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O PIAUÍ

 

O Piauí      Ocupação     A Origem do Nome     Dados Gerais 

  Economia       Aspectos Geográficos 

  A Batalha do Jenipapo       

 

 

O PIAUÍ


Bandeira
O Piauí, localizado no Nordeste do país, é o estado litorâneo com menor extensão de costa: apenas 66 km. Esse pequeno trecho, porém, é privilegiado. Na fronteira com o Maranhão, a oeste, fica o Delta do Rio Parnaíba, o único em mar aberto das Américas. Seu ecossistema lembra o da Amazônia, com inúmeras ilhas, lagoas, igarapés e praias de areia fina, tomadas por dunas e coqueiros. Mas a maior parte do território piauiense está sob a ação do clima semi-árido.

Teresina, às margens do Rio Parnaíba, é a única das capitais nordestinas que não está localizada à beira-mar. Isso se deve à colonização. Ao contrário do resto do Nordeste, o estado foi ocupado do interior para o litoral. Em toda essa região predomina o clima semi-árido, com longos períodos de seca e vegetação de caatinga . Essas condições climáticas reforçam uma economia baseada na agricultura de subsistência, na criação extensiva de gado e no extrativismo de carnaúba e babaçu . A indústria é incipiente. 

Mas a caatinga também é lugar de descobertas científicas. Escavações realizadas nos sítios arqueológicos do Parque Nacional da Serra da Capivara, no sudeste do estado, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, provam que o homem surgiu no continente americano há mais tempo do que se pensava. No Parque Nacional das Sete Cidades, há formações rochosas de cerca de 400 milhões de anos e pinturas pré-históricas.

 

 

OCUPAÇÃO

 

A colonização do Piauí deu-se do centro para o litoral. Fazendeiros do São Francisco, a procura de novas expansões para suas criações de gado, passaram a ocupar, a partir de 1674, com cartas de sesmarias concedidas pelo governo de Pernambuco, terras situadas às margens do rio Gurguéia. Um desses sesmeiros, Capitão Domingos Afonso Mafrense, também conhecido como Domingos Sertão, fundou trinta fazendas de gado, tornando-se o mais eminente colonizador da região. Por sua própria vontade, as fazendas foram legadas, após sua morte, aos padres da Companhia de Jesus. Hábeis gerentes, os jesuítas contribuíram de forma decisiva para o desenvolvimento da pecuária piauiense, que atingiu seu auge em meados do século XVIII. Nessa época, os rebanhos da região abasteciam todo o Nordeste, o Maranhão e províncias do Sul. Com a expulsão dos jesuítas, as fazendas de Mafrense foram incorporadas à Coroa e entraram em declínio.

Só a partir de meados do século XVII, o Piauí começa a ser efetivamente ocupado. Antes disso, seu território tinha sido apenas percorrido por algumas expedições oficiais. A ocupação dá-se, basicamente, pelo avanço da pecuária, em correntes vindas do Maranhão, do Ceará  e da Bahia. Combatendo ou eliminando os grupos indígenas mais hostis, como os tremembés, e avançando com seus currais de gado ao longo dos rios Piauí, Canindé e Parnaíba, bandeirantes e colonos instalam os primeiros povoados na região. O Piauí separa-se do Maranhão e torna-se capitania em 1811, com centenas de fazendas de gado e mais de uma dezena de vilas consolidadas. Para garantir essa autonomia, os piauienses aderem à Independência e enfrentam as forças portuguesas, ao lado de maranhenses e cearenses, até 1823. Na década seguinte, a província do Piauí é novamente atingida por uma insurreição, desta vez de caráter social e popular, a Balaiada. Na segunda metade do século XIX, com a capital provincial já instalada em Teresina (1852), o Piauí atravessa um longo período de relativa estabilidade política, mas também de pouco crescimento econômico, em parte devido à permanência da pecuária tradicional, extensiva, e ao predomínio das oligarquias rurais, facilitado pelo próprio isolamento do estado, que a construção de uma ferrovia e de uma companhia de navegação a vapor no Rio Parnaíba não consegue romper inteiramente.

