Ano VI - Número 78 - maio - 2007

Carreira
Colaboração: Jussara Dutra Izac

Mandarim é a bola da vez

Imagem de um dragão chinês

Morar e estudar fora do país são experiências cada vez mais valorizadas na hora de conseguir uma boa colocação profissional. E dominar outra língua, principalmente a inglesa, é requisito básico para quem deseja boas chances de crescer na carreira. "Tenho certeza de que se não tivesse morado na Austrália, não teria sido contratada para trabalhar na HATCH, multinacional canadense", afirma a engenheira Marina Bartelle Veronese, de 25 anos.

Contratada há pouco mais de um ano, Marina se destacou na empresa pela facilidade de comunicar-se com os funcionários expatriados, e foi convocada para participar de um processo seletivo interno para trabalhar na expansão da refinaria de Kwinana, na Austrália. "O processo seletivo se resumiu a quatro entrevistas feitas por telefone com os diferentes profissionais australianos", conta a engenheira que foi selecionada e viaja em maio para aquele país. "Além de aumento de salário em 60%, terei direito a várias regalias, como carro oferecido pela empresa."

Segundo dados fornecidos pela STB (Student Travel Bureau), representante brasileiro da ALTO (Association of Language Travel Organization), as agências esperam crescimento na renda de 15% nos próximos dois anos. Ainda de acordo com a mesma pesquisa, os destinos mais procurados são Reino Unido, 79%, Espanha, 58%, Estados Unidos, 58%, seguidos de Canadá, 47% e Austrália, 42%, comprovando que os idiomas inglês e espanhol ainda são os idiomas mais procurados.

Entretanto, com a proximidade dos Jogos Olímpicos de 2008 e, acima de tudo, com a pungente expansão econômica do gigante asiático, a China está se tornando a "bola da vez". A STB, por exemplo, deve iniciar serviços de intercâmbio para a China ainda este ano. Falar mandarim também vem se tornado, em princípio, um grande diferencial, e cada vez mais executivos estão procurado aprender a língua.

’É um investimento a longo prazo, mas vale à pena", afirma Ezequiel Ventura, administrador de empresas que está cursando o idioma há pouco menos de um ano.

De acordo com dados fornecidos pela Escola Mandarim, a procura pelo curso aumentou 50% do primeiro semestre de 2006, para o segundo do mesmo ano, e aumentou 70% do segundo semestre do ano passado para o primeiro deste ano. A escola acrescenta que 93% de seus alunos estão no nível básico, 6% no nível intermediário e apenas 1% no avançado.

A escola ainda dispõe de um curso com duração de quatro horas para executivos ou turistas que desejam viajar à China sem cometer gafes. Ezequiel nunca foi à China, mas pretende e negocia bastante com chineses. "'Decidi aprender chinês por causa do trabalho, por enquanto ainda não me comunico em chinês, estou muito no começo, então, ainda utilizo o inglês nas negociações, mas estou certo de que é um excelente investimento profissional, que certamente me abrirá portas no futuro", esclarece.

De acordo com a pesquisa conduzida pela ALTO, o Brasil é o quarto país de origem dos intercambistas, com 32% dos viajantes-estudantes, atrás apenas de Japão (64%), Espanha (39%) e Alemanha (36%), mas bem na frente de Reino Unido e Estados Unidos (ambos com 18%) e da China, que aparece em modesto 13º lugar com 14%. Ângela Alves, do departamento de gerência da STB, explica que a maioria dos intercambistas é jovem, de 16 a 35 anos, mas acrescenta que existem cursos específicos para as áreas de marketing, medicina, advocacia, entre outros, e também cursos dirigidos à Terceira Idade, de idiomas ou combinando língua com atividades de lazer ou cultural. As agências de intercâmbio oferecem inúmeros destinos, então, para quem deseja aprender um novo idioma, é só escolher a cultura que mais lhe agrada e fazer as malas. Depois é arrasar na entrevista para uma vaga na empresa dos seus sonhos.

Fonte: Canal RH - Revista - Ano 2007 - abril / 2007 por Carla França fotos AE e Divulgação

Imagem: Centro de língua chinesa da USP


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