CEF contestou negócios do Grupo OK
Numa parceria entre Luiz Estevão e o dono da Ikal, 63 apartamentos foram vendidos a terceiros, em Goiânia, apesar de hipotecados
Solano Nascimento
Comunicado: Monteiro de Barros informa que assumiu cobranças
O Grupo OK, do senador Luiz Estevão (PMDB-DF), e o Grupo Monteiro de Barros, do empresário Fábio Monteiro de Barros Filho, atuaram juntos em um negócio imobiliário em Goiânia que foi considerado irregular pelo Ministério Público e pela Caixa Econômica Federal (CEF). Trata-se da venda, a terceiros, de apartamentos que estavam hipotecados à CEF e que, por isso, não puderam ser escriturados.
O negócio, comprovado por documentos obtidos pelo Correio, envolve 63 apartamentos dos edifícios Miami Beach e Ibiza que foram colocados à venda com valores médios de R$ 68 mil e R$ 43 mil, respectivamente, totalizando R$ 3,5 milhões. As relações entre Monteiro de Barros e Estevão vêm sendo questionadas por senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário que investigam possíveis irregularidades na construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.
O negócio em Goiânia começou em 1989. A Plane — Construções e Incorporações, do empresário brasiliense Eduardo Cardoso, ganhou da CEF um empréstimo para construir o conjunto habitacional Maison Bueno, que teria 102 apartamentos em Goiânia. Para conseguir o financiamento, Cardoso deu como garantia apartamentos dos edifícios Miami Beach e Ibiza, que estavam sendo construídos por ele.
Em 1990, a Plane vendeu o Miami Beach e o Ibiza para a Senap Engenharia e Comércio, que nove meses depois os revendeu ao Grupo OK — Construções e Incorporações. Tanto a Senap quanto o Grupo OK assumiram, ao comprar os empreendimentos, os financiamentos feitos para a construção junto à CEF e também os compromissos que precisavam ser honrados.
No mês de julho de 1994, o Grupo Ok repassou por procuração o direito sobre apartamentos do Miami Beach e do Ibiza à Companhia de Desenvolvimento do Araguaia (Codeara), de quem comprou uma fazenda no Mato Grosso. A procuração foi assinada por Cleucy Meirelles de Oliveira, mulher de Luiz Estevão e diretora do Grupo OK. Depois a fazenda teria sido vendida a Fábio Monteiro de Barros.
Logo depois de receber os apartamentos, a Codeara passou a comercializá-los por meio da imobiliária Xangai Imóveis, de Goiânia. Somente na primeira etapa da comercialização, 23 apartamentos dos dois edifícios foram vendidos. Dois anos depois, os adquirentes dos imóveis começaram a descobrir que eles estavam hipotecados à CEF, pois Cardoso não havia pago o financiamento para o Maison Bueno. Com isso, ninguém poderia escriturar o que tinha comprado.