Ano VIII - Número 94 - setembro - 2008

Espaço Cultural
Por: Gláucia Cristina

Histórias para todos os gostos
A Feira do Livro chega a sua 27ª edição e promete novidades para os visitantes

Imagem da divulgação

Desde a última sexta-feira (29), os moradores de Brasília têm mais um motivo para ir ao Pátio Brasil Shopping. Além de palestras, lançamentos de livros, narração de histórias para crianças, teatro e apresentações musicais, os visitantes da Feira do Livro terão a oportunidade de encontrar diversos volumes a preços mais acessíveis. O evento fica na cidade até dia 7 de setembro, sempre de segunda a sábado das 9h às 22h e aos domingos das 10h às 22h. A entrada é franca.

Dentre as novidades, estão a realização de mini-conferências e atividades sobre o poeta homenageado, Thiago de Mello, chamadas de "Para conhecer Thiago de Mello", em que amigos serão convidados a contar fatos e histórias sobre o trabalho e a vida do amazonense.



Com o lema "Palavras mudam o mundo" e com 6.500 metros quadrados, 1.500 a mais que em 2007, a organização da Feira espera uma maior repercussão. "Ano passado o público foi de mais de meio milhão de pessoas. Acredito que, este ano, ultrapassaremos facilmente esta meta", diz Walter Silva, presidente da Câmara do Livro. Ao todo, são 101 expositores, entre livreiros, bibliotecários e editores, organizados em 106 estandes.

Para Walter, a Feira é hoje um acontecimento que ultrapassa Brasília. "Ela se transformou no evento mais importante do Centro-Oeste", afirma. Contudo, a falta de verba ainda é um problema. O Governo do Distrito Federal (GDF) não disponibilizou os 700 mil reais requisitados pela organização da feira. "Investimos 500 mil reais, do nosso próprio bolso. Queremos que o GDF complemente, pois a Feira é da cidade, não só nossa", completa.

Autor de "O que é Educacionismo" (Editora Brasiliense), lançado na Feira do Livro no primeiro dia de evento, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defende a importância de um espaço de promoção da leitura acessível a todos os tipos de público. "Nas livrarias, só vão leitores costumeiros. Aqui, as pessoas terão mais acesso, além de livros muito mais baratos", afirma.

Entretanto, a satisfação pela escolha de um local popular para a realização da Feira não é unanimidade. João Carlos Ronca Junior, conselheiro do Sindicato dos Escritores do DF (SEDF), acredita que a Feira merecia um lugar mais adequado. "Um lugar ideal seria o Centro de Convenções, pois foi feito para promover eventos", reclama. "Estamos em um corredor, com pessoas sem o menor interesse transitando a todo o momento. Fica muito provinciano", finaliza.


Macacos não mordem

Dentre os servidores que se aventuraram no mundo das letras está Rosilane do Carmo Rocha, subchefe do gabinete do senador Tião Viana. A autora lançou o romance “Macacos não me mordem”, pela Scortecci Editora, exposto no estande da Sindilegis. “O livro é um romance com ficção e não é baseado em fatos reais”, explica a autora

O livro conta a história de Ludimila, uma mulher que, após avalizar um amigo e não receber seu pagamento, refugia-se no mato. Lá, conhece um macaco chamado Dico, com quem estabelece uma conexão incomum. O animal cuida de Ludimila, que consegue retornar e procura a Universidade de Brasília (UnB), para estudar o comportamento e as plantas que Dico (o macaco) entrega a ela durante a aventura na mata.

O romance conquistou espaço na 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e foi lançado em vários locais representativos de Brasília além da Feira do Livro, como a Livraria Cultura e o Balaio Café. “Muitas coincidências acontecem na história envolvendo os personagens. O livro é dinâmico e interessante, segundo alguns depoimentos de pessoas que já o leram”, comenta a autora. “O que me inspirou a escrevê-lo foi um fato real que vivi, e apenas sob esse aspecto posso apontar uma relação entre a personagem e a minha pessoa”.

Sobre a importância de um evento do porte da Feira do Livro, Rosilane não tem dúvidas. Para ela, a exposição é uma oportunidade de expressão cultural. “Considero toda Feira do Livro o espaço ideal para que o público se interaja com o mundo literário de forma festiva, tendo a oportunidade de conhecer os autores das obras expostas e o contato com a diversidade de gêneros literários”, diz. “Os livros são interpretados de acordo com a realidade de cada um. Na história, para cada leitor, um personagem tem um rosto, um olhar diferente”, finaliza.




Imagem: divulgação do evento

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