Especial Alisamento - Tire todas
as suas dúvidas sobre química, escova progressiva e defrisagem

Em que situações os fios podem cair ou se partir
durante um alisamento?
- Tratamentos ou transformações no cabelo
não são responsáveis pela queda dos fios, que acontece por questões internas:
perda natural pela idade, problemas hormonais ou até mesmo porque o fio
terminou seu ciclo de vida. Mas a química pode, sim, fazer com que se
partam, quando feita de maneira inadequada. Por exemplo, quando a ação
do produto alisante for forte demais para o tipo de cabelo. Um teste prévio
em uma pequena mecha da nuca ajuda a decidir entre as fórmulas suave,
normal ou forte.
Segundo Joana Silva, técnica da Wella, outro motivo freqüente
para fios partidos é a forma de aplicação. O cabelo deve ser penteado
e enluvado seguindo o sentido de seu crescimento, para frente ou para
o lado, não para trás, explica. Ainda pode ser motivo do problema deixar
o produto por mais tempo do que o indicado e não fazer uma neutralização
correta.
Qual a função do neutralizante? Em quais tipos de alisamento ou
escova progressiva ele é necessário?
- O neutralizante é aplicado após o alisamento para impedir que o ativo
químico continue agindo a ponto de promover a quebra dos fios. Ele religa
as pontes de cistina, o que firma o novo formato do cabelo.
Que fórmulas alisantes são compatíveis entre si?
- As que têm o mesmo princípio ativo. Alisamentos feitos com tioglicolato
de amônia, mesmo que de marcas diferentes, são compatíveis entre si, assim
como os de hidróxido de sódio. Tioglicolato e hidróxido de sódio, no entanto,
não são compatíveis. Portanto, uma vez usando um desses ativos para alisar,
não pode haver troca para o outro, até que todo o cabelo alisado seja
cortado, sob riscos de haver quebra dos fios. A escova definitiva e a
progressiva, por outro lado, são compatíveis com os alisamentos por química.
De qualquer forma, fazer um teste em uma mecha da nuca antes de submeter
todo o cabelo à transformação é indispensável. Só ele garante ao cabeleireiro
e à cliente que os riscos de problemas serão mínimos.
Quais são as opções de tratamento para diminuir o volume dos fios?
Para diminuir o volume e definir cachos, uma opção é o relaxamento. "A
fórmula usada depende do tipo de cabelo", diz a cabeleireira Bianca Terra,
do Werner Coiffeur, no Rio de Janeiro. A escova progressiva sem formol
também pode reduzir o volume, assim como tratamentos contra ressecamento,
condição que costuma deixar o fio rebelde e espigado.

