Tinha toda razão Capistrano de Abreu ao dizer que à História do Brasil era indispensável a permanente contribuição de monografias conscienciosas.
Esta é uma delas.
Concordo com quanto li ou escutei, entre os meus confrades da Academia Brasileira, defendendo a intimidade da nossa Casa com o Senado. Basta contar os muitos que sentaram no cadeiral de ambas as instituições. Ainda, recordar que Machado de Assis fundou a ABL e do Senado foi o seu maior cronista.
O Senado é também uma Casa da inteligência.
Um dos mais eméritos ex-servidores do Congresso Nacional, o Ministro Luciano Brandão, me dizia nas vésperas da última eleição, palpitando sobre os prováveis ganhadores de mandatos que, na vida, só tinha inveja de quem alcançava a distinção de ser senador. Foi aí que me lembrei de lhe dizer que chegara próximo. Fui suplente de senador ou, como preferia designar o velho Vitorino Freire, senador suplente. Por pouco também não causei inveja àquele amigo.
A honra de chegar ao céu da definição de Dinarte Mariz, que José Sarney com graça sempre recorda, não me tocou, mas este texto dá-me a chance de, com honra, louvar o Senado brasileiro.
Para tanto não preciso insistir na sua fase de paráclito da liberdade, da indesviável aversão aos que pensam na Pátria como se fosse o efêmero, do invariável passo para mostrar que a autoridade é uma forma de serviço. Ou na sua tradição capaz de distinguir timidez de temeridade, ou de sua volumetria de superfície institucional e simbologia cívica, que se sobrepõem a alguns percalços do tipo "lápis fatídico" ou "bionicidade".
Agaciel Maia, pesquisador vocacionado para os temas históricos e administrador comprometido com a modernidade, ajunta nessa nominata presidencial a visibilidade da utilidade pública. Estão aí homens e feitos, convicções e convocações.
Os presidentes são representativos de espaços e tempos brasileiros.É fácil ver. Não chegaram ali por uma questão de limite mas pelos compromissos. Não se restringem a fotos de galeria, pois são muito mais ressonâncias da movimentação de vidas públicas.
A tarefa de mostrá-los sugere aqui, em lugar da obra finda, a idéia de dilatar a trajetória, de desdobrar análises, a partir desses nomes tão sugestivos.
Talvez identificá-los pelos seus cânones, já que a criação pressupõe o cânone, pois a criar a partir do caos é tarefa da divindade, ou não é? Nos seus cânones estão elementos seminais.
Junto com isso, haverá mais monografia conscienciosa, mais história, mais Machado de Assis, mais patronato ruibarbosiano, mais democracia, mais Senado brasileiro.
Torço pela continuidade das pesquisas.