Como fazer seu salário render para investir na carreira

Falta de dinheiro não pode ser desculpa para não investir na carreira. Basta fazer um bom planejamento e encarar uma dose de sacrifício. O ponto de partida é estabelecer prioridades. Se fazer um curso está entre elas, viagens, jantares em restaurantes e compra excessiva de roupas, por exemplo, devem ser repensados ou contidos. Tudo vai depender do seu orçamento. No entanto, conforme explica Gustavo Cerbasi, consultor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro, preocupar-se com plano de saúde e previdência privada deve ser uma constante, independentemente da fase de vida ou dos rendimentos.
Segundo o consultor, plano de saúde é primordial, mas um plano completo, não. A menos que o histórico da família inclua graves enfermidades que possam surgir desde cedo e implicar em caras internações, a combinação mais eficiente é a de contratar um plano de saúde básico, do tipo enfermaria -- cujo preço não supera os R$ 100 mensais --, e custear médicos e medicamentos do próprio bolso. “Quanto aos planos de previdência, é um desperdício de benefício fiscal não utilizá-los, para quem tem Imposto de Renda a restituir (ou seja, que ganha além da faixa de isenção de tributos)”, afirma Cerbasi. “Porém, começar a poupar desde cedo significa poupar pouco para ter muito no futuro, o que torna os planos de previdência bastante atraentes”.
Em relação a esses dois investimentos, uma ressalva: tanto o plano de saúde quanto o plano de previdência devem ser considerados como gastos regulares mensais, que devem sair da conta em primeiro lugar, antes que outras escolhas de consumo sejam feitas.
Asseguradas a saúde e a melhor idade, é hora de pensar no futuro profissional. Para isso, comece hoje. “Quem faz planos de médio ou longo prazo para a carreira, deveria fazer as contas e se conscientizar do quanto é preciso poupar, onde e durante quanto tempo para atingir os objetivos”, diz Cerbasi.
Mas não se desespere. Não é necessário ter uma poupança especificamente para a carreira. É mais eficiente ter uma única cesta de um ou dois investimentos (se for apenas um, que seja sem risco) para todos os sonhos, e adotar referências para saber quanto da poupança está sendo guardado para cada objetivo. Por exemplo: se você pretende poupar R$ 100 mensais para um curso, R$ 60 para viagens e R$ 40 para emergências, basta não esquecer que, do saldo do investimento, 50% são para os estudos, 30% para viagens e 20% para emergências. E não se esqueça: converse sempre com sua empresa para saber se é possível dividir os custos desse investimento.
O CanalRh elaborou quatro situações e solicitou ao consultor que indicasse um planejamento financeiro para cada um deles. Em todos os casos, investir na carreira é uma prioridade. A referência adota foi um curso de um ano de duração, com mensalidade de R$ 1,5 mil. Veja qual perfil mais se aproxima do seu e aproveite.
Situação 1:
Rendimento: R$ 1 mil
Perfil: mora com os pais (não tem gasto com moradia), não tem família. Possui carro.
Gastos: o salário é basicamente para as "excentricidades" (festas, viagens, jantares fora, celular). Aproxima-se de um jovem recém-formado.
Não vale a pena pensar em investimentos ou plano de previdência, por dois motivos: a renda é pouca para investir, e um plano de previdência teria poucas vantagens a oferecer. Nessa faixa de renda, o melhor investimento a fazer é nos estudos, que viabilizarão o incremento da renda mensal. Morando com os pais, é mais fácil cortar custos. Minha sugestão é preservar um nível mínimo de gastos sociais (baladas e viagens) e cortar custos de conforto (jantares por conveniência, celular e acessórios do carro).
O carro pode vir a ser uma das principais contribuições para o plano de estudar: na impossibilidade de conseguir um crédito educativo – que sempre deve ser tentado --, o refinanciamento do automóvel é uma fonte interessante de recursos, com juros baixos. O funcionamento é simples: você vende o carro à vista para o banco, e compra em pagamentos parcelados, com juros não superiores a 3% ao mês. Boa parte dos juros pagos pode ser absorvida por um possível desconto obtido ao pagar seu curso à vista, e não em parcelas mensais.
Situação 2:
Rendimento: R$ 2 mil
Perfil: mora com os pais (não tem gasto com moradia), não tem família. Possui carro.
Gastos: o salário é basicamente para as "excentricidades" (festas, viagens, jantares fora, celular).
Trata-se da mesma situação que a 1, só que, com o dobro da renda, o sacrifício a fazer é menor. É possível, por exemplo, poupar de um terço a metade do valor do curso e começar a cursá-lo pleiteando um desconto pela antecipação de quatro a cinco meses das mensalidades. A outra metade do curso será paga com a poupança feita ao longo do período já quitado (lembre-se que, durante um curso, boa parte dos gastos com lazer diminui sensivelmente) e com parte economizada da renda.
Situação 3:
Rendimento: R$ 5 mil
Perfil: casado, mora de aluguel. Os R$ 5 mil são a renda total. Casal com um carro.
Gastos: o único fixo é o aluguel (R$ 1 mil por mês). Mantém carro, sai pra jantar com freqüência e vai sempre à praia aos fins de semana.
O casal deve entender que o curso é uma oportunidade de dar um salto na qualidade de vida, por isso deve encarar alguns sacrifícios. Nada de cortar jantares e viagens, mas sim reduzi-los pela metade. Com essa renda, o crédito educativo é difícil. Há dois caminhos para viabilizar o curso: poupando durante seis a 12 meses e depois seguindo a estratégia da situação 2, ou então refinanciando o carro e tentando um desconto pelo pagamento à vista do curso.
Situação 4:
Rendimento: R$ 10 mil
Perfil: casado, mora de aluguel, mas quer comprar casa própria. Casal com dois carros.
Gastos: o único fixo é o aluguel (R$ 1 mil por mês). Mantém carro, sai pra jantar com freqüência e vai sempre à praia aos fins de semana.
O sonho da casa própria deve ser descartado por quem ainda está investindo no crescimento da carreira. O motivo é simples: com mais um título no currículo, as possibilidades de emprego e promoção aumentam, e a casa comprada passa a ser um obstáculo para mudanças urgentes. O aluguel é a melhor pedida até que a carreira se consolide. Se um dos dois mora perto do trabalho -- algo muito recomendável --, o segundo automóvel deve ser também descartado, pois provavelmente o casal gastará menos com táxi do que com o segundo automóvel. Com uma renda conjunta de R$ 10 mil, não é difícil realizar cortes no orçamento para conseguir pagar o curso mesmo sem ter uma poupança. A venda do segundo automóvel praticamente assegura os estudos.
Fonte e imagem: www.canalrh.com.br - Junho de 2008 - por: Lucas Toyama
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