar, tecida no trabalho, no estudo, na bondade, na lealdade
irreparável e nos princípios democráticos que pautavam
sua conduta, honra e dignifica a memória política do nosso
País e é patrimônio de dimensões monumentais
para a nossa história.
Cada amigo, cada correligionário, até mesmo os adversários,
do mais simples homem do povo até o Presidente da República,
que ali também compareceu, todos traziam no coração
e no olhar a expressão mais sincera de admiração,
respeito e gratidão por todas as lutas e campanhas políticas
históricas daquele grande brasileiro.
Outro como ele, Sr. Presidente, tardará muito a nascer! Mas seu
exemplo de vida, sua dignidade e fidelidade inquebrantáveis aos
mais altos valores e amor à Pátria são como um facho
de luz nos momentos mais tormentosos e graves da vida nacional a iluminar
e mostrar o caminho certo e seguro para os destinos da Nação.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
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