Pobreza crônica - Esse quadro não se altera substancialmente no período republicano. Com uma economia ainda limitada à agropecuária, extensiva e pouco produtiva, e a uma pequena indústria de transformação, como a da cera de carnaúba, o Piauí mantém-se como um dos estados mais pobres do país, apesar da relativa estabilização populacional, do equilíbrio entre população rural e urbana e da densidade demográfica baixa para os padrões regionais. Somente nas três últimas décadas, com recursos provenientes dos incentivos fiscais, é que o estado avança em projetos de agricultura irrigada - como o plantio de arroz nos cerrados -, no aumento da geração de energia, na construção de novas rodovias e na melhoria da infra-estrutura urbana.

 

A ORIGEM DO NOME

 

Existem diferentes estudos sobre a origem do nome Piauí. A maioria defende que este nome foi derivado de um rio, denominado Piauí, caminho obrigatório dos estradistas, na época do desenvolvimento. Dentre eles, Rodolfo Garcia é de opinião que, sendo o rio abundante de Piaus, não há motivos para refugar a etimologia clássica do Piau, um peixe de pele manchada. Já os indígenas  de início já denominaram Piaguí, mais tarde, chamaram as terras  de Piagoí e somente depois é que ficaram conhecidas por Piauí, sendo a mesma de origem Tupi: “Piau”  significa peixe e o “i”, existência indígena.

 

DADOS GERAIS

 

Localização
Situado entre 2º 44' 49" e 10º 55' 05" de latitude sul e entre 40º 22' 12" e 45º 59' 42" de longitude oeste.

Limites
Leste : Estados do Ceará e Pernambuco
Sul e Sudeste : Estado da Bahia
Sudoeste : Estado do Tocantins
Oeste : Estado do Maranhão, com o curso do rio Parnaíba demarcando a fronteira
Norte : Oceano Atlântico

Características Territoriais
É o terceiro maior Estado nordestino, inferior apenas à Bahia e ao Maranhão, e o décimo Estado brasileiro, respondendo por 2,9 % do território nacional.

Relevo
O relevo piauiense abrange planícies litorâneas e aluvionares, nas faixas às margens do rio Parnaíba e de seus afluentes, que permeiam a parte central e norte do Estado. Ao longo das fronteiras com o Ceará, Pernambuco e Bahia, nas chapadas de Ibiapaba e do Araripe, a leste, e da Tabatinga e Mangabeira, ao sul, encontram-se as maiores altitudes da região, situadas em torno de 900 metros de altitude. Entre essas zonas elevadas e o curso dos rios que permeiam o Estado, como, por exemplo, o Gurguéia, Fidalgo, Uruçuí Preto e o Parnaíba, encontram-se formações tabulares, contornadas por escarpas íngremes, resultantes da ação erosiva das águas.

Toda a geografia piauiense pertence ao maciço nordestino.
As serras piauienses não possuem grandes altitudes.
Os planaltos piauienses, a que dever-se-ia chamar, mais propriamente chapadas, chapadões ou simplesmente serras, estão reunidos em cinco grupos:

a) ARCO DA FRONTEIRA (destacam-se as serras: Nazaré, Taquari - em Piracuruca).

b) CHAPADÕES DO SUL (destacam-se as serras Bom Jesus do Gurguéia ; Capivara, importante na parte arqueológica, Confusão. 

c) CUESTAS DO CENTRO (destacam-se: Pão de Açúcar,ao sul de Bertolínia; Tapera ao noroeste de Picos; Almas, a nordeste de Picos;  Batista).

d) CONTRAFORTES DA IBIAPABA (destacam-se Serra dos Tucuns e do Cocal; Serra dos Matões ou de Pedro II; Serra das Missões).

e)  MORROS ISOLADOS (destacam-se Serra do Saco e Alegre, em José de Freitas; Serra Grande e de Santo Antônio, em Campo Maior; Serra da Buraqueira, entre Amarante e Palmeirais; Serra dos Altos, entre Altos e Teresina).
 

Obs.: O ponto mais alto do Piauí fica na Chapada das Mangabeiras e tem 900m de altura aproximadamente, na divisa com o Estado de Tocantins.
 

Planície Parnaibana

Está situada no norte do Estado, é formada pelos vales do baixo Parnaíba e Longá como também pelos pequenos rios litorâneos (Camurupim, São Miguel) em seu curso inferior.
Estes terrenos dão origem aos solos férteis das margens dos rios, sendo de grande importância para agricultura.

