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Crivella lamenta que recursos de emenda de sua autoria não
tenham sido utilizados
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SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB–RJ. Pronuncia o seguinte discurso.
Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, muito obrigado.
Srs. Senadores, Srs. telespectadores da Rádio Senado, Srs. ouvintes,
todos os presentes; Sr. Presidente, quero lhe transmitir aqui os parabéns
da minha querida mãe, que assistiu ao seu pronunciamento e ficou
muito feliz quando V. Exª citou Carlos Lacerda, que foi Governador
do meu Estado, uma grande tribuno, padrinho de casamento dela. Portanto,
minha mãe tem uma admiração muito grande por ele.
Ela foi lacerdista, foi udenista e tem, então, um carinho muito
grande por esse grande político da minha terra. Passo então
a V. Exª os parabéns pelo seu discurso.
E digo mais, Sr. Presidente: V. Exª, ontem, conseguiu a unanimidade
de Deputados e Senadores, que aplaudiram cada ponto colocado, com muita
consciência e muita coragem, diante do Chefe do Executivo aqui representado
e diante do Chefe do Legislativo, para mostrar que este Poder, que esta
Casa é a Casa da democracia, é uma Casa sem armas. E por
isso mesmo todos nós, com certeza, amarguramos vilipêndios.
Eu, por exemplo, tenho amargurado muitos vilipêndios nos últimos
anos da minha vida no Senado Federal, mas esses vilipêndios não
me abatem nem me diminuem.
Eu tenho certeza de que tenho crescido no coração do meu
povo e encontrei, na humildade cristã, as forças da altivez
e da honra para enfrentar e suplantar as maquinações do
ódio e as paixões que nos arrogam na vida pública.
Mas, Sr. Presidente, quero dizer que venho aqui hoje lamentar profundamente
as mortes de conterrâneos meus, vitimados pelas últimas chuvas.
Lamentar também, Sr. Presidente, que Petrópolis, essa cidade
tão bonita, fundada e bem organizada por D. Pedro II, um ilustre
brasileiro, talvez o mais conspícuo de todos os brasileiros, que
estruturou os quatro decênios do seu Império nas lutas, no
sacrifício e na austeridade, hoje ainda tem um déficit habitacional
muito grande.
Por isso, eu determinei a mim mesmo, todos os anos, destinar R$500 mil
para a habitação de famílias de baixa renda naquela
região. Infelizmente – e lamentei isso aqui da tribuna diversas
vezes, e por ofícios também –, a prefeitura local
deixou que esse dinheiro retornasse a Brasília. E V. Exª sabe
que é difícil conseguirmos liberar nossas emendas. É
um cobertor curto. Todo mundo puxa. São 513 Deputados, 81 Senadores.
Quando nós conseguirmos colocar o dinheiro na Caixa Econômica,
ficamos na apreensão de que o prefeito apresente o projeto, apresente
o terreno, comece a obra.
E, infelizmente, em Petrópolis, isso não aconteceu. Eu lamentei
profundamente. No desespero, fui à imprensa local, dei entrevista
aos jornais, mas ainda assim não consegui sensibilizar as autoridades
locais. E agora lastimo muito que essas famílias tenham perdido
suas vidas, familiares, amigos, por falta de uma política de habitação,
sabendo que R$1 milhão das minhas emendas voltou, porque os projetos
não foram apresentados.
Sr. Presidente, é uma pena que tenhamos que começar a nossa
Sessão Legislativa lamentando o número de medidas provisórias.
Durante três anos, lutei nesta Casa para tirar a bebida alcoólica
dos postos de gasolina e das estradas brasileiras. Numa das últimas
reuniões da Comissão de Constituição e Justiça,
por unanimidade, depois de três anos, com o relatório do
nobre Senador Tasso Jereissati, consegui aprovar o projeto. Foi uma vitória
para a vida parlamentar de qualquer Senador. A matéria foi para
a Câmara dos Deputados, articulei naquela Casa com os relatores,
enchi-me de esperanças de ver esse projeto aprovado, mas o Governo
baixou uma medida provisória que atropelou a discussão no
Congresso Nacional e pronto: a medida é tomada.
