Conversa Pessoal
Ano VI - Número 69 - agosto - 2006

Comportamento
Por: Daniela Soares

Colecionar – hobby e paixão


Foto do servidor Ricardo Marinho e um de seus tinteiros antigos

Cartões telefônicos, chaveiros, figurinhas, selos, peças de arte, carrinhos. Tudo pode ser colecionado. Esse passatempo, hábito ou mania - não importa o nome que se dê - faz parte da vida de muita gente e, segundo os “adeptos”, é apaixonante. Há quem não se sinta à vontade para revelar que objetos gosta de guardar. Mas, aqui no Senado três colegas toparam contar um pouquinho sobre suas coleções e o que elas significam para eles.

Tinteiros antigos e chaveiros diferentes

Ricardo Marinho, por exemplo, possui uma coleção um tanto diferente. É colecionador de tinteiros antigos e o acervo tem 150 peças, algumas raras. Ele explica que até 1840, quando a caneta-tinteiro foi inventada, o artefato era muito utilizado e considerado objeto de arte. Por isso muitas das peças são feitas de materiais nobres como bronze, prata, vidro e cristal entre outros.

O gosto pela antiguidade vem da tradição familiar. “Há 20 anos, meus pais me presentearam com um tinteiro de bronze. Depois disso não parei mais de adquirir exemplares”, conta Ricardo. Ele garimpa o objeto em feiras e antiquários em várias cidades. O servidor também foi notícia na revista Retrô – Coleções & Antiguidades – do mês de julho por conta da sua coletânea. Os amigos e familiares sempre trazem tinteiros encontrados em viagem pelo Brasil e exterior. “Pode-se encontrar peças caríssimas e outras mais em conta. Depende muito”, diz.

O tinteiro mais antigo da coleção data do período romano. O objeto, comprado em Israel pelo irmão de Ricardo, acompanha um certificado de autenticidade. E o quê de História não pára por aí. Há um exemplar de opalina negra, idêntico ao que foi usado para assinar o tratado de paz na Segunda Guerra. Todas essas preciosidades estão guardadas num espaço iluminado e fechado. Outro tinteiro que está na lista do “mais mais” é o que foi adquirido na feira do Museu de Arte de São Paulo (MASP). “Vi um tinteiro que muito me interessava, mas na hora não comprei. Quando voltei para fechar o negócio, o vendedor disse que já havia vendido. Fiquei chateado. Para minha surpresa, quatro meses depois o mesmo tinteiro enfeitava meu bolo de aniversário”, conta. A esposa, também admiradora das peças, comprou em segredo para presenteá-lo.

Foto de chaveiro - táxi amarelo de Nova Iorque

Outro colega que possui coleção há bastante tempo – 10 anos - é Wanderley Pessoa. Colecionador nato, desde a infância já gostava de guardar revista em quadrinhos. “Tinha muitos exemplares de Gibis. Só que trocava por outros para conseguir ler mais histórias”, conta Wanderley. Os quadrinhos foram apenas o começo da paixão pelo ato de colecionar. Depois vieram as moedas, os bibelôs e as miniaturas em geral. “Ter um hobby é uma atividade muito saudável. É uma oportunidade de deixar os eventuais problemas de lado e ter momentos de tranqüilidade”, resume.

Hoje a opção é pelos chaveiros, segundo ele, por ser mais acessível e barato. Apesar de ter muitas peças, lembra a história de cada uma. Para Wanderley, o valor afetivo que muitos desses objetos carregam é grande, como o táxi amarelo e o carro de polícia americana comprados em uma viagem para Nova York em 1997 . “Parecia um filme, os carros eram muito brilhantes e bem cuidados, quando comprei o chaveiro guardei uma lembrança de tudo aquilo”, diz. Ele não usa nenhuma das peças. A explicação: receio de estragar ou arranhar.

Brinquedos de criança que encantam os adultos

Quase quinhentos exemplares, sendo 300 carros antigos, 150 aviões e 30 trens. Esta é a somatória da coleção – ou será dedicação? - do servidor Carlos Alberto da Silva Pinheiro por miniaturas. “Tudo começou com um presente. Em 1987 ganhei uma Ferrari de uma colega de trabalho e dali para cá não parei mais de garimpar”, conta. A coleção tem réplicas de aviões de guerra e comercial, carros de bombeiros e táxis, Ferraris e Fords, veículos e trens do início do século.

Foto da coleção de aviões

Mas ele não hesita em afirmar que os queridinhos da coleção são os carros antigos. Um dos preferidos é o Ford T 1926. Em sua casa existe um espaço reservado para expor e guardar as miniaturas. “Eu mesmo limpo e organizo tudo”, diz Beto, como é conhecido pelos colegas da Casa. Só que o lugar planejado já está ficando pequeno, tamanha a paixão pelas miniaturas. O último item comprado foi um Ford azul 1928 que, por falta de espaço, ainda está na caixa.

E isso não desanima o colecionador que pretende ampliar número de exemplares. As miniaturas são compradas em postos de gasolina, bancas de jornais, papelarias e também pela internet. Até em viagens não deixa de procurar aviões, trens e carrinhos para incrementar a coleção. Para Beto, uma das vantagens de colecionar miniatura é poder ter carros que em tamanho real seria impossível. O carinho pelos pequenos brinquedos já contagiou até os familiares. “Meus sobrinhos gostam tanto da coleção como eu. Não tenho problema em deixar as pessoas olharem e brincarem. Sei dividir”, diz o colecionador. O que começou por acaso, hoje tem um lugar especial na vida do servidor: é um dos seus passatempos prediletos.



Fotos: Revista Retrô - Coleções & Antiguidades
Wanderley Pessoa
Carlos Alberto Pinheiro


 



Endereço: Av. N2 - SEEP - Bloco 07 - Térreo - Prédio da Diretoria Executiva da Gráfica - 70165-900 – Brasília–DF
Telefone: 61 - 0800612210 - E-mail: pessoal@senado.gov.br