O que é e como age o tioglicolato de amônia?
O tioglicolato é um princípio ativo que serve para amolecer a fibra capilar,
promover a quebra das pontes de cistina e, com isso, deixar o fio maleável,
para ser moldado como se desejar. "Se pentear, ele alisa. Se enrolar,
ele forma cachos", ensina Joana Silva, técnica da Wella.
Como funciona cada tipo de alisamento?
A Escova à Francesa, da Glynett, impermeabiliza a fibra capilar através
de um composto de aminoácidos e emulsões de silicone que segura melhor
as moléculas de proteínas na fibra capilar. O fio fica mais pesado e o
volume é reduzido. Como é progressiva e temporária, deve ser refeita até
que se alcance o resultado desejado.
A escova progressiva com tioglicolato de amônia ou hidróxido de sódio
deixa o fio liso logo na primeira sessão, mas por ter concentrações menores
desses ativos do que as fórmulas dos alisamentos tradicionais, costuma
durar menos tempo: até dois meses, dependendo do grau de ondulação do
cabelo. Exige retoques constantes na raiz e hidratações periódicas.
Para quem quer efeito liso duradouro, a saída é o alisamento tradicional
(com ativos químicos como tioglicolato e hidróxido) ou a escova definitiva
(também chamada escova japonesa ou alisamento japonês). Nesses métodos,
a raiz crespa ou ondulada fica em evidência à medida que os fios crescem,
assim, os retoques precisam acontecer a cada seis meses, em média. "Alisamento
à base de amônia só é indicado em fios com a cor original ou com colorações
em nuances escuras. Os platinados ou com mechas podem sofrer ressecamento
ou desbotamento", alerta a cabeleireira Rosiane Eduardo, do salão carioca
Fast.
O que é o formol e por que escovas progressivas com ele são condenadas?
É uma substância utilizada, principalmente, para a conservação de outras
substâncias e até de tecidos (é usado em biópsias, por exemplo, para impedir
a degradação antes da análise). Pode ser facilmente absorvido pelas mucosas
e ocasionar problemas sérios para a saúde, tanto da cliente quanto do
cabeleireiro. A dermatologista Denise Steiner, diretora da Sociedade Brasileira
de Dermatologia e da Câmara Técnica de Cosméticos da Anvisa (Agência Nacional
de Vigilância Sanitária), não recomenda nem aprova fórmulas à base de
formol. "Se for usada uma concentração alta de formol em produtos para
o cabelo, os fios podem se tornar ainda mais quebradiços. Ele danifica
a cutícula, que é a parte mais externa do fio e deixa o córtex, a parte
interna, bastante vulnerável ao ressecamento e ao desbotamento", explica
a especialista.
Como saber se uma fórmula de alisamento é confiável?
Toda fórmula de produtos para cabelo deve ter registro na Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (www.anvisa.gov.br). A Anvisa promove a saúde
da população fazendo controle sanitário da produção e da comercialização
de cosméticos, incluindo as substâncias de sua fórmula. Também é importante
que o cabeleireiro esteja preparado para fazer um bom diagnóstico do fio,
identificando se os princípios ativos que serão usados são compatíveis
com o da coloração ou do processo químico feito anteriormente. Cada ativo
é melhor para um tipo de cabelo ou mais indicado para um resultado que
se quer alcançar.

A queratinização capilar tem a função de alisar ou tratar?
Queratinização, reconstrução ou cauterização são variações de nomes usados
em salões ou por laboratórios fabricantes para um mesmo tipo de tratamento
reconstrutor dos fios. Ele tem a função de repor a queratina que é eliminada
durante processos de alisamentos, colorações ou pela ação de agentes externos,
como o sol e a água da piscina. "O choque de queratina recompõe a fibra
capilar, deixa o fio mais macio, sedoso e disciplinado, mas não é capaz
de fazer um alisamento", avisa Alessandra Brasca, relações públicas da
Aneethum.
A defrisagem à francesa é um método de alisamento ou de tratamento
para o cabelo?
A defrisagem à francesa ajuda a diminuir o volume e a domar os cachos.
É um tipo suave de alisamento e não um tratamento. "Para que os fios permaneçam
com brilho e maciez é importante submeter o cabelo a procedimentos nutritivos,
que repõem a queratina, o colágeno e os aminoácidos perdidos durante a
química", aconselha o cabeleireiro Aníbal Ramirez, do salão DeLuca Studio,
no Rio de Janeiro.
Que produtos devem ser usados para lavar e tratar o cabelo alisado?
Após uma transformação química, os fios precisam de produtos que reponham
os nutrientes perdidos no processo, como, por exemplo, ceramidas, aminoácidos
e proteínas. Óleos vegetais e silicones também são de grande ajuda, pois
fecham a cutícula, devolvendo o brilho e a maciez ao cabelo.
Posso colorir os fios antes de fazer escova progressiva ou devo
alisar primeiro?
O mais indicado é fazer primeiro a coloração e depois a escova progressiva.
Mas não há exatamente um consenso sobre o assunto, pois pode haver variações
de uma marca para outra. "O produto usado para fazer Escova à Francesa
forma uma película sobre o fio que, além de alisar, protege a coloração
do desbotamento. Se for aplicada a tintura antes, corre-se o risco de
os pigmentos não se fixarem bem", diz Gleno Márcio da Silva, da Glynett.
Já a cabeleireira Neide Santos, do salão Neide's Cabeleireiros, do Rio
de Janeiro, que desenvolveu a Emulsão Alisante Progressiva à base de ácido
fórmico, em parceria com o Laboratório Distrion, considera que o ideal
é dar um intervalo de 15 a 20 dias entre a escova e a coloração.
Fonte: Revista Cabelo e Cia.
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