Mandarim é a bola da vez

Morar e estudar fora do país são experiências cada
vez mais valorizadas na hora de conseguir uma boa colocação
profissional. E dominar outra língua, principalmente a inglesa,
é requisito básico para quem deseja boas chances de crescer
na carreira. "Tenho certeza de que se não tivesse morado na
Austrália, não teria sido contratada para trabalhar na HATCH,
multinacional canadense", afirma a engenheira Marina Bartelle Veronese,
de 25 anos.
Contratada há pouco mais de um ano, Marina se destacou na empresa
pela facilidade de comunicar-se com os funcionários expatriados,
e foi convocada para participar de um processo seletivo interno para trabalhar
na expansão da refinaria de Kwinana, na Austrália. "O
processo seletivo se resumiu a quatro entrevistas feitas por telefone
com os diferentes profissionais australianos", conta a engenheira
que foi selecionada e viaja em maio para aquele país. "Além
de aumento de salário em 60%, terei direito a várias regalias,
como carro oferecido pela empresa."
Segundo dados fornecidos pela STB (Student Travel Bureau), representante
brasileiro da ALTO (Association of Language Travel Organization), as agências
esperam crescimento na renda de 15% nos próximos dois anos. Ainda
de acordo com a mesma pesquisa, os destinos mais procurados são
Reino Unido, 79%, Espanha, 58%, Estados Unidos, 58%, seguidos de Canadá,
47% e Austrália, 42%, comprovando que os idiomas inglês e
espanhol ainda são os idiomas mais procurados.
Entretanto, com a proximidade dos Jogos Olímpicos de 2008 e, acima
de tudo, com a pungente expansão econômica do gigante asiático,
a China está se tornando a "bola da vez". A STB, por
exemplo, deve iniciar serviços de intercâmbio para a China
ainda este ano. Falar mandarim também vem se tornado, em princípio,
um grande diferencial, e cada vez mais executivos estão procurado
aprender a língua.
’É um investimento a longo prazo, mas vale à pena",
afirma Ezequiel Ventura, administrador de empresas que está cursando
o idioma há pouco menos de um ano.
De acordo com dados fornecidos pela Escola Mandarim, a procura pelo curso
aumentou 50% do primeiro semestre de 2006, para o segundo do mesmo ano,
e aumentou 70% do segundo semestre do ano passado para o primeiro deste
ano. A escola acrescenta que 93% de seus alunos estão no nível
básico, 6% no nível intermediário e apenas 1% no
avançado.
A escola ainda dispõe de um curso com duração de
quatro horas para executivos ou turistas que desejam viajar à China
sem cometer gafes. Ezequiel nunca foi à China, mas pretende e negocia
bastante com chineses. "'Decidi aprender chinês por causa do
trabalho, por enquanto ainda não me comunico em chinês, estou
muito no começo, então, ainda utilizo o inglês nas
negociações, mas estou certo de que é um excelente
investimento profissional, que certamente me abrirá portas no futuro",
esclarece.
De acordo com a pesquisa conduzida pela ALTO, o Brasil é o quarto
país de origem dos intercambistas, com 32% dos viajantes-estudantes,
atrás apenas de Japão (64%), Espanha (39%) e Alemanha (36%),
mas bem na frente de Reino Unido e Estados Unidos (ambos com 18%) e da
China, que aparece em modesto 13º lugar com 14%. Ângela Alves,
do departamento de gerência da STB, explica que a maioria dos intercambistas
é jovem, de 16 a 35 anos, mas acrescenta que existem cursos específicos
para as áreas de marketing, medicina, advocacia, entre outros,
e também cursos dirigidos à Terceira Idade, de idiomas ou
combinando língua com atividades de lazer ou cultural. As agências
de intercâmbio oferecem inúmeros destinos, então,
para quem deseja aprender um novo idioma, é só escolher
a cultura que mais lhe agrada e fazer as malas. Depois é arrasar
na entrevista para uma vaga na empresa dos seus sonhos.
Fonte: Canal
RH - Revista
- Ano 2007 - abril / 2007 por Carla França fotos AE e Divulgação
Imagem: Centro de língua chinesa da USP
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