ENTREVISTA
Senador Gim Argello

Sou o cabo eleitoral da Dilma. Ela é a próxima presidente do Brasil

Paola Lima


Além do trabalho, a boa fase se daria também ao seu novo, e bom, relacionamento com o Governo Federal?
Eu sou base do governo, com muito orgulho. Sou presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sou Lula. E o senador da ministra Dilma Rousseff. Mais do que isso, sou o cabo eleitoral da Dilma. Ela é a próxima presidente do Brasil.


De onde vem tanta certeza?
Porque a ministra Dilma Rousseff é preparada, tem toda uma história para estar onde está. Ela tem paixão pelo País. Eu vejo isso no contato diário (Argello costuma caminhar com Dilma algumas manhãs por semana). Ela veio aqui no Senado um dia e deu um banho. Nunca ninguém se saiu tão bem quanto ela num debate aqui. E isso se repete em qualquer assunto. Quem me chamou a atenção para a competência da Dilma, logo no meu começo por aqui, foi o falecido senador Jefferson Péres (PDT-AM). Um dia, a Dilma estava explicando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) aos senadores. Ela distribuiu uma espécie de livro com as informações para os senadores conhecerem o projeto e quem quisesse poderia fazer perguntas sobre o assunto. Aí tinha um risco no mapa da Amazônia, ligando dois pontos da região. Sem nenhuma outra informação. O Jefferson Péres viu o risco e disse: está errado. Eu até me assustei. Ele chamou a ministra e avisou: na folha tal, no mapa tal, o risco está errado. Ela olhou e imediatamente respondeu: 'É mesmo, fizeram errado. Não é nesse sentido, é no sentido contrário'. Em um mapa, de um livro com cento e tantas páginas, ela reconheceu a posição errada de um gasoduto quando bateu o olho no desenho. Até o Jefferson Péres ficou impressionado. Ela é preparada mesmo, não é ensaio.


Tamanha empolgação com o presidente Lula e com a ministra Dilma Rousseff pode ser um sinal de que o PTB e o PT estarão juntos em 2010?
Tudo leva a crer. Vamos conversar muito ainda. Mas uma certeza eu te dou: eu vou fazer de tudo para que o PTB caminhe com a ministra Dilma Rousseff. Ela é a nossa candidata à Presidência da República. Mas apesar de toda essa veemência quanto ao PT, a relação do PTB-DF com o governador José Roberto Arruda andou se estreitando nos últimos dias. Minha relação com o governo Arruda é mesmo muito boa. O governador Arruda está se saindo um grande gestor público. E agora, nesta segunda etapa do governo dele, os nossos deputados distritais, Dr. Charles e Cristiano Araújo, parece que começaram a ser atendidos. Ele agradando as nossas bases partidárias, isso muito me agrada. Se tiver alguma complicação, automaticamente eu, na condição de presidente do partido, tenho de responder rapidamente. O PTB ajuda o governo Arruda na governabilidade. O nosso compromisso é que ele faça uma grande gestão. Porque é bom para ele e é excelente para a população do Distrito Federal.

Isso, então, não significa alianças. Qual o cenário que o senhor, como presidente regional do partido, responsável por encaminhar as negociações para as próximas eleições, imagina em 2010?
O PTB está aberto. O PTB é o único partido, dos grandes partidos de Brasília, que foi construído com conversa, tijolo a tijolo. Nosso partido tem divergências internas, mas acertamos tudo internamente. Temos uma sede que funciona todos os dias, não apenas nos reunimos esporadicamente. Temos militâncias nas cidades, zonais atuantes. Temos 86 bons candidatos em todos os níveis, seja para distrital federal, senador ou governador. No PTB, diferentemente de outros partidos, e sem querer criticar ninguém, não existe divergência, como em legendas que têm mais de uma corrente que brigam entre si e vão até parar na Justiça. O PTB marcha coeso, porque sabemos que a nossa união é a nossa força. Quem nos quiser, é dessa forma. E quem nos quiser, vai levar, no mínimo, 200 mil votos proporcionais. Eu garanto.

E um partido com tamanha autoconfiança vai tender para que lado?
Não sabemos. É possível um acordo com o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB)? É possível. É possível um acordo com o governador Arruda? É possível. É possível um acordo com o PT? Possível e está muito bem encaminhado.


E o senhor estará na disputa? Para o governo do Distrito Federal ou mesmo para o Senado?
O PTB vai ter, sim, candidato majoritário.


Para o Senado ou para o governo do Distrito Federal?
O PTB vai ter candidato majoritário.


Enquanto as eleições de 2010 não chegam, vamos falar de outra eleição, mais próxima: a da Mesa Diretora do Senado, no final do ano. Qual a postura de seu partido? O senhor será candidato a algo?
Vamos marchar com a orientação do governo. O (deputado federal) Michel Temer (PMDB-SP) será indicado oficialmente, no início de outubro, para a presidência da Câmara e o Senado deve acompanhar a indicação. Tudo indica que o presidente será o senador Tião Viana (PT-AC). Mas as discussões oficiais ainda não começaram. A única coisa que sabemos é que o PTB deve ter a posição de um titular na composição da Mesa. Mas eu não colocarei meu nome. Já me sondaram, mas eu vou trabalhar para que seja o senador João Vicente Claudino (PI). Ele vai ser candidato a governador no Piauí e precisa de mais visibilidade. Será ele ou o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Mas ainda temos a liderança do partido, presidência de comissões... A nossa certeza é de que, com 9% da composição do Senado, tínhamos de ampliar nossa participação na Casa.

Como? Ampliando os espaços políticos da Casa?
Hoje só tivemos direito a um suplente na Mesa Diretora. Mas é que ninguém antes tinha feito as contas para mostrar qual o nosso verdadeiro tamanho dentro do Senado. Dessa vez, teremos um titular e um suplente na Mesa. E também uma comissão forte e outra mais fraca. Agora, eu te pergunto: o PDT tem ministro de Estado? Tem, Carlos Lupi, no Trabalho. O PR tem ministro de Estado? Tem, Alfredo Nascimento, em Transportes. O PCdoB tem ministro? Tem, o do Esporte, Orlando Silva. Eu perguntei ao presidente da República: 'Por que não temos ministros?' Ele respondeu que tínhamos o José Múcio (Monteiro, ministro das Relações Institucionais) e que vamos ter outro. 'Você quer ser ministro?' Eu disse que não. Mas qual vai ser minha posição na próxima composição do Senado, eu não sei. Mas a do partido, com certeza, vai ser maior.


O senhor ainda sente que existe uma espada sobre o seu mandato, com o processo no Tribunal Superior Eleitoral iniciado pelo PC do B?
Não tem mais. Na verdade, nunca teve. Porque nunca foram discutidas as denúncias contra o ex-governador Roriz. O que foi discutido era a aceitação de um recurso especial ou extraordinário no processo. E essa discussão ainda vai acabar no STF. Eu não me sinto, em nenhum momento, preocupado com isso. Até porque a pessoa que poderia ser beneficiada com esse processo, que poderia ocupar esse espaço ou que estaria brigando por isso, o ex-deputado federal e atual diretor da Anvisa, Agnelo Queiroz, já não pertence ao PCdoB, está no PT. De qualquer jeito, o Direito está ao nosso lado. Tanto que estou aqui de peito aberto, sem cautela alguma em apoiar o Governo Federal. Sou governo, sou Luíz Inácio Lula da Silva, sou Dilma Rousseff. Por que acredito nos ideais republicanos do presidente.

Fonte: Jornal de Brasília dia 14-09-08

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