Esporte – Maratona

Por recomendações médicas, por determinação em fazer algo novo e diferente do habitual, por curiosidade, por amor ao esporte. Seja por que motivo for, quem começa a correr, apaixona-se e não pára mais. Prova disso, são os colegas Dílson Martins e Sylvia de Albuquerque, que contam uma bela história de amor entre cada um deles e as grandes distâncias percorridas no asfalto. Os dois são servidores do Senado. Ela trabalha no gabinete do Senador Gilberto Mestrinho, ele no gabinete do senador Roberto Saturnino.
Adeus ao cigarro
Sylvia foi fumante durante 20 anos. A corrida surgiu como uma alternativa
de atividade física para auxiliar o abandono do vício. Ela conta que sempre
freqüentou academias, mas os exercícios eram localizados e de baixo impacto.
"Sentia necessidade de praticar uma atividade que exigisse um maior
esforço aeróbico", diz. A idéia de correr partiu de um dos professores
da academia. Na época, Sylvia participava das aulas de spincross, modalidade
na qual o aluno faz a conhecida aula de spinning (bicicleta) e depois corre
fora do ambiente da academia, geralmente nas imediações próximas ao local.
“O início não foi fácil. Comecei bem devagar, alternando corrida com caminhada,
mas a turma era tão animada e o percurso tão agradável que mesmo com toda
dificuldade jamais pensei em desistir”, explica.
Após seis meses de aulas, a nossa ex-fumante e nova atleta disputou sua
primeira prova: a Corrida das Nações, com 7 quilômetros. A experiência marcou
sua vida. "A sensação de cruzar a linha de chegada é indescritível. Um misto
de dever cumprido, euforia, agradecimento, cansaço, vontade de chorar, de
rir, um quase não acreditar que fora possível, que conseguira, que todo
o esforço valera a pena. Sinto um arrepio no corpo cada vez que me lembro
dessas cenas”, cofessa.
Hoje, passados cinco anos, Sylvia não se imagina mais fora desse mundo,
Ela treina diariamente com acompanhamento de um personal trainer. Também
fazem parte da preparação para as corridas, a supervisão da alimentação,
feita por nutricionistas, treinos com musculação e exames periódicos, os
conhecidos check ups. Todo esse cuidado tem dado bons resultados. Já fazem
parte da “coleção” 94 medalhas de participação e alguns troféus, conseguidos
dentro da faixa etária da nossa atleta.
Em 2003, precisamente dois anos após começar a correr, Sylvia
encarou sua primeira maratona, ou seja, 42 quilômetros. A prova escolhida
como grande desafio foi a Maratona de Nova Iorque, uma das mais conhecidas
e esperadas pelos corredores de rua. Até então, Sylvia estava acostumada
a correr cerca de 10 quilômetros, ou, às vezes, uma meia maratona. “Correr
uma maratona é um desgaste muito grande. A realidade dos atletas de Brasília
é participar de provas com 10 km”, explica.
A última façanha de Sylvia foi participar da “maratona mais charmosa do
mundo”, como ela mesma diz – a 30ª Maratona de Paris, realizada em abril
deste ano. Dos 36 mil inscritos, 287 eram brasileiros iniciaram a prova
e 247 cruzaram a linha de chegada. No TOP 40 feminino (as 40 mulheres mais
bem colocadas), Sylvia ficou em 8º lugar, com um tempo de 04:12'33", tempo
que a maioria dos participantes levam para concluir esse tipo de prova.
Com a corrida, Sylvia mudou de vida. Passou a dedicar-se com afinco a uma
atividade física e garante que só obteve benefícios. “O ciclo de amizades
aumenta. Você fica entre pessoas saudáveis e vê a sua evolução, porque cada
um incentiva o outro. Além disso, para o corpo, faz muito bem, principalmente
para as mulheres, que podem até se dar ao luxo de cometer pequenos excessos!”,
destaca Sylvia.
Sugestão médica
Capoeira, caratê, halterofilismo e natação. Nenhum desses esportes conquistou
por completo o colega Dílson Martins. Depois de um check up o médico sugeriu
que ele começasse a correr, já que gostava de caminhar e queria praticar
um esporte. “Sempre gostei de fazer exercícios físicos, mas não havia me
encontrado em nenhum esporte. Quando comecei a correr, tomei gosto e não
quis mais parar”, conta Dílson.
Até hoje, são 11 anos de corrida e, para quem começou a praticar o exercício
sozinho, a evolução foi rápida. Ele começou a correr por conta própria.
Morador do Guará, dava uma volta na cidade. Em pouco tempo aumentou o percurso
e logo passou a dar duas voltas. Atualmente, Dílson investe em um acompanhamento
especializado para seus treinamentos, de três a quatro vezes por semana
e tem a ajuda de sua esposa, Alice Gob, que é enfermeira e se preocupa bastante com a alimentação
do marido. “Para correr bem, eu vivo bem. Ou seja, não perco noites de sono,
a não ser que o filme ou a festa sejam muito bons mesmo. Não me preocupo
com nada na hora de dormir. Só almoço em casa e três dias antes de alguma
prova não como carne”, ensina o baiano Dílson.

A corrida não ficou só na atividade física. Para Dílson, estudar sobre o assunto também faz parte do esporte. “Passei a ler muito sobre corrida. Aprendi, por exemplo, que os movimentos dos braços, de acordo com cada tipo de percurso, influencia o desempenho do atleta”, explica. Outra novidade que ele conta aos amigos e que muitos acham engraçado é o descanso do tênis, “ele (o tênis) também tem que descansar, por isso alterno os meus pares de tênis, que é bom dizer, são específicos para essa atividade e fazem uma boa diferença na hora de correr”, diz.
Entre algumas São Silvestres, meias maratonas e maratonas, uma das provas que Dílson gosta de lembrar é a VI Volta Internacional da Pampulha, em Belo Horizonte, realizada em 2003. “Nessa corrida, me emocionei na largada, chorei até o primeiro quilômetro. Estava ao lado de grandes profissionais e realizando um sonho”, confessa.
Para correr não existe, necessariamente, uma idade limite. Da adolescência à chamada melhor idade, é possível encontrar corredores. No caso de Dílson, por recomendações de seu cardiologista, Dr. Cantídio Lima Vieira (profissional da SAMS) houve uma modificação no treinamento. Em dias de exercícios, ele corre oito quilômetros e faz vinte e cinco minutos de treinos educativos. Na opinião do atleta, a corrida foi o esporte que mais o ajudou a emagrecer e a manter a forma. “Desde que comecei a correr perdi barriga, aquela gordura abdominal bem perigosa. Quando não corro, fico meio triste, desanimado, e as pessoas percebem que há algo de errado comigo. Não há como deixar de praticar esse esporte!”, declara o nosso corredor de rua.
O atleta deixa mais dicas para quem deseja seguir seus passos: "compre um
bom par de tênis, adequado para o seu tipo de pisada (supinação, pronação
ou neutra). E se você realmente deseja ser um bom atleta, deixe de lado
cigarro, bebidas alcoólicas e procure ter uma alimentação saudavel".
- Relato de Sylvia de Albuquerque sobre a sua participação na 30ª Maratona de Paris
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