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3 de dezembro de 2008
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Galeria de Presidentes do Período Pós-1964 (1964-1985)
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Filinto Müller

"O que temos, Sr. Presidente, diante dos olhos, por toda a vasta extensão territorial brasileira; o que vê o povo brasileiro, salvo os cegos da escritura, é um Brasil que se movimenta, que trabalha, que progride, cresce, e que vai, desta forma, conquistando posição de relevo e de respeito no concerto das nações."

Filinto Müller

1973

Filinto Müller nasceu em Cuiabá (MT) no dia 11 de julho de 1900, filho de Júlio Müller e Rita Correia Müller.

Era Aspirante a Oficial, Arma de Artilharia, pela Escola Militar de Realengo. Bacharel em Direito, Niterói, Estado do Rio de Janeiro, 1938.

Casou-se com D. Constelo Lastra Müller.

Foi eleito Vice-Presidente do Senado em 22-2-1959, exercendo, nessa condição, a Presidência da Casa até 1961. Foi Presidente do Senado no ano de 1973 e representante do Estado de Mato Grosso. Exerceu mandatos de senador nos períodos de 1947, 1954, 1962, 1970 a 1973. Nos cinco meses no exercício da presidência do Senado devido ao seu falecimento no exercício da função, e incluindo a presidência exercida pelo seu Vice-Presidente Paulo Francisco Torres, o Senado Federal realizou 18 sessões especiais, 226 sessões conjuntas, tendo sido feitos 2.361 pronunciamentos e apresentados 268 projetos de lei.

Por motivos políticos retirou-se em 1926 para Buenos Aires, trabalhando como lavador de automóveis, como chofer de praça e corretor de imóveis. Ao regressar ao Brasil foi preso e cumpriu pena de dois anos e cinco meses. Depois da vitória da Aliança Liberal, passou a ter ativa e destacada atuação na administração do País. Serviu no Gabinete do então Ministro da Guerra, depois na Interventoria de São Paulo, como Secretário do Governo João Alberto e, novamente no Rio de Janeiro, na Polícia Civil, depois como Delegado Especial da Segurança Política e Social; Presidente do Conselho Nacional do Trabalho, nomeado em 1943. Participou das seguintes missões no exterior: Membro da Delegação chefiada pelo Presidente da República, em Roboré – Bolívia (1944); membro da Delegação chefiada pelo Presidente da República na Reunião dos Presidentes Americanos, Panamá (1946); XLVI Conferência da União Interparlamentar, Londres (1957); Reunião do Comitê Executivo da União Interparlamentar, em Genebra (1958); Delegado do Senado às comemorações do V Centenário do Infante Dom Henrique, Lisboa (1960); Reunião do Conselho Interparlamentar, Genebra (1961); 50ª Conferência Interparlamentar, Bruxelas (1961); II Conferência Interparlamentar Americana, Santiago do Chile (1961); Reunião do Conselho Interparlamentar, Roma (1962); 92ª Reunião do Conselho da União Interparlamentar, Lausanne (1963) ; 52ª Conferência da União Interparlamentar, Belgrado, Iugoslávia (1963); III Conferência Interparlamentar Americana, Washington (1964); 93ª Reunião do Conselho Interparlamentar, Lausanne (1964); 98ª Reunião do Conselho da União Interparlamentar, Camberra, Austrália (1966); 100ª Reunião do Conselho da União Interparlamentar, Palma de Maiorca, Espanha (1967); Reunião do Conselho da Europa, Estrasburgo (1968); Reunião do Conselho da União Interparlamentar, Paris (1971).