 

Litoral

O litoral do Piauí não possui grandes reentrâncias.
É o menor litoral do Brasil, com 66Km de extensão, sendo um dos problemas do Estado, devido à sua pouca extensão e às praias, que são cobertas por dunas vivas, isto é, se movem.
 Somente no século passado, o Piauí cedeu ao Ceará o território de três municípios, recebendo em troca terras do litoral.
A costa piauiense é plana e constituída de praias extensas: Amarração ou Atalaia, Coqueiro, ambas no município de Luís Correia, e a Pedra do Sal, em Parnaíba.
 O principal acidente do litoral piauiense é o delta do Rio Parnaíba, que só pertence ao Estado em parte, o restante fica nas cidades maranhenses, Araiozes e Tutóia.
O delta do Parnaíba se constitui um verdadeiro santuário ecológico.

Vegetação
Em decorrência de sua posição, o Estado do Piauí caracteriza-se, em termos fisiográficos, como uma típica zona de transição, apresentando, conjuntamente, aspectos do semi-árido nordestino, da pré-Amazônia e do Planalto central do Brasil. Refletindo as condições de umidade das diversas zonas, as regiões ecológicas distribuem-se em faixas paralelas, com a caatinga arbórea e arbustiva predominando no sudeste, a floresta decidual no Baixo e Médio Parnaíba, cerrado e cerradão, no centro-leste e sudoeste e as formações pioneiras de restinga, mangue e aluvial campestre, na zona litorânea. Dentre as paisagens vegetais, destacam-se os cocais, com seus exemplares de babaçu, carnaúba, buriti, e tucum, encontrados na região da floresta decidual, nos vales úmidos e nas áreas alagadiças, sustentando a atividade extrativa de significativa importância para o Estado.

Hidrografia
Enquanto os Estados do Nordeste oriental contam com apenas um rio perene, o São Francisco, com aproximadamente 1.800 km dentro de seus territórios, o Piauí conta com o rio Parnaíba e alguns de seus afluentes, entre eles o Uruçuí Preto e o Gurguéia que, somando-se seus cursos permanentes, ultrapassam 2.600 km de extensão. O Estado conta ainda com lagoas de notável expressão, tais como a de Parnaguá, Buriti e Cajueiro, que vêm sendo aproveitadas em projetos de irrigação e abastecimento de água na região.
A perenecidade dos rios piauienses, entretanto, encontra-se ameaçada. Os rios sofrem intenso processo de assoreamento, sempre crescente, em decorrência do desmatamento acentuado que ocorre no Estado, principalmente nas nascentes e nas margens dos rios.

Clima
Com clima tipicamente tropical, o Piauí apresenta temperaturas médias elevadas, variando entre 18º (mínimas) e 39º C (máximas). A umidade relativa do ar oscila entre 60 e 84%.
No litoral e às margens do rio Parnaíba, os níveis anuais de precipitação pluviométrica situam-se entre 1000 e 1.600 mm. A frequência de chuvas diminui a medida que se avança para a região sudeste do Estado; porém, níveis anuais médios de precipitação abaixo de 800 mm são encontrados apenas em 35% do território piauiense.

Parques e Reservas Naturais
No Piauí encontram-se os mais antigos sítios arqueológicos do Brasil e da América, considerados entre os mais importantes do mundo. No município de São Raimundo Nonato, na parte sudeste do Estado, 280 desses sítios já foram mapeados por instituições científicas nacionais e internacionais e abrigam rico acervo de arte rupestre e materiais de origem orgânica, em boas condições de conservação.
Nos municípios de Piripiri e Piracuruca, no norte do Estado, localiza-se o Parque Nacional de Sete Cidades, área de flora e fauna ricas e onde se encontram conjuntos ruiniformes que insinuam a existência, em épocas remotas, de civilizações desenvolvidas.

