|
Marcelo
Crivella
Há
cinqüenta e quatro anos, no governo do presidente Getúlio
Vargas, foi instituída a coletânea da legislação
trabalhista do País, a CLT - Consolidação das Leis
Trabalhistas, tendo como representativo maior a “Carteira de Trabalho”.
A CLT foi o marco mais importante das conquistas dos direitos do trabalhador.
Além disso, foi também um marco na virada da história
do país, que deixava de ser uma economia agrícola, para
se tornar cada vez mais industrial.
Decretada em 1º de maio de 43, a CLT entrou em vigor em novembro
daquele ano. De lá para cá, outras vitórias vieram
sendo acumuladas, como o 13º salário, em 1962, e o “Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço” - o FGTS -, em 1966. Contudo,
a despeito dessas conquistas, ainda convivemos com condições
de trabalho medievais em determinadas atividades profissionais, principalmente
aquelas desempenhadas pelos trabalhadores braçais.
Digo isso a partir da minha experiência pessoal. Engenheiro de formação,
por muitos anos convivi nos canteiros de obras com operários dos
mais diversos níveis. Aos mais modestos - normalmente subnutridos
e de compleição franzina -, são impostos trabalhos
extremamente estafantes. São sacos de cimento, com cinqüenta
quilos, transportados, todo o dia e o dia inteiro, na cabeça desses
homens.
No campo, a situação não muda, apenas o peso. Lá,
as sacas de arroz, feijão, milho, dentre outras, pesam sessenta
quilos. As condições de trabalho e porte físico dos
trabalhadores são os mesmos. Esse quadro se repete, e até
se agrava, na estiva, na carga e descarga de caminhões, de trens.
E o que é pior, com permissão da lei.
É que a CLT, aquela mesma que tenho como marco na conquista dos
direitos trabalhistas, há mais de meio século mantém
fixado em sessenta quilos o peso máximo a ser suportado pelo trabalhador
nessa rotina diária de levantar, carregar e descarregar mercadorias,
o que considero uma desumanidade.
Por essa razão, inquietado pela experiência vivenciada nos
canteiros de obras, apresentei projeto para reduzir essa carga para vinte
quilos. Após muita discussão, ficou o peso máximo
estipulado em trinta quilos. O projeto foi aprovado no Senado Federal
e está em adiantada discussão na Câmara dos Deputados.
Não foi apenas a minha experiência. Estudos recentes na área
de ergonomia, disciplina que se ocupa da avaliação de tarefas,
trabalhos, a fim de torná-los compatíveis com as necessidades,
habilidades e limitações das pessoas, reprovam o absurdo
peso estabelecido na CLT. Também a Organição Intrnacional
do Trabalho - OIT -, em Convenção realizada em Genebra em
junho de 1967, já recomendava que a carga máxima suportável
não deve comprometer a saúde e a segurança do trabalhador.
Imprimir

|