Foi Oficial de Gabinete do Ministro da Guerra, 1930 – Secretário da Interventoria João Alberto, São Paulo, 1931 – Oficial de Gabinete do Ministro da Guerra, 1932 – Diretor da Guarda Civil, 1932 – Delegado Especial da Segurança Política e Social, 1933 – Chefe de Polícia do Distrito Federal, 1933 a 1942 – Oficial de Gabinete do Ministro da Guerra, 1942 – Presidente do Conselho Nacional do Trabalho, 1943 a 1945 – Senador, 1947, 1954, 1962, 1970 a 1973 – Líder do Governo da Maioria, 1955 a 1958 – Vice-Presidente do Senado Federal, de março de 1959 a março de 1961 – Líder do PSD, a partir de 1961 – Líder do Governo, de abril a junho de 1964 – Líder da Aliança Renovadora Nacional (Arena), 1966 a 1968 – Presidente da Arena, 1969 – Líder do Governo e da Maioria a partir de 1969 – Presidente da Arena, de 1972 a julho de 1973.

Uma das mais importantes testemunhas da trajetória política do Senador Filinto Müller foi o também Senador Henrique de La Rocque que, em homenagem a sua memória, fez dois depoimentos que ilustram quem foi Filinto Müller.

“Conheci Filinto Müller quando fazia faculdade na Nacional de Direito do Rio de Janeiro. Sei que contra ele foram levantadas, e ainda hoje se levantam, acusações de ter sido um torturador, de ter sido um homem que desrespeitou os direitos humanos de muitos. Mas, Sr. Senador Valdon Varjão, é que Filinto Müller tinha uma noção muito rigorosa do cumprimento da missão que lhe era dada. E a ele coube uma missão difícil: a de chefiar a Segurança Pública do Rio de Janeiro. Revolução de 32, Revolução de 35, de 37, o putsch comunista e o putsch integralista. E ele tinha de agir com energia. Está comprovado, no dia-a-dia em que vivemos, que os chefes não podem honestamente ser debitados por muitas arbitrariedades que seus subordinados praticam. Não há ninguém que no comando da segurança pública possa policiar a conduta de soldados, de cabos, de sargentos e de outros oficiais que, a sua revelia muitas vezes, praticam atos que merecem a condenação daqueles que os comandam.”

Outra passagem, lembrada com carinho, pelo Senador La Rocque aconteceu uma semana antes de sua morte: “Almoçava ele com sua esposa e com seu neto Pedro no restaurante La Chaumière, aqui em Brasília. Fiz-lhe um bilhetinho exatamente dizendo: ‘Meu líder, não se perde uma oportunidade como esta. A conta está paga’. Ele respondeu: ‘ Te agradeço a gentileza.’ Estava ele numa missão difícil e muito carinhosa, procurando dar os primeiros passos para conquistar o Pedro para a política para ser um dos representantes de Mato Grosso. No dia seguinte, disse-me que, da família, o Pedro era o mais indicado. Dava-me essa explicação porque tenho um primo-irmão casado com uma das suas filhas, a Maria Luísa, e nenhum deles tem vocação política, vocação política que estava exatamente nesse neto que com ele almoçava uma semana antes da sua trágica morte”.

Recebeu as seguintes condecorações: Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito (Brasil) ; Grã-Cruz da Ordem Militar de Aviz (Portugal); Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito (Alemanha); Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito (Paraguai); Grã-Cruz da Ordem de Menelich II (Abissínia); Grande Oficial do Mérito Militar (Brasil); Grande Oficial do Mérito Naval (Brasil); Grande Oficial do Mérito Aeronáutico (Brasil); Grande Oficial da Ordem do Rio Branco (Brasil); Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco (Brasil); Grande Oficial da Ordem do Mérito de Brasília (Brasil); Comendador da Legião de Honra (França); Medalha de Prata do Cinqüentenário da República (Brasil); Medalha do Mérito Tamandaré (Brasil); Medalha de Santos Dumont (Brasil); Medalha do Mérito da Cidade do Recife; Classe Ouro (Brasil); Medalha de Bronze de Bons Serviços (Exército brasileiro).

Faleceu em Orly, França, no dia 11 de julho de 1973.

Bibliografia:
– Quem é quem?
– Dados Biográficos dos Srs. Senadores (1974).
– Homenagem a Filinto Müller. Discurso pronunciado pelo Senador Valdon Varjão, Brasília, 1980.

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Tradutor LIBRAS (http://www.rybena.org.br)Selo da Acessibilidade Brasil