Ano IX - Número 100 - março - 2009

Comportamento
Colaboração: Maria de Fatima C. Ribeiro

Adultecente

Foto de Adultecentes

Eles são destemidos, criam as próprias regras e não costumam dar bola para a opinião alheia. Até parece, mas essa turma não tem mais 15 anos. Está entre os 40 e os 50 anos e passa pela adultescência, um período similar à adolescência pelas mudanças que provoca, afirmam especialistas. A atitude está tão em voga, que a classificação virou até. A fase tem lá sua graça, mas é preciso tomar cuidado com esse comportamento.

A psicóloga clínica e co-diretora do Pró Gente (Psicologia e Desenvolvimento Humano), Maria Teresa Soares Eutrópio, explica que a "fase das espinhas" tem muita similaridade com a meia-idade. É que, tal qual o jovem, o "cinqüentão" também está em busca de uma identidade e procura se adequar a um novo corpo, a outros valores. "São duas épocas de adaptação", resume.

Para se enquadrar na sociedade, muitas vezes é preciso trilhar novos caminhos, quebrar paradigmas. Por isso, depois de anos, os adultescentes recorrem ao passado e resgatam a paixão, os sonhos e a rebeldia, tipicamente adolescentes. "Eles têm entre 40 e 50 anos, e se permitem se apaixonar, praticar um esporte radical, usar roupas mais joviais e coloridas, sem se preocupar com o julgamento dos outros", define a psicóloga. Isso é possível hoje, completa ela, graças à medicina estética e à quebra de estereótipos sociais.

A psicanalista Heloísa Mamede Silva Gonzaga sabe bem o que é isso. Com quase 70 anos, ela diz que se vê como aos 30, tanto fisicamente, porque pratica hidroginástica e caminhada regularmente, como mentalmente, já que o seu ritmo de trabalho não mudou desde então. "Existe um ditado que diz que os 50 anos são a adolescência da velhice, e concordo com isso". Ciente de que é possível aproveitar ao máximo a maturidade, Heloísa não apenas aplica o lema na sua vida, como também o difunde por meio do livro que escreveu, chamado "É depois dos cinqüenta que a vida esquenta".

O livro foi lançado quando ela tinha 62 anos, e representa uma coletânea de crônicas publicadas no jornal "O Estado de Minas". Segundo a psicanalista, algumas são fictícias, e outras baseadas no estilo de vida que, acredita ela, deve ser seguido na terceira idade. "É uma visão particular de como a gente pode viver bem após os 50", destaca.

Entre a empolgação e o empenho em aproveitar os dias, Heloísa aproveita, sempre que lhe aparece um interlocutor, para ressaltar as vantagens da maturidade, como a falta de responsabilidades com filhos e o tempo livre para realizar sonhos engavetados. "A infância é aprendizado. A adolescência, embora seja a fase da liberdade, ainda está presa aos pais. O adulto está cheio de obrigações. Então, é na maturidade que sobra tempo para se fazer aquilo que sempre quis. Com os filhos crescidos, é possível aproveitar mais, independentemente de dinheiro", defende.

De acordo com Teresa, não há nada de errado com o adultescente – termo que virou verbete e integra o "Glossário para os Anos 90", de David Rowan - que curte a vida e busca sua felicidade. No entanto, essa segunda adolescência é disfuncional quando o indivíduo se recusa a aceitar a própria idade, ou não consegue se libertar financeiramente dos pais. Ele desenvolve comportamentos estereotipados, e luta contra o tempo, em vez de torná-lo seu aliado. "Há o adultescente que pára no tempo, e aquele que não quer que o tempo pare", explica ela.


Fonte: www.maisde50.com.br
Imagem: http://estudiabetes.com/profile/CesarXIG


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