Discurso de 01/04/08

 

 

Solicita funcionamento dos postos de saúde durante as 24 horas do dia em função da epidemia de dengue no Estado do Rio

O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ. Para discutir. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, esta medida provisória é fundamental para o Estado do Rio de Janeiro. Dos R$ 50 milhões, R$ 30 milhões são para a saúde do Rio. Estamos vivendo uma endemia perigosíssima. Já tivemos uma crise, isso é crise cíclica, tivemos uma crise em 2002, quando circulava o mosquito do tipo 1. Agora, Sr. Presidente, o mosquito que circula é do tipo 2 e 3. As crianças que nasceram em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 e não foram inoculadas pelo mosquito do tipo 1 estão agora com o caso mais grave de dengue. E esses casos de dengue que evoluem para a dengue hemorrágica são uma tragédia. Precisamos de sete doadores, sete doadores para salvar uma vida, porque as crianças precisam de muito sangue, muitas plaquetas, muito plasma. Sete doadores para salvar uma vida!
Sr. Presidente, estamos fazendo hospitais de campanha, as Forças Armadas fizeram três; abrimos tendas para socorrer as pessoas por todo o Estado, uma iniciativa louvável do Governador do Rio de Janeiro.
Na rede pública, mesmo hospitais de alta complexidade estão abrindo leitos para atender a essas pessoas.
Agora, Sr. Presidente, nós não podemos aceitar que os 117 postos de saúde da rede municipal não abram 24 horas. Faço aqui um apelo dramático: no momento em que votamos essa MP de R$50 milhões, dos quais R$30 milhões para a saúde, sendo que grande parte desse dinheiro é para o combate da Aids e da dengue, que o nosso Prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, tome a decisão política, importantíssima para nós, de manter os postos de saúde abertos 24 horas, porque o Rio de Janeiro é o epicentro dessa crise. Agora, é preciso que todos nós, independentemente de partido, unamo-nos nesse esforço.
Sr. Presidente, se os postos de saúde da rede municipal do Rio de Janeiro ficassem abertos 24 horas, seria um alívio para as pessoas. Por quê? Porque a rede privada já está engarrafada, não há mais leitos nela. Os três hospitais de campanha abertos pelo Exército, Marinha e Aeronáutica estão atendendo, mas de forma setorizada. Eles não têm capilaridade como a nossa rede pública municipal de postos de saúde. Então, isso é muito importante.
Se houver necessidade de recursos, é certo que temos de ajudar. Os Governos federal e estadual precisam dar as mãos e nós precisamos nos unir agora para colocar à disposição da nossa população os medicamentos, os médicos, os leitos, o tratamento necessário e, inclusive, o sangue.
É preciso também que o carioca... O carioca é, Sr. Presidente, em toda essa coleção de pessoas ilustres, de nacionais que existem do Oiapoque ao Chuí, é um ser especial. Sem sombra de dúvida, seu espírito de solidariedade, de amor ao próximo e de simpatia comove a todos.
Estivemos, eu, minha esposa e meus companheiros de Partido, no sábado, Sr. Presidente, no Hemocentro para fazer doação e encontramos uma fila enorme. Havia centenas de pessoas ali também para doar, para dar a sua parcela de sacrifício e, de alguma forma, ajudar nessa grave crise que hoje acomete o nosso Estado.
Então, se, por um lado, estamos mobilizando bombeiros, militares – são 2.400 homens caçando os focos infestados de mosquitos para matá-los antes que piquem as pessoas –, é preciso também, na outra ponta, que venhamos a atender a centenas, milhares, dezenas de milhares de crianças que agora estão entupindo as redes pública e privada.
Por isso, neste momento, faço este apelo veemente. Tenho certeza de que serei ouvido porque confio no espírito público, confio na lucidez desse político – um dos maiores do seu tempo, no Rio de Janeiro – que é o nosso Prefeito César Maia, que, certamente, há de ouvir esse apelo, há de mandar abrir e, se for necessário, fazer todos os convênios e os repasses de recursos para que não falte à população carente, a nossa gente sofrida e valente do Rio de Janeiro, o remédio e o atendimento de que precisam neste momento.
Sr. Presidente, essa MP é fundamental, pois trata disso.
A partir de agora, também no Rio de Janeiro, assumimos um compromisso cívico: nós todos, cariocas e fluminenses, vamos lutar, incessantemente, para não mais acontecer uma endemia como essa no ano que vem na Baixada Fluminense ou entre as crianças da nossa cidade do Rio de Janeiro.
Precisamos manter a nossa perspectiva iluminada, que é não de cidade da dengue, mas de cidade maravilhosa, de encantos mil, a mais linda do Brasil, e vai continuar sendo.
Por isso, neste momento, é importantíssimo nós todos, unidos, podermos debelar esse mosquito, esse pequenino mosquito que tem causado tanta tristeza e dor na nossa cidade.
Muito obrigado, Sr. Presidente.

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