Sr. Presidente, isso tira do nosso Congresso Nacional... Eu diria que
é como se pegássemos a bola com o goleiro, saíssemos
num desespero, levando falta, num dia molhado, num campo enlameado, vencendo
o meio-de-campo, passando a bola e recebendo-a, com um relatório
e outro, e, quando estamos prontos para fazer o gol, então o Governo
emite uma medida provisória. Não é a primeira vez.
Pelo contrário. Isso acontece de maneira contumaz; isso sempre
ocorre, deixando a discussão abortada. Ele simplesmente toma essa
medida, tirando de nós todos o gosto pela legislação,
o gosto por legislar.
No mesmo momento, vi também que, no Pronasci, duas emendas que
fiz, uma para a instituição da comunicação
cidadã e outra para o combate ao crime organizado, não foram
admitidas pela base do Governo na Câmara dos Deputados, mas depois
foram copiadas exatamente e incorporadas ao projeto. Sou da base do Governo
e defendo aqui o Presidente Lula, porque tenho nele um grande líder.
Tenho no Vice-Presidente da República um dos políticos mais
altivos e maiores do seu tempo, José Alencar, que nessas férias
enfrentou, Sr. Presidente, tantos momentos difíceis, mas, graças
a Deus, tem vencido com altivez e bravura e está aí conosco
despachando o expediente, ainda que tenha realizado sessões de
quimioterapia nesses últimos dias. Mas lamento, Sr. Presidente.
Gostaria de concluir o meu breve pronunciamento, dizendo que assinei a
CPI para fiscalizarmos os cartões de crédito. É lógico
que dizer, de maneira generalizada, que há roubalheira no sistema
é uma infâmia. É preciso punir os servidores que usaram
mal o cartão, mas trata-se de uma forma consagrada pelo Tribunal
de Contas e pela Justiça brasileira – e foi criada no outro
Governo –, que nos permite verificar, com detalhes, as despesas.
Se agora podemos em uma CPI nos debruçar sobre todos os extratos
e verificar os funcionários ordenadores de despesas que fizeram
mau uso desse dinheiro, é graças ao cartão de crédito.
Infelizmente, houve saques, e espero que a CPI e seus membros requeiram
dos que os realizaram todos os documentos que devem ter sido anexados
na prestação de contas desses saques em dinheiro.
Mas, Sr. Presidente, essa é uma medida positiva. Tenho certeza
de que o Governo do Presidente Lula não se eximirá de prestar
todas as informações, e sairá fortalecido.
É claro que o povo brasileiro entende que o Presidente viajou esse
mundo e fez com que o Brasil apresentasse uma série histórica
de superávits na balança comercial, que nunca tivemos no
passado e que nos deram uma folga. Hoje, o Brasil tem, em reservas internacionais,
mais de US$200 bilhões, o que nos dá certo conforto diante
da crise que vivemos do subprime nos Estados Unidos.
É claro que um Presidente tem muitas despesas. É claro que
o Brasil, para crescer os 5% que cresceu neste ano, também necessitou
que seus ministros viajassem, e muito. A administração de
um grande programa como o PAC também exige muitas viagens. Tudo
isso tem despesas. E essas despesas, nessa CPI do cartão corporativo,
com certeza, serão checadas, e os maus funcionários, aqueles
que usaram os recursos públicos de maneira indigna, responderão
pelos seus atos.
Sr. Presidente, é com muita alegria que quero terminar meu pronunciamento,
saudando V. Exª. Nós, que votamos no Senador do Rio Grande
do Norte, cuja vida é tecida no estudo, no trabalho, na bondade
e nessa inflexível determinação de preservar os valores
perenes da Pátria e que tem uma carreira tão bonita, de
vitórias – V. Exª disputou dez eleições
e só perdeu uma; isso é um recorde, uma coisa extraordinária
–, temos certeza de que vai brilhar na Presidência desta Casa,
para orgulho de todos nós, seus companheiros.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
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