Terceira idade - Viver com saúde!

O envelhecimento, apesar de ser um processo natural, submete o organismo a diversas alterações anatômicas e funcionais, com repercussões nas condições de saúde e nutrição do idoso. Muitas dessas mudanças são progressivas, ocasionando efetivas reduções na capacidade funcional, desde a sensibilidade para os gostos primários até os processos metabólicos do organismo. É preciso aceitar essa fase como uma importante etapa da vida.
Vários fatores interferem no processo de envelhecimento como: o meio ambiente, o estilo de vida, o hábito de fumar, a alimentação, a prática de atividade física, a depressão, o stress, etc., e no surgimento de doenças crônicas não transmissíveis (crônico-degenerativas), como aterosclerose, hipertensão, diabetes, obesidade, osteoporose e outras, tão comuns nessa faixa etária e que muitas vezes não é possível ter a cura delas mas podem ser controladas.
O idoso também está mais sujeito às deficiências nutricionais devido à intensidade de determinadas doenças e/ou à debilidade em se alimentar, ocasionando risco de deficiência de certos nutrientes, como: vitamina B12, ácido fólico, ferro, vitamina A e vitamina C. Por outro lado, a manutenção da mesma quantidade de alimentos, usualmente ingerida na vida adulta, pode levar ao sobrepeso ou obesidade. Existe também alteração do metabolismo de cálcio e vitamina D, acelerando a perda óssea e contribuindo para o desenvolvimento da osteoporose.
A alimentação exerce papel fundamental para a promoção, manutenção e recuperação da saúde. Várias doenças que se apresentam com maior incidência entre os idosos, estão relacionadas à alimentação, seja como causa ou como forma de tratamento ou controle. A importância dos alimentos com características antioxidantes como o beta-caroteno, inibem os danos oxidativos das lipoproteínas de baixa densidade (colesterol LDL). Estes compostos atuam na preservação dos tecidos que revestem internamente o coração e os vasos sanguineos, e são importantes para a prevenção de trombose, aterosclerose e na manutenção da elasticidade vascular. O beta-caroteno está presente no mamão, abóbora, manga, melão, cenoura e nas folhas verdes como salsinha e couve. A ingestão de vitamina C também é importante na prevenção de doenças cardiovasculares entre os idosos. encontrada nas frutas cítricas, morangos, batatas e alimentos enriquecidos.
Em decorrência do envelhecimento, os idosos apresentam uma perda de interesse pela ingestão adequada de alimentos, especialmente líquidos e fibras. A perda de parte ou de toda dentição dificulta o consumo de alimentos mais fibrosos e calóricos.
Diversos fatores afetam o consumo alimentar do idoso, tais como:
* situação social, econômica e familiar em que vive;
* condições físicas para desempenhar as atividades diárias;
*
presença de doenças e uso de múltiplos medicamentos;
* aspectos culturais, religiosos e disponibilidades de alimentos;
*
alterações fisiológicas que ocorrem com o avanço da idade;
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perda de dentes e uso de próteses.
Diante dessas condições, deve-se estar atento a alimentação do idoso para que não ocorram quadros de obesidade ou desnutrição que podem trazer extensas conseqüências. A má nutrição do idoso pode também ser decorrente da sua progressiva incapacidade de realizar sozinho as atividades cotidianas. As regras gerais de uma dieta saudável, servem para todas as idades. A variedade é a principal delas, quando temos uma alimentação monótona, possivelmente apresentaremos carências de nutrientes. Para o idoso essa possibilidade fica aumentada, já que suas condições de absorção e metabolização de nutrientes estão debilitadas. Um padrão alimentar equilibrado proporciona melhor condição de saúde e contribui diretamente na prevenção e controle das principais doenças que acometem os idosos.
A presença de nutricionista é de extrema importância, tendo em vista que este profissional é capacitado para o cálculo da adequação nutricional das preparações que serão oferecidas aos idosos, considerando as alterações fisiológicas e as disfunções degenerativas características desse estágio de vida, de forma a garantir a manutenção da saúde, a prevenção de doenças ou a recuperação destas por meio de uma alimentação saudável.
Um envelhecimento saudável e bem sucedido é marcado por uma redução no risco de doenças e pela prevenção ou reversão da perda funcional, garantindo a manutenção de uma vida independente e autônoma.
Segundo o Ministério da Saúde devem-se seguir os 10 passos para uma alimentação saudável para idosos:
1º passo: Aumente e varie o consumo de frutas, legumes e verduras. Coma-os 5 vezes por dia.
2º passo: Coma feijão pelo menos 1 vez por dia, no mínimo 4 vezes por semana.
3º passo: Reduza o consumo de alimentos gordurosos, como carne com gordura aparente, salsicha, mortadela, frituras e salgadinhos, para no máximo 1 vez por semana.
4º passo: Reduza o consumo de sal. Tire o saleiro da mesa.
5º passo: Faça pelo menos 3 refeições e 1 lanche por dia. Não pule as refeições.
6º passo: Reduza o consumo de doces, bolos, biscoitos e outros alimentos ricos em açúcar para no máximo 2 vezes por semana.
7º passo: Reduza o consumo de álcool e refrigerantes. Evite o consumo diário. A melhor bebida é a água.
8º passo: Aprecie a sua refeição. Coma devagar.
9º passo: Mantenha o seu peso dentro dos limites saudáveis.
10º passo: Seja ativo. Acumule 30 minutos de atividade física todos os dias. Caminhe no seu bairro. Não passe muitas horas assistindo TV.
DICAS
Atitudes simples, como servir as refeições em local agradável (limpo, arejado, com piso não-derrapante, com movéis adequado, sentar o idoso confortavelmente à mesa em companhia de outras pessoas (familiares, amigos, dentre outras pessoas), disciplinar e fracionar o consumo de alimentos estabelecendo horários (oferecendo refeições menos volumosas mais vezes ao dia), oferecer a eles refeições atrativas (combinar, de acordo com as recomendações para a faixa etária, alimentos construtores, energéticos e reguladores, oferecendo refeições coloridas) e saborosas (usar temperos naturais como alho, cebola, cebolinha, cheiro verde, salsa, orégano e outros, evitando, assim, o abuso do sal), e promover um contraste de cor entre os utensílios e o forro da mesa, melhoram o estado de ânimo do idoso, influenciando, positivamente, o seu apetite. Pode-se, também, colocar um fundo sonoro neste ambiente, desde que a opção seja por músicas suaves e que atendam à preferência da faixa etária, pois o idoso tende a degustar os alimentos com mais tranqüilidade. Tais condutas proporcionam ao idoso mais prazer com a alimentação.
Todo programa para o idoso visa a manutenção de sua independência e otimização da sua Qualidade de Vida."Tudo que comemos durante ao longo dos anos vai refletir na qualidade de vida na terceira idade".
Fonte:
Dra. Michele Oliveira de Lima - Nutricionista/CRN-6:5405 - Especialista em Obesidade e Emagrecimento
E-mail: michelelima.nutricionista@hotmail.com
Imagem: picasaweb.google.com
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