Gentílico
Piauiense
 

FONTE: citybrazil.com.Br

 

ECONOMIA

 

A economia do Piauí caracteriza-se por sua fragilidade, evidenciada pelo comportamento de alguns de seus indicadores, a exemplo da renda per capita, que é a mais baixa do País e, conseqüentemente, uma das menores do mundo.
O setor terciário é responsável por quase 70% da formação de renda do Estado, ainda que pese a atuação desfavorável de um de seus segmentos mais importantes, o comércio inter-regional, que acaba transferindo os recursos, via diversos mecanismos, principalmente tributários, para os Estados mais desenvolvidos da Federação, notadamente São Paulo. Os setores primário e secundário, embora minoritários na formação da renda total, absorvem parcelas significativas da mão-de-obra, distribuídas entre as seguintes atividades:

Extrativismo vegetal
Ocorre principalmente nos vales úmidos, onde predominam as matas de babaçu e carnaúba.
Estudos de laboratório sobre a carnaúba demonstraram ser possível a elevação do nível tecnológico de seu aproveitamento, sendo a celulose o derivado de maior potencial para viabilizar a exploração dessa imensa riqueza natural do Estado. A castanha de caju deixou de ser um produto extrativo para se constituir numa cultura desenvolvida em grande escala e que boas perspectivas oferece à economia do Estado.

Extrativismo mineral
Diversos estudos geológicos demonstram a existência de potencial bastante promissor de exploração mineral. Entre as ocorrências de maior interesse econômico, encontram-se o mármore, o amianto, as gemas, a ardósia, o níquel, o talco e a vermiculita.
Vale ressaltar que o Piauí é dotado de grandes reservas de águas subterrâneas artesianas e possui a segunda maior jazida de níquel do Brasil, localizada no município de São João do Piauí.

Pecuária
A pecuária foi a primeira atividade econômica desenvolvida no Estado, fazendo parte de sua tradição histórica. O folclore e os costumes regionais derivam em grande parte da atividade pastoril. Entre os rebanhos, destacam-se os caprinos, bovinos, suínos, ovinos e asininos. A caprinocultura, por sua capacidade de adaptação a condições climáticas inóspitas, tem sido incentivada pelo Governo, proporcionando meio de vida a significantes parcelas da população carente, principalmente nas regiões de Campo Maior, Alto Piauí e Canindé.

Agricultura
A agricultura no Piauí desenvolveu-se paralelamente à pecuária, porém como atividade quase que exclusivamente de subsistência. Posteriormente, adquiriu maior caráter comercial, embora de forma lenta e insuficiente para abastecer o crescente mercado interno do Estado. Entre as culturas tradicionais temporárias sobressaem-se o milho, o feijão, o arroz, a mandioca, o algodão herbáceo, a cana-de-açúcar e a soja. Entre as culturas permanentes, destacam-se a manga, a laranja, a castanha-de-caju e o algodão arbóreo.

FONTE: citybrazil.com.Br

 

ASPECTOS GEOGRÁFICOS

 

1. Localização

O Piauí está situado na parte ocidental da região Nordeste do Brasil, também chamada de meio-norte, onde está juntamente com o Maranhão, entre os paralelos 2º e 11º de latitude sul e os meridianos 40º e 46º de longitude de GREENWICH. Tem uma área de 250.934 Km2. A morfologia piauiense caracteriza-se pelos vastos chapadões e pelas planícies. É o Estado limite entre a caatinga do nordeste semi-árido e as terras úmidas e florestas equatoriais da Amazônia.

 

2. Limites

O Piauí limita-se com cinco Estados da Federação Brasileira, sendo quatro do Nordeste e um do Norte e ainda com o Oceano Atlântico. Ao norte,  com o Oceano Atlântico, ao Sul, com a Bahia e Tocantins,  a Leste  com o Ceará e Pernambuco e a Oeste,  com o Maranhão.

 

3. Superfície do Piauí

O Piauí é um dos maiores Estados da Região Nordeste e do Brasil.
No Nordeste ele é o 3º lugar (250.934 Km2).
Em relação ao Brasil, o Piauí é o 11º maior Estado, ocupando 2,96% da área total do país e 16, 20% da área total do Nordeste brasileiro.

 

 4. População

A População do Piauí é em sua maioria mestiça, resultado do cruzamento de três grupos étnicos principais: o índio, primeiro habitante do Estado; o branco, descendente do colonizador português e o negro, de origem africana.

 

 

 

A BATALHA DO JENIPAPO

 

 

Às margens do rio Jenipapo, no atual município de Campo Maior, foram palco de uma sangrenta batalha envolvendo os partidários da independência brasileira e a resistência portuguesa que procurava evitá-la. Era 13 de março de 1823. Este confronto pode ser visto como um dos momentos cruciais da adesão da província piauiense ao processo emancipatório brasileiro.

 

Apesar da independência tem sido oficialmente proclamada a 7 de setembro de 1822, pelo príncipe regente São Paulo, as outras regiões da América portuguesa não havia aderido. Aquele gesto simbolizava apenas a adesão da região Centro-Sul. O processo de independência nas outras áreas implicou em se cruentas batalhas, especialmente no norte, incluindo o nordeste atual. Essa área era alvo de pretensão portuguesa de perpetuar domínios na América.

 

Neste sentido, a província piauiense assumia uma importância fundamental para o governo português em virtude da sua posição territorial, encravada entre as províncias ocidentais e orientais do norte da América portuguesa. Por conta disto e, sobretudo, devido à expansão dos ideais emancipacionistas, desde 1821 eram enviadas, pelo governo português, quantidades significativas de armamentos e munições bem como havia a nomeação de militares experientes para cuidar desta região. Para essa província fora nomeado João José da Cunha Fidié como governador das armas. Ele era experiente militar, veterano nas guerras napoleônicas.

 

No Piauí, a primeira vila a se manifestar favoravelmente ao governo de D. Pedro I, instalado no Rio de Janeiro, foi São José da Parnaíba, através da Câmara local. Era 19 de outubro de 1822. Essa iniciativa fez com que as tropas favoráveis a Portugal se deslocassem de Oeiras para Parnaíba, lideradas pelo próprio governador das Armas, o Major Fidié.

Antes de chegarem à vila do extremo norte, as tropas eusófilas estacionaram em Campo Maior, na qual procuraram apurar denúncias acerca dos preparatórios de adesão às tendências emancipacionistas. Neste ínterim, as lideranças parnaibanas se deslocaram para o Ceará. Assim quando as tropas de Fidié chegaram a Parnaíba não encontraram resistências.

 

Enquanto as tropas portuguesas estavam em Parnaíba, outros povoados e vilas aderiram ao processo emancipatório, dentre eles Piracuruca, Matões e Oeiras, em janeiro de 1823. Nesta última ocorrera a deposição da Junta Governativa pró-Portugal. Além disso, alguns contingentes cearenses chegaram ao Piauí. Neste contexto, deu-se a proclamação da independência em Campo Maior, em fevereiro de 1823.

 

No início de março de 1823 as tropas de Fidié saíram de Parnaíba para tentar submeter as demais vilas que estavam aderindo ao processo de independência. Seguiram-se alguns breves incidentes no trajeto, porém, o maior combate se deu às margens do rio Jenipapo.

 

A expectativa do avanço das tropas portuguesas rumo à Campo Maior implicou numa mobilização sem precedentes da população local para formação de tropas para o combate, agregando-se grupos de vaqueiros e roceiros armados com os instrumentos disponíveis, como: facões, machados, foices, espetos, espingardas, paus e pedras. Enquanto as tropas inimigas eram bem armadas, municiadas, disciplinadas e organizadas sob o comando de experientes militares.

 

O grande confronto se deu no dia 3 de março de 1823, nas proximidades do rio Jenipapo. Cerca de 2500 piauienses e cearenses, sem adestramento militar, e debaixo de um sol abrasador num ano de estiagem arrasadora, enfrentaram as tropas portuguesas. Após 5 horas de intenso combate, as tropas locais contavam entre suas perdas 700 homens, entre mortos, feridos e prisioneiros de guerra. Do lado português, as perdas não chegaram a uma centena, porém haviam perdido boa parte da bagagem de guerra; o separatistas desviaram importantes equipamentos de guerra das tropas portuguesas.

 

Entretanto, a vitória lusitana era incontestável, ganharam uma batalha, mas a guerra estava longe de terminar, pois a ausência de recursos bélicos e a possibilidade de enfrentamento de outras batalhas, com a chegada de reforços de outras vilas e províncias, fez com que Fidié e suas tropas se deslocassem, em abril de 1823, para o Maranhão, província leal a Portugal. Porém, após o cerco de Caxias, pelas tropas separatistas, formadas por piauienses, cearenses e maranhenses, as tropas de Fidié se renderam, no final de julho de 1824.

 

Portanto, foi neste contexto que se deu o real processo emancipacionista e a adesão do Piauí ao governo do império do Brasil, caracterizado por diversas lutas sanguinárias, com a participação popular, porém, a maioria da população não se beneficiou de seus resultados, pois uma oligarquia assumiu o projeto de consolidação do estado brasileiro em detrimento das transformações mais profundas dessa sociedade.

 

 

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