Isolamento do idoso pode ser sinal de que algo não vai bem com a visão
Tropeços, desinteresse em assistir televisão, abandono do hábito de leitura ou de jogos como cartas ou dominó. Esses podem ser indicativos importantes de que o idoso não está enxergando bem. É o que explica Dr. Renato Maia, presidente da Associação Internacional de Geriatria. “Muitas vezes, o indivíduo não compreende que se trata de um problema de visão e acaba por se isolar e, até mesmo, vivenciar quadros de depressão”, explica o especialista.
Já está claro para os geriatras que ver bem é fator fundamental para a qualidade de vida na terceira idade, uma vez que o idoso preserva sua segurança, autonomia e liberdade. E isso é perceptível também nos consultórios oftalmológicos. “Após a cirurgia de catarata, por exemplo, vemos pacientes maduros modificar a atitude perante a vida, tornando-se até mesmo mais vaidosos e extrovertidos”, destaca o oftalmologista José Geraldo Pereira, do Inob, em Brasília.
Aos que adotam uma postura fatalista em relação ao envelhecimento, Dr. Renato Maia é taxativo. “Acreditar que perdas, inclusive da visão, fazem parte do processo de amadurecimento é um equívoco. O que ocorre na prática é que muitas pessoas perdem a visão por falta de cuidados preventivos e pela falta de avaliações oftalmológicas regulares”, destaca.
Após os 60 anos, recomenda-se visita anual ao oftalmologista para avaliação clínica e realização de alguns exames de rotina. “A demora em reconhecer e tratar adequadamente doenças como o glaucoma favorece o desenvolvimento de lesões definitivas. Pacientes com doenças sistêmicas, como hipertensão e, especialmente, diabetes, devem ter uma atenção redobrada com a saúde global e da visão”, acrescenta Dr. José Geraldo.
De acordo com o médico, a maior parte das doenças oftalmológicas rondam a terceira idade, mas algumas têm maior incidência. São elas:
Catarata – Caracteriza-se por uma turvação do cristalino, a lente natural que temos no olho. Para tratá-la, o paciente deve submeter-se a cirurgia.
Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) – São alterações físicas da área central da retina. A terapia fotodinâmica é a mais indicada para amenizar o problema.
Glaucoma - É um distúrbio no qual a pressão do globo ocular aumenta, lesando o nervo óptico. Pode ser tratada com colírios e, em casos mais graves, demanda cirurgia.
Distrofias de Córnea – São caracterizadas por distorções na morfologia da córnea. Exigem transplante de córnea.
Retinopatia Diabética – Manifesta-se através de lesões na retina, podendo causar pequenos sangramentos e, como conseqüência, a perda da acuidade visual. Pode ser tratada com laser ou cirurgia convencional. O paciente deve ainda receber acompanhamento especializado para o diabetes.
O diagnóstico precoce dessas doenças é fundamental. “A única coisa que o paciente pode fazer por conta própria é tampar um olho e testar a visão do outro, comparando os dois. Se houver uma diferença importante, é necessário procurar o oftalmologista com urgência”, complementa o especialista Daniel Moon Lee.
Fonte: Agência Brasileira de Notícias de Saúde - Editoria de Saúde
Imagem: linguadepeste.blogspot.com
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