Gerson Camarotti e Tatiana Farah*
BRASÍLIA, SOROCABA e CAMPINAS.
O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) informou ontem que vai antecipar sua defesa e dará explicações à CPI dos Sanguessugas sobre o pedido de liberação de emendas para compra de ambulâncias em licitações depois vencidas pela Planam.
A empresa é acusada de fraudar licitações, superfaturar o preço de veículos e pagar propina a parlamentares. A CPI tem cópia de pelo menos um ofício encaminhado por Antero ao Ministério da Saúde, em 2001, em que informa o envio de documentação para a aquisição de uma “unidade móvel de saúde”.
O senador tucano negou envolvimento com a máfia e assumiu a responsabilidade de dar explicações sobre o episódio. As declarações de Antero ocorreram depois que o candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, disse que o senador deveria explicar a apresentação de suas emendas.
Antero se defende. Diz que é vítima de uma armação política para prejudicar a sua candidatura ao governo de Mato Grosso.
— Já expliquei ao partido e vou explicar à CPI dos Sanguessugas tudo o que quiserem.
O Alckmin está correto: eu é que tenho que explicar o que aconteceu. Estou sendo envolvido neste escândalo porque ataquei todos os sanguessugas na minha campanha eleitoral — afirmou Antero.
Ontem quatro dias depois de ir às ruas com Antero em Cuiabá e dizer acreditar na inocência do parlamentar, Alckmin pediu explicações ao colega.
— Apresentar emendas não tem problema. Uma coisa é emenda, outra coisa é corrupção.
Eu acho que cabe a ele explicar — disse o tucano ontem, em Sorocaba, interior paulista.
Ele voltou ao assunto em Campinas, depois de carreata ao lado do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos relatores da CPI dos Sanguessugas: — Ele deve se explicar. É o dever de todo homem público.
Há duas semanas, o senador foi acusado pelo empresário Luiz Antonio Vedoin, proprietário da Planam, de participar do esquema. No ofício de número 359 de 2001, Antero encaminha ao então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Barjas Negri, uma emenda de R$ 80 mil para o município de Nossa Senhora do Livramento. O documento é assinado pelo senador.
Ao GLOBO, o senador confirmou que encaminhou o pedido ao Ministério para aquisição de ambulância. Mas disse que depois houve contingenciamento de 50% das emendas e, por isso, enviou mensagem cancelando a prioridade para a compra.
— Mandei um e-mail excluindo todas as emendas para a compra de ambulâncias. Agora, essas emendas podem ter sido pagas. Até porque outro parlamentar pode ter trabalhado pela emenda. Enviada especial
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