Ano VIII - Número 91 - junho - 2008

Comportamento
Colaboração: Jussara Dutra Izac

Como fazer seu salário render para investir na carreira

Foto de planejamento

Falta de dinheiro não pode ser desculpa para não investir na carreira. Basta fazer um bom planejamento e encarar uma dose de sacrifício. O ponto de partida é estabelecer prioridades. Se fazer um curso está entre elas, viagens, jantares em restaurantes e compra excessiva de roupas, por exemplo, devem ser repensados ou contidos. Tudo vai depender do seu orçamento. No entanto, conforme explica Gustavo Cerbasi, consultor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro, preocupar-se com plano de saúde e previdência privada deve ser uma constante, independentemente da fase de vida ou dos rendimentos.


Segundo o consultor, plano de saúde é primordial, mas um plano completo, não. A menos que o histórico da família inclua graves enfermidades que possam surgir desde cedo e implicar em caras internações, a combinação mais eficiente é a de contratar um plano de saúde básico, do tipo enfermaria -- cujo preço não supera os R$ 100 mensais --, e custear médicos e medicamentos do próprio bolso. “Quanto aos planos de previdência, é um desperdício de benefício fiscal não utilizá-los, para quem tem Imposto de Renda a restituir (ou seja, que ganha além da faixa de isenção de tributos)”, afirma Cerbasi. “Porém, começar a poupar desde cedo significa poupar pouco para ter muito no futuro, o que torna os planos de previdência bastante atraentes”.

Em relação a esses dois investimentos, uma ressalva: tanto o plano de saúde quanto o plano de previdência devem ser considerados como gastos regulares mensais, que devem sair da conta em primeiro lugar, antes que outras escolhas de consumo sejam feitas.

Asseguradas a saúde e a melhor idade, é hora de pensar no futuro profissional. Para isso, comece hoje. “Quem faz planos de médio ou longo prazo para a carreira, deveria fazer as contas e se conscientizar do quanto é preciso poupar, onde e durante quanto tempo para atingir os objetivos”, diz Cerbasi.

Mas não se desespere. Não é necessário ter uma poupança especificamente para a carreira. É mais eficiente ter uma única cesta de um ou dois investimentos (se for apenas um, que seja sem risco) para todos os sonhos, e adotar referências para saber quanto da poupança está sendo guardado para cada objetivo. Por exemplo: se você pretende poupar R$ 100 mensais para um curso, R$ 60 para viagens e R$ 40 para emergências, basta não esquecer que, do saldo do investimento, 50% são para os estudos, 30% para viagens e 20% para emergências. E não se esqueça: converse sempre com sua empresa para saber se é possível dividir os custos desse investimento.

O CanalRh elaborou quatro situações e solicitou ao consultor que indicasse um planejamento financeiro para cada um deles. Em todos os casos, investir na carreira é uma prioridade. A referência adota foi um curso de um ano de duração, com mensalidade de R$ 1,5 mil. Veja qual perfil mais se aproxima do seu e aproveite.

Situação 1:
Rendimento: R$ 1 mil
Perfil: mora com os pais (não tem gasto com moradia), não tem família. Possui carro.
Gastos: o salário é basicamente para as "excentricidades" (festas, viagens, jantares fora, celular). Aproxima-se de um jovem recém-formado.

Não vale a pena pensar em investimentos ou plano de previdência, por dois motivos: a renda é pouca para investir, e um plano de previdência teria poucas vantagens a oferecer. Nessa faixa de renda, o melhor investimento a fazer é nos estudos, que viabilizarão o incremento da renda mensal. Morando com os pais, é mais fácil cortar custos. Minha sugestão é preservar um nível mínimo de gastos sociais (baladas e viagens) e cortar custos de conforto (jantares por conveniência, celular e acessórios do carro).

O carro pode vir a ser uma das principais contribuições para o plano de estudar: na impossibilidade de conseguir um crédito educativo – que sempre deve ser tentado --, o refinanciamento do automóvel é uma fonte interessante de recursos, com juros baixos. O funcionamento é simples: você vende o carro à vista para o banco, e compra em pagamentos parcelados, com juros não superiores a 3% ao mês. Boa parte dos juros pagos pode ser absorvida por um possível desconto obtido ao pagar seu curso à vista, e não em parcelas mensais.

Situação 2:
Rendimento: R$ 2 mil
Perfil: mora com os pais (não tem gasto com moradia), não tem família. Possui carro.
Gastos: o salário é basicamente para as "excentricidades" (festas, viagens, jantares fora, celular).

Trata-se da mesma situação que a 1, só que, com o dobro da renda, o sacrifício a fazer é menor. É possível, por exemplo, poupar de um terço a metade do valor do curso e começar a cursá-lo pleiteando um desconto pela antecipação de quatro a cinco meses das mensalidades. A outra metade do curso será paga com a poupança feita ao longo do período já quitado (lembre-se que, durante um curso, boa parte dos gastos com lazer diminui sensivelmente) e com parte economizada da renda.

Situação 3:
Rendimento: R$ 5 mil
Perfil: casado, mora de aluguel. Os R$ 5 mil são a renda total. Casal com um carro.
Gastos: o único fixo é o aluguel (R$ 1 mil por mês). Mantém carro, sai pra jantar com freqüência e vai sempre à praia aos fins de semana.

O casal deve entender que o curso é uma oportunidade de dar um salto na qualidade de vida, por isso deve encarar alguns sacrifícios. Nada de cortar jantares e viagens, mas sim reduzi-los pela metade. Com essa renda, o crédito educativo é difícil. Há dois caminhos para viabilizar o curso: poupando durante seis a 12 meses e depois seguindo a estratégia da situação 2, ou então refinanciando o carro e tentando um desconto pelo pagamento à vista do curso.

Situação 4:
Rendimento: R$ 10 mil
Perfil: casado, mora de aluguel, mas quer comprar casa própria. Casal com dois carros.
Gastos: o único fixo é o aluguel (R$ 1 mil por mês). Mantém carro, sai pra jantar com freqüência e vai sempre à praia aos fins de semana.

O sonho da casa própria deve ser descartado por quem ainda está investindo no crescimento da carreira. O motivo é simples: com mais um título no currículo, as possibilidades de emprego e promoção aumentam, e a casa comprada passa a ser um obstáculo para mudanças urgentes. O aluguel é a melhor pedida até que a carreira se consolide. Se um dos dois mora perto do trabalho -- algo muito recomendável --, o segundo automóvel deve ser também descartado, pois provavelmente o casal gastará menos com táxi do que com o segundo automóvel. Com uma renda conjunta de R$ 10 mil, não é difícil realizar cortes no orçamento para conseguir pagar o curso mesmo sem ter uma poupança. A venda do segundo automóvel praticamente assegura os estudos.


Fonte e imagem: www.canalrh.com.br - Junho de 2008 - por: Lucas Toyama


ATENÇÃO: A responsabilidade deste artigo é exclusiva de seu respectivo autor (fonte).


 

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