Ano X - Número 110 - janeiro - 2010

Carreira
Colaboração: Camila Sá

Rir é o melhor remédio

Foto de casal rindo


Usando a máscara do nariz vermelho, cada vez mais profissionais se voltam para trabalhos voluntários que levam bom humor aos hospitais


De nariz vermelho, jaleco colorido, um violão ou mesmo uma galinha de borracha debaixo do braço, eles entram no quarto de hospital, onde tudo é branco e monótono, e anunciam: "O médico chegou!"

A receita que cada vez mais faz sucesso nos hospitais do país, com palhaços profissionais que levam alegria e diversão para o ambiente frio e angustiante dos hospitais, tornou-se uma opção para profissionais que desejam realizar um trabalho voluntário em prol do próximo ou que querem seguir carreira promovendo a saúde e o bem-estar das pessoas com o melhor remédio do mundo: o bom humor.

É o caso do Projeto Terapia da Alegria, criado por profissionais liberais de Maringá (PR), que há 14 anos atuam no teatro amador, mas desejavam fazer algo mais pelas outras pessoas. Desde 2004, eles utilizam a máscara do palhaço para levar momentos de prazer à ala pediátrica do Hospital Municipal da cidade, num trabalho que já conquistou o respeito de muita gente. "Nossa proposta se resume na visita de médicos palhaços que se esforçam para levar um momento agradável aos pacientes, fazendo com que, por poucos minutos, eles esqueçam que estão num hospital", diz o administrador de empresas, ator e diretor do grupo, Hudson Figueira Zanoni, ou melhor, Dr. Adalberto Pé de Chinelo.

Com doze integrantes, o grupo realiza visitas semanais nas noites de quinta-feira no hospital, com duração de três horas. Cada quarto recebe uma visita de 5 a 10 minutos, sendo que a trupe utiliza ferramentas como músicas, brincadeiras, contação de histórias, bonecos, malabarismo, pequenos truques de mágica e uma boa "conversa fiada" para garantir a alegria dos pequenos pacientes. "Depois de uma semana estressante no trabalho, muitas vezes chegamos cansados no hospital. Mas ao começar as visitas, sentimos nossas forças se renovarem. Por isso, dizemos que esse é um trabalho de duas vias: a que nós doamos, e a que recebemos nessa troca com os pacientes", diz Hudson.

Com equipe capacitada, treinada e motivada para investir tempo no projeto, o Terapia da Alegria está em busca de parceiros e apoiadores financeiros para que possam ampliar esse trabalho. Segundo Hudson, a maior dificuldade é fazer com que os patrocinadores entendam que o retorno num projeto desses não é financeiro, mas sim no investimento à saúde das crianças e em poder ajudar um trabalho sério a transformar vidas. "Procuramos grandes empresas ou homens e mulheres de negócios que sejam visionários, que acreditem que ser voluntário é poder também investir em pessoas que possuem disponibilidade e talento para trabalhos como este", explica o diretor.

Serviços que fazem bem à saúde

Na Grande São Paulo, o Grupo Operação de Riso também tem mostrado que a "besteirologia" pode ser mais do que um trabalho voluntário, mas um empreendimento que oferece serviços bem "específicos" para a promoção da saúde. "Oferecemos exames completos contra pulga atrás da orelha, extração de chulé, ultrasons musicais, remoção de sapos entalados na garganta e de minhocas na cabeça", garante o ator e coordenador do grupo, Kleber Brianez, o Dr. Nerdolino.

Terapia do futuro?

Enquanto os profissionais de saúde focam sua atenção no que precisa ser curado, "médicos besteirologistas" focam sua atenção no que está saudável, estimulando a saúde dos pacientes. "Dessa forma, o paciente é visto como um todo, não como uma doença", diz Kleber Brianez.

Segundo ele, uma pesquisa verificou que os pacientes que recebem a visita dos doutores- palhaços passam a aceitar melhor o tratamento e se relacionar melhor com os profissionais de saúde, assumindo uma atitude mais positiva em relação à sua recuperação. Mas para realizar um trabalho como o do Terapia da Alegria e do Grupo Operação de Riso, não basta vestir uma roupa de palhaço, um nariz vermelho, fazer uma pintura na cara e sair por aí querendo "distribuir um pouco de alegria" para as outras pessoas.

Seja de forma voluntária ou como profissional, esse trabalho requer muito estudo, pesquisa e constante dedicação. "Algumas pessoas acreditam que já nasceram prontas pra tudo e que para um trabalho voluntário não precisam de ajuda, infelizmente essas são as que primeiro abandonam o barco e se decepcionam com o voluntariado", adverte Hudson Figueira Zanoni, do Terapia da Alegria.

Com essa linguagem divertida, desde 2006 o grupo atua como voluntário no Hospital e Maternidade Márcia Braido, de São Caetano do Sul e conquistou este ano o prêmio do MINC Saúde, do Ministério da Cultura, como reconhecimento ao trabalho.

Com cinco integrantes, o grupo se vinculou à Cooperativa Paulista de Teatro, que fornece CNPJ, notas fiscais, documentação e outras condições, para poderem atuar como empresa. "Não dá para medir a satisfação pessoal de um trabalho como esse, mas o retorno financeiro também é importante", diz Kleber.

Recentemente, eles fecharam um contrato de prestação de serviços com o Hospital São Cristóvão, no bairro da Mooca, em São Paulo. "Estamos aos poucos conquistando o nosso espaço, mas conquistar a confiança de quem vai subsidiar nosso trabalho é uma tarefa difícil. É necessário mostrar que este é um trabalho profissional e não uma caridade", explica Kleber.


Fonte: http://carreiraenegocios.uol.com.br/gestao-motivacao/16/olhar-responsavel-a-saga-dos-grupos-terapia-da-alegria-158312-1.asp - Por: Lincoln Martins

Imagem:
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