Conversa Pessoal
Ano VII - Número 82 - setembro - 2007

Despesas fixas X despesas fixas

Imagem de uma caneta e papel

Diversas pessoas vivendo sob a angústia de gerenciar um orçamento familiar apertado relatam suas dificuldades para identificar as despesas que devem ser cortadas para permitir um melhor conforto financeiro. Em seu socorro, os consultores em finanças pessoais, tipicamente, afirmam que as despesas fixas são as primeiras candidatas na lista da tesoura financeira. Mas, a pergunta que surge naturalmente é: o que é uma despesa fixa? Há os que entendem que as despesas fixas se referem àqueles gastos que ocorrem periodicamente, todo mês. Exemplos comuns são as contas de energia elétrica, água, telefone, os gastos com alimentação, habitação, enfim, dispêndios com produtos e serviços que se consomem cotidianamente e pelos quais se paga em certa data de cada mês.

Apesar da periodicidade dos pagamentos, o quanto se gasta em cada item desses pode variar de um mês para o outro, dependendo do nível de consumo: a conta de telefone fixo, por exemplo, consiste em uma assinatura básica mais um montante que aumenta ou diminui de acordo com o uso do telefone. Para essas situações, o conselho é reduzir o consumo desses produtos e serviços, o que acarreta uma redução das despesas mensais. Isso não é novidade. Tanto não é que ouve-se freqüentemente: “Menino, você está na sala. Apaga a luz do quarto que você deixou acesa”. Ou, então: “Minha filha, desliga esse celular. Você já está falando faz mais de um hora!”

Mas há outra conceituação de despesa fixa, pouco conhecida pelas pessoas, porém altamente relevante para os orçamentos domésticos. Ignorá-la é perigoso. Aqui, a despesa é dita fixa quando o seu montante NÃO depende de quanto se consome. Um exemplo? Academia de ginástica. Geralmente, paga-se um valor para adquirir o direito de freqüentar a academia por um certo tempo. Esse valor é o mesmo se a pessoa “malhar” 7 dias por semana, 4 dias ou 1 dia. O “atleta” pode até escolher não ir academia nenhuma vez, apesar do pagamento inicial. Outros exemplos de serviço com essa característica são os cursinhos de língua estrangeira e preparatórios para concurso. Esse tipo de despesa pode ser facilmente eliminada se houver a percepção de que o consumo ou o benefício derivado desses produtos ou serviços é pequeno frente ao pagamento estipulado.

Ainda nessa linha de raciocínio, a despesa inerente a um automóvel particular contém uma parcela significativa que não depende da sua utilização. O IPVA e o seguro são devidos, mesmo que ele fique parado na garagem a maior parte do tempo. Isso sem contar as prestações, no caso de quem o financiou, ou o próprio pagamento à vista. Assim, uma boa dica para quem está com dificuldades para fechar as contas e tem um carro na garagem “de bobeira” é simplesmente livrar-se desse custo fixo, vendendo-o. Além de se livrar desse custo, o dinheiro da venda pode ajudar a abater dívidas ou fazer outros pagamentos. O ponto negativo é ficar sem esse carro. Mas se o carro era pouco usado, isso não chega a se contrapor às vantagens de sua alienação.

Independentemente do que se prefira entender por “despesa fixa”, o fato que é uma redução das despesas domésticas pode ser alcançada: 1) pela redução do consumo daqueles produtos ou serviços cujas despesas dependem do quanto se consome (ex: eletricidade, telefone, alimentação etc.). Em outras palavras, se você paga pela unidade de consumo, consuma o mínimo possível; ou 2) pela eliminação de consumo de produtos ou serviços cujos valores não dependem do quanto se consome e a expectativa para o seu nível de consumo é pequena. Ou seja, se o preço é o mesmo, quer se consuma muito ou pouco, e você acha que vai consumir pouco, então não compre.



Texto escrito por Tarcisio Barroso da Graça, Ph.D em economia pela Cornell University (EUA). É consultor do Senado e ministra o curso "Planejamento Financeiro Pessoal" no ILB. E-mail: tbarroso@senado.gov.br


Imagem: www.zsl.com.br


 



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