Assim não dá

 

Marcelo Crivella

Os grandes bancos privados que operam no Brasil estão, cada vez mais tendo lucros maiores. São ganhos extraordinários, que superam até mesmo os rendimentos de grandes indústrias, que só ganham mais quando a economia cresce. Já os bancos ganham sempre, mesmo que a economia esteja em crise e a população esteja passando por dificuldades. Seus lucros batem recordes ano após ano. Somente no primeiro semestre deste ano, o lucro líquido do Bradesco e do Banco Itaú ultrapassa R$ 8 bilhões. Um verdadeiro absurdo, em se tratando de um país como o Brasil, onde a população ainda é muito carente de serviços públicos essenciais, como saúde, educação e de boas rodovias, portos e aeroportos. O sistema financeiro nacional é dominado por um reduzido grupo de grandes bancos, que, ao longo dos anos, vem engolindo os pequenos estabelecimentos, num verdadeiro canibalismo, ou melhor, “bancanalismo”, permitindo-me fazer uma neologia. Os clientes ficam sem possibilidade de procurar serviços mais em conta. Só para se ter uma idéia da concentração, nos últimos seis anos, 35 bancos deixaram de existir. Quando convivíamos com taxas de inflação elevadas, os bancos lucravam muito em cima dos depósitos que recebiam, pois não recompensavam adequadamente os clientes pela perda do valor do dinheiro depositado. Com o fim da inflação, perderam essa importante fonte de lucro, passando a cobrar inúmeras tarifas de serviços, cujos preços também não pararam de crescer. Quem tem conta ou negocia com banco paga mais de 60 tipos de tarifas bancárias. O Brasil é o vice-campeão da América Latina. Só perde para o México, que é o país latino americano que mais cobra por esse tipo de serviço. Do jeito que a coisa está indo, daqui a pouco as pessoas terão que pagar até para falar com o gerente do banco. Só falta inventarem a consulta bancária paga. Segundo o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, as tarifas bancárias cobradas no ano passado possibilitaram o pagamento de todos os funcionários dos bancos e ainda sobrou 15% do dinheiro, ou seja, bilhões de reais. Os bancos também lucram abusivamente com as taxas de juros cobradas pelo uso do cheque especial (aproximadamente 140% ao ano) e também com a concessão de crédito, a exemplo do financiamento de automóveis, cujos juros superam 29% ao ano, e do financiamento de eletrodomésticos, com juros maiores que 55% ano. O crédito consignado em folha de pagamento - dívida que é descontada mês-a-mês do salário do servidor público - sem nem um risco para os bancos, tem taxa absurda: 32% ao ano. Esse é o drama de quem utiliza serviços bancários. Cada vez mais essas pessoas pagam tarifas de serviços elevadas e taxas de juros demasiadamente altas. Sem concorrência entre os bancos, não há alternativa para correntistas, investidores e devedores. O Presidente Lula assumiu o governo com os juros (selic) em 26% ao ano. Baixou para 11,5%, mas ainda há muito a baixar, sobretudo, nos juros cobrados do povo.

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