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O SR.
MARCELO CRIVELLA (Bloco/PL - RJ. Para uma comunicação
inadiável. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente,
Srªs e Srs. Senadores, venho hoje à tribuna do Senado
Federal prestar um esclarecimento, não como Senador do Rio
de Janeiro, mas como membro da Igreja Universal, da qual participo
desde a sua fundação.
Tivemos
um numerário apreendido pela Polícia Federal em Brasília,
em malas que transportavam ofertas de membros da igreja da região
da Amazônia e da região de Brasília. Desejo
dizer que a Igreja fez um comunicado oficial nessa manhã:
A
Igreja Universal do Reino de Deus (URD) é uma entidade religiosa
devidamente inscrita, com sua sede nacional sito a Av. João
Dias, 1.800, Santo Amaro, São Paulo, onde centraliza os pagamentos
de despesas (impostos, aluguéis, empregados, conta de água,
luz telefone, aquisição de bens móveis e imóveis
etc.) dos seus templos em todo o Brasil, sendo que todos os controles
contábeis e financeiros são efetivados exclusivamente
em sua Matriz. Esta é uma decisão administrativa da
IURD em função da burocracia do sistema bancário.
O
dinheiro transportado no avião, apreendido pela Polícia
Federal, tinha como finalidade o depósito em São Paulo,
e isso foi declarado no embarque desse numerário na cidade
de Manaus para o pagamento das despesas referidas no parágrafo
anterior.
O
dinheiro é resultado de doações dos fiéis
em uma comemoração especial ocorrida nos templos da
Igreja no sábado, dia 9 de julho, quando a Igreja comemorou
28 anos de existência.
A
Igreja Universal do Reino de Deus, por meio de sua diretoria constituída,
autorizou por escrito que pessoas transportassem os valores, uma
vez que as agências bancárias não ofereciam
condições nos Estados.
Todo
valor transportado para depósito em São Paulo era
em moeda nacional e não caracteriza nenhum ato criminoso,
sendo que teve origem categoricamente comprovada e amparada pela
Constituição Federal.
O
Deputado Federal e Bispo João Batista, do Partido da Frente
Liberal, e os demais presentes no avião portavam autorização
expressa da Igreja para o transporte de dinheiro, inclusive com
descrição da origem e finalidade dos valores.
O
Bispo João Batista, Deputado do Partido da Frente Liberal,
portava tal autorização, porque também responde
como Presidente da IURD.
Sr.
Presidente, desejo fazer esclarecimento de maneira categórica.
A Igreja Universal do Reino de Deus tem mais de 10 mil igrejas no
Brasil; só na região da Amazônia, mais de mil.
No sábado, fez 28 anos de idade, reuniram-se nos templos,
e foi feita uma coleta. Ora, mil igrejas, com média de 500
pessoas, e muitas delas têm muito mais do que 500 membros,
com cada um dando R$5,00 (cinco reais), só aí já
são R$2,5 milhões de reais! Todo esse dinheiro apreendido
pela Polícia Federal tinha origem: a Igreja que tinha mandado.
Os valores eram em notas pequenas, R$5,00 (cinco reais), R$10,00
(dez reais), R$20,00 (vinte reais), 70% do numerário; os
outros 25% eram em notas de R$50,00 (cinqüenta reais), e apenas
5% eram em notas de R$100,00 (cem reais). A Igreja tem mais de 10
milhões de fiéis; a maioria são pessoas simples,
que dão à Igreja R$5,00 (cinco reais), R$10,00 (dez
reais), como fazem também os membros da Igreja Católica
e das demais igrejas.
Não
é possível pegar R$3 milhões ou R$4 milhões
, em notas de R$5,00 (cinco reais) e convencer uma agência
de banco, em Manaus, ou no Pará, ou no Rio Grande do Norte,
a contar todo esse numerário e depois mandar para São
Paulo, onde todos os pagamentos são centralizados. Nenhum
gerente de banco há de querer manter quatro, cinco, seis
funcionários contando notas tão miúdas, para
depois esse dinheiro não ficar na agência e ser transportado
para São Paulo, onde se faz o pagamento dos aluguéis,
da compra de imóveis, dos salários, da luz, do telefone,
de mais de dez mil templos que envolvem, pelo menos, dez milhões
de pessoas no Brasil.
Fiquei
satisfeito, Sr. Presidente, porque me lembro que, quando a igreja
se iniciou, fizemos uma grande reunião no Maracanã
e, naquela época, foi capa do Jornal O Globo uma fotografia
que mostrava obreiros da igreja carregando sacos de dinheiro oriundos
da oferta. Naquela época, a igreja era pequena e pairava
uma grande desconfiança se aquele dinheiro teria a destinação
para a qual o povo deu. Hoje, não pode mais haver essa desconfiança,
a não ser por pessoas movidas de má-fé, que
acho não é o caso das pessoas daqui.
São
mais de dez mil igrejas, catedrais construídas em todas as
capitais para, no mínimo, cinco mil pessoas. É uma
igreja que alcançou 105 países com brasileiros. É
tese no Itamaraty de vários Ministros que querem galgar o
cargo de Embaixador, por ser uma entidade brasileira com representação
internacional sem precedentes na história recente do País.
É,
portanto, dinheiro de doação. Não tem nada
a ver com dólares escondidos em cuecas, não vem de
corrupção e foi transportado por um Deputado Federal
que não se licenciou e continua sendo o Presidente do Partido.
A
Polícia Federal interceptou esse dinheiro em Brasília,
porque ele foi declarado em Manaus. Ele não entrou no avião
sem que fosse do conhecimento das autoridades. E foram eles que
avisaram à Polícia Federal e esperaram as ofertas
em Brasília. Esse dinheiro foi levado à Polícia
Federal não por desconfiarem da origem, mas porque achavam
que poderia haver nota falsa. Até o momento, contaram todas
essas notas e não encontram nenhuma falsa. Se, por acaso,
encontrarem, é de alguma pessoa que deu uma oferta sem saber
que se tratava de nota falsa. Mas é claro que, num valor
de milhões, poucas notas falsas jamais poderão comprometer
o restante.
Portanto,
Sr. Presidente, venho a esta tribuna para prestar hoje um esclarecimento.
Sei que o contexto dos fatos é conturbado, sei que muitas
pessoas apressadas, caluniosas, e outros, por outros interesses
- até porque a igreja tem parceria com a TV Record, e isso
desperta nos adversários, na concorrência, expectativas
-, podem querer difamar, mudar, dar outras interpretações.
O
Bispo João Batista é um economista, é uma pessoa
que conheço há mais de 25 anos - a igreja foi inaugurada
há 28 e ele, possivelmente, participa há 25 -, é
uma pessoa ilibada, um Deputado que jamais faltou com o decoro,
e ele prestou esse serviço porque não havia outra
possibilidade.
É
um dinheiro que é necessário à igreja, que
tem despesas enormes, e envolve milhões de pessoas. Esse
transporte não podia ser feito de outra maneira. Quisera
que a igreja não precisasse pagar aluguel de avião
para transportar esse dinheiro.
Mas,
como eu disse, agências estaduais não aceitam que um
volume tão grande, em notas tão pequenas, seja depositado,
tenha de ser contado e, depois, transferido para São Paulo,
onde, por questões estratégicas e até de custo,
toda despesa é centralizada, é feita e é paga.
(O
Sr. Presidente faz soar a campainha.)
O
SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PL - RJ) - Sr. Presidente, esses eram
os esclarecimentos que me cabiam, como membro da Igreja, não
como Senador do Estado do Rio de Janeiro, onde tive 3,2 milhões
de votos. Os membros da Igreja no Rio de Janeiro não passam
de quinhentos mil.
Portanto,
venho aqui dar um testemunho de quem participa, de quem conhece
os fatos. Já avisei tudo isso ao Sr. Ministro da Justiça,
logo de manhã, a Igreja preparou uma nota. Eu até
gostaria de pedir à Polícia Federal que tratasse o
assunto da maneira certa, sem exploração política.
Sei que, neste momento, existe talvez uma rivalidade do partido
do Governo contra o PFL, e as notícias dão foco sempre
como um Deputado do PFL. Não era na situação
de Deputado do PFL que ele estava no avião; ele estava ali
como Presidente da Igreja e com documentos que o autorizavam a isso.
Qualquer
exploração política poderá causar risco
de vida a milhares de pastores, que poderão ter as suas igrejas
invadidas porque noticiários ou policiais em busca de não
sei o quê - de repente a glória - querem expor os fatos
e transformá-los num escândalo que não se constitui.
Os fatos não se constituem em nenhum escândalo, em
nada ilegal. Não existe nada que proíba uma igreja
de transportar suas ofertas para fazer o pagamento de suas despesas
onde ela tem a sede.
Sr.
Presidente, espero ter prestado os esclarecimentos necessários,
esclarecido os fatos, e que um trabalho tão bonito feito
em 28 anos e que alcança 105 países não sofra
com todo o contexto da situação política que
vivemos hoje no País.
Muito
obrigado, Sr. Presidente.
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