Colecionar – hobby e paixão

Cartões telefônicos, chaveiros, figurinhas, selos, peças
de arte, carrinhos. Tudo pode ser colecionado. Esse passatempo, hábito
ou mania - não importa o nome que se dê - faz parte da vida de muita
gente e, segundo os “adeptos”, é apaixonante. Há quem não se sinta à
vontade para revelar que objetos gosta de guardar. Mas, aqui no Senado
três colegas toparam contar um pouquinho sobre suas coleções e o que
elas significam para eles.
Tinteiros antigos e chaveiros diferentes
Ricardo Marinho, por exemplo, possui uma coleção um tanto diferente.
É colecionador de tinteiros antigos e o acervo tem 150 peças, algumas
raras. Ele explica que até 1840, quando a caneta-tinteiro foi inventada,
o artefato era muito utilizado e considerado objeto de arte. Por isso
muitas das peças são feitas de materiais nobres como bronze, prata,
vidro e cristal entre outros.
O gosto pela antiguidade vem da tradição familiar. “Há 20 anos, meus
pais me presentearam com um tinteiro de bronze. Depois disso não parei
mais de adquirir exemplares”, conta Ricardo. Ele garimpa o objeto em
feiras e antiquários em várias cidades. O servidor também foi notícia
na revista Retrô – Coleções & Antiguidades – do mês de julho por conta
da sua coletânea. Os amigos e familiares sempre trazem tinteiros encontrados
em viagem pelo Brasil e exterior. “Pode-se encontrar peças caríssimas
e outras mais em conta. Depende muito”, diz.
O tinteiro mais antigo da coleção data do período romano. O objeto,
comprado em Israel pelo irmão de Ricardo, acompanha um certificado de
autenticidade. E o quê de História não pára por aí. Há um exemplar de
opalina negra, idêntico ao que foi usado para assinar o tratado de paz
na Segunda Guerra. Todas essas preciosidades estão guardadas num espaço
iluminado e fechado. Outro tinteiro que está na lista do “mais mais”
é o que foi adquirido na feira do Museu de Arte de São Paulo (MASP).
“Vi um tinteiro que muito me interessava, mas na hora não comprei. Quando
voltei para fechar o negócio, o vendedor disse que já havia vendido.
Fiquei chateado. Para minha surpresa, quatro meses depois o mesmo tinteiro
enfeitava meu bolo de aniversário”, conta. A esposa, também admiradora
das peças, comprou em segredo para presenteá-lo.

Outro colega que possui coleção há bastante tempo – 10 anos - é Wanderley
Pessoa. Colecionador nato, desde a infância já gostava de guardar revista
em quadrinhos. “Tinha muitos exemplares de Gibis. Só que trocava por
outros para conseguir ler mais histórias”, conta Wanderley. Os quadrinhos
foram apenas o começo da paixão pelo ato de colecionar. Depois vieram
as moedas, os bibelôs e as miniaturas em geral. “Ter um hobby
é uma atividade muito saudável. É uma oportunidade de deixar os eventuais
problemas de lado e ter momentos de tranqüilidade”, resume.
Hoje a opção é pelos chaveiros, segundo ele, por ser mais acessível
e barato. Apesar de ter muitas peças, lembra a história de cada
uma. Para Wanderley, o valor afetivo que muitos desses objetos carregam é
grande, como o táxi amarelo e o carro de polícia americana comprados
em uma viagem para Nova York em 1997 . “Parecia um filme, os carros
eram muito brilhantes e bem cuidados, quando comprei o chaveiro guardei
uma lembrança de tudo aquilo”, diz. Ele não usa nenhuma das
peças. A explicação: receio de estragar ou arranhar.
Brinquedos de criança que encantam os adultos
Quase quinhentos exemplares, sendo 300 carros antigos, 150 aviões e
30 trens. Esta é a somatória da coleção – ou será dedicação? - do servidor
Carlos Alberto da Silva Pinheiro por miniaturas. “Tudo começou com um
presente. Em 1987 ganhei uma Ferrari de uma colega de trabalho e dali
para cá não parei mais de garimpar”, conta. A coleção tem réplicas de
aviões de guerra e comercial, carros de bombeiros e táxis, Ferraris
e Fords, veículos e trens do início do século.

Mas ele não hesita em afirmar que os queridinhos da coleção são os carros
antigos. Um dos preferidos é o Ford T 1926. Em sua casa existe um espaço
reservado para expor e guardar as miniaturas. “Eu mesmo limpo e organizo
tudo”, diz Beto, como é conhecido pelos colegas da Casa. Só que o lugar
planejado já está ficando pequeno, tamanha a paixão pelas miniaturas.
O último item comprado foi um Ford azul 1928 que, por falta de espaço,
ainda está na caixa.
E isso não desanima o colecionador que pretende ampliar número de exemplares.
As miniaturas são compradas em postos de gasolina, bancas de jornais,
papelarias e também pela internet. Até em viagens não deixa de procurar
aviões, trens e carrinhos para incrementar a coleção. Para Beto, uma
das vantagens de colecionar miniatura é poder ter carros que em tamanho
real seria impossível. O carinho pelos pequenos brinquedos já contagiou
até os familiares. “Meus sobrinhos gostam tanto da coleção como eu.
Não tenho problema em deixar as pessoas olharem e brincarem. Sei dividir”,
diz o colecionador. O que começou por acaso, hoje tem um lugar especial
na vida do servidor: é um dos seus passatempos prediletos.
Fotos: Revista Retrô - Coleções & Antiguidades
Wanderley Pessoa
Carlos Alberto Pinheiro
Endereço: Av. N2 - SEEP - Bloco 07 - Térreo - Prédio da Diretoria Executiva da Gráfica - 70165-900 – Brasília–DF
Telefone: 61 - 0800612210 - E-mail: pessoal@senado